Análise – The Diofield Chronicle

A era dos RPG de estratégia está de regresso e por estranho que pareça, uma das grandes forças motoras é a própria Square-Enix que resolveu regressar aos bons velhos tempos da companhia para começar a trazer mais RPG do género.

Com Tactics Ogre Reborn a caminho e Triangle Strategy já no horizonte, The Diofield Chronicle é o esforço da companhia numa direcção muito mais próxima dos JRPG de estratégia em tempo real, sendo mais light na jogabilidade e mais focado nas mecânicas e mundo de jogo. Infelizmente uma campanha de divulgação fraca e pouco orçamento não permitem que seja mais do que um bom jogo.

Para começar, The Diofield Chronicle não apresenta uma história ou personagens que sejam imediatamente carismáticas ou diferentes do habitual no que toca a jogos que emulam ambientes medievais. Isto acaba também por frustrar as expectativas sobre a história pois não existe exactamente um gancho que nos prenda logo a início. As personagens demoram horas a sair dos seus estereótipos e a intriga acaba por parecer mais complexa do que realmente é.

A jogabilidade gira em redor das nossas unidades que podemos controlar no campo de batalha. Cada uma delas tem as suas vantagens e fraquezas e existe um grande foco em posicionamento e estratégia de elementos. Nunca senti exactamente os cenários são muito complicados ou longos, o que até é bom, visto que também está disponível na Nintendo Switch.

Cada batalha é antecedida por vários momentos de conversa e exposição, que saltam depois para a preparação para a batalha e o verdadeiro cenário de combate em si. Os combates dispensam grelhas de movimentação, pois The Diofield Chronicle está muito mais próximo de um jogo de estratégia em tempo real do que um Fire Emblem, mesmo não deixando de parecer um filho dos dois estilos.

Quando deixamos o tempo fluir, as nossas personagens lutam contra os inimigos ou movimentam-se para onde as ordenamos, mas é possível parar o tempo para pensar, decidir estratégias, ver posicionamentos e usar habilidades das personagens. A início o sistema parece confuso e tendo em conta que existe um rol de personagens para controlar entre as unidades, faz com que os menus por vezes nos atirem exactamente para a personagem que não queremos. É um sistema que demora a enraizar, mas que não é problemático de perceber.

Apesar de todos os seus elementos estratégicos e inspirações em outros clássicos do género com raizes nos jogos tácticos, The Diofield Chronicle não parece rumar assim tanto na direcção dos sistemas de RPG convencionais. Sim, existe evolução e melhoria das personagens, mas não é um sistema tão vasto como poderia ser, o que acaba por ser algo desapontante. Além disso, existe a possibilidade de adquirir algumas das armas mais poderosas com relativa facilidade, o que acaba por fazer com que o jogo fique também muito mais fácil.

No que toca ao visual, The Diofield Chronicle é um jogo que usa um estilo muito próprio que tem tanto de bonito como de artificial. Os cenários são interessantes e apelativos e as suas personagens usam uma arte que quase as faz parecer mais peças de tabuleiro do que seres vivos. De qualquer forma, com os efeitos de luz e desfocamentos à mistura, posso dizer que o resultado final até que é bastante bonito.

A banda sonora tem os seus momentos de brilho, mas não senti que alguma música fosse marcante, mas a pior parte do som são sem dúvida as vozes em si (não tanto os actores), que não beneficiam com a qualidade da gravação e é fácil perceber que a direcção de actores ficou claramente a desejar. Um jogo como estes merecia um cuidado muito maior.

The Diofield Chronicle não é um jogo que tenha muito a lutar em seu favor. Para começar, parece ser um projecto de segunda classe, notando-se que sofre imenso por ter um budget mais pequeno e ter sido relegado para segundo plano. Além desse problema, acaba por esconder a sua verdadeira alma e essência atrás de uma história mediana que demora a ficar interessante e um conjunto de personagens só mostram algum brilho se lhe dermos uma oportunidade sincera.

É verdadeiramente uma pena que todas as possibilidades joguem contra The Diofield Chronicle. Com muito mais orçamento e profundidade, havia aqui material para começar uma nova série. Com os elementos que tem, apenas os verdadeiros fãs do género é que lhe vão encontrar valor.

Positivo:

  • Visual interessante
  • Batalhas rápidas
  • Diálogos curtos e directos

Negativo:

  • Mau tratamento vocal das personagens
  • Pouca profundidade da história
  • Personagens bastante simples
  • Sistema de evolução desnivelado

 

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