Análise – Transformers: War For Cybertron T1 – Siege

Transformers sempre foi uma franquia bastante assídua na cultura pop, a qual vincou a sua presença com a linha de figuras de ação dos anos 80, reforçada pela clássica série animada de 1984, também conhecida como a Generation I. Ao longo dos anos, mais adaptações foram sendo lançadas para a TV, até que a Hasbro (dona dos direitos destas personagens) decidiu levar os Transformers para os grandes ecrãs, sob a alçada da Paramount Pictures e da direção de Michael Bay, em 2007.

Devido ao sucesso comercial do filme, mais adaptações cinematográficas foram sendo feitas, no entanto, o seu nível de qualidade foi caindo drasticamente à medida que mais produções iam sendo lançadas. Durante este tempo (e ainda acontece atualmente),  muitos fãs mostraram o seu desagrado, levando em conta a maneira “mainstream” e básica que os Transformers estavam a ser retratados. Contudo, agora em 2020, para a surpresa de muitos, a Netflix deu luz verde a um projecto totalmente original que (re)imagina os mesmos eventos da famosa Generation I, sem qualquer conexão com os filmes.

Assim, Transformers: War For Cybertron Siege é uma série animada produzida pela Hasbro e distribuída pela Netflix. Esta série terá três temporadas, onde cada uma representará um arco diferente da história dos Transformers, sendo esta primeira parte Siege, referente ao período da guerra civil em Cybertron entre Autobots e Decepticons (portanto nada de personagens humanas objetificadas ou vazias de caracterização). Portanto é a base mais simples que tantas outras obras pegam do conflito entre estas duas fações antagónicas.

Mais concretamente, esta produção passa-se, precisamente, na última fase da guerra de Cybertron, onde Megatron, o líder dos Decepticons, tem um exército fiel ao seu dispor, preparado para executar qualquer ordem por ele pedida. Do outro lado da guerra encontram-se os Autobots, uma pequena resistência que sobrevive ao terrível domínio de Megatron, liderados por Optimus Prime. Neste conflito Megatron planeia usar uma força ancestral, o Allspark, para emitir uma onda de energia capaz de reprogramar os Autobots, tornando-os por consequência em escravos do seu regime.

Como referi anteriormente, a Hasbro decidiu pegar na Generation I como inspiração para esta série. Esta decisão refletiu-se, sobretudo, no design das personagens, que se encontra bastante fiel à antiga série animada, sendo o estilo de animação uma mistura de cel shading com CGI, com um tom muito particular. Outro aspecto semelhante, que tem ficado de fora em outras adaptações é o facto de Bumblebee puder falar, sendo esta decisão bastante acertada.

Por falar em Bumblebee, esta personagem foi talvez das que mais aproveitou do conceito da série ser ambientada em Cybertron, pois aqui percebemos que nem todos são tão “preto e branco” entre si. Bumblebee, logo no primeiro episódio, demonstra-se apático em escolher uma facção naquela guerra, e ao longo da sua jornada vemos uma evolução bem executada e evidente desta personagem para o lado dos Autobots.

Ainda neste aspecto, o conflito em Cybertron demonstra o quão reduzida é a presença dos Autobots, encontrando-se estes últimos em números muito reduzidos, criando-se um clima de tensão, sempre que estes acabam dizimados por algum motivo. A série aborda esta temática de guerra, com um tom muito mais sombrio e sério, diferente de qualquer adaptação vista até então.  O que acaba por reforçar que independentemente, da familiaridade de cada um, esta produção foi também feita levando em conta os fãs mais antigos e nostálgicos, portanto acaba por amadurecer com o espectador.

Apesar de em certa medida, ser uma série pequena, há várias referências e cameos, já do conhecimento dos fãs. Portanto há muitos Transformers clássicos que aparecem na série, que me deixaram espantados, como Whelljack ou Jetfire.  Outro aspecto curioso, prende-se com a narrativa, uma vez que a série é também uma espécie de tentativa de amarrar as grandes sub-histórias e arcos de todas as propriedades de Transformers, antes desta.  De forma a corrigir inconsistências no enredo e dar protagonismo a personagens que nunca tiveram o seu devido mérito, como por exemplo a personagem feminina dos Autobots, Elita-1 ou Ultra Magnus. Até Soundwave retornou com a sua icónica voz eletrónica e Starscream com o pitch elevado na voz.

Megatron é talvez a personagem mais desenvolvida da série, par a par com Bumblebee, aqui vemos o quão longe está disposto a ir para manter o seu regime autoritário, em prol do massacre da resistência dos Autobots. Apesar de não lhe ter sido dada qualquer origem clara, a narrativa faz um bom trabalho em deixar subentendido possíveis justificações para as suas ações. Já Optimus Prime foi quem mais me desiludiu, grande parte do arco da sua personagem prendia-se com a sua ascensão enquanto líder, todavia na série pouco é feito para enfatizar este elemento tão ausente na história.

Complementarmente, e apesar de o trabalho de vozes estar muito bem feito, em particular no lado dos Decepticons, a voz do líder dos Autobots, a meu ver, não corresponde exatamente àquilo que é a personagem. Peter Cullen, o dobrador veterano de Prime, infelizmente não retornou ao papel nesta série, este trabalho ficou a cargo de Jake Foushee, que não conseguiu vincar-se, sendo a sua voz demasiado jovem e fora de contexto para aquilo que é esperado da personagem mais icónica da franquia.

Em forma de conclusão, Transformers: War For Cybertron Trilogy entrou com o pé direito com um começo fantástico, através de Siege. Sendo esta série uma verdadeira “love letter” para as pessoas que assistiram à Generation I, e ainda uma tentativa de trazer algum brio e nível de qualidade à saga dos Transformers, que fora outrora massacrada por Michael Bay. Assim está montado o palco para as seguintes partes Earthrise e Kingdom, que têm tudo para alavancar ainda mais os alicerces construídos nesta primeira temporada. Para quem é fãs destas personagens, ou apenas as conhece pelos filmes, recomendo e muito esta série, pois tem toda a essência dos Transformers aqui presentes e muito mais.

Positivo:

  • Entrada com o pé direito na trilogia;
  • Grande homenagem à Generation I;
  • História envolvida num tom maduro e sombrio;
  • Aproveita um pouco de todas produções anteriores;
  • Evolução de Megatron e Bumblebee;
  • Estilo de animação original;
  • Referências e cameos;

Negativo:

  • Dobrador de Optimus Prime não se encaixa na personagem;

João Luzio
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