Análise – Triangle Strategy

É sempre interessante ver como as modas regressam e aquilo que era velho volta a ser novidade uns anos depois. O Gaming já entrou numa era em que temos nostalgia por coisas antigas e os estúdios fazem esforços por trazer de volta velhas glórias com melhor visual ou melhorar estilos que já estavam com cabelos brancos.

A “criação” do estilo HD-2D por parte da Square-Enix em Octopath Traveler foi um excelente exemplo de como uma boa maquilhagem conseguiu dar uma nova vida a um estilo visual que tinha ficado esquecido na era das 16 bits, interessando apenas aos mais saudosistas ou aqueles que estavam dispostos a explorar o passado dos clássicos.

Pois bem, Triangle Strategy é o regresso do HD-2D, mas desta vez, em vez de se focar no JRPG por turnos dos bons velhos tempos, foi buscar uma grande inspiração a Final Fantasy Tactics e Tactics Ogre, dois clássicos da Square-Enix dentro dos jogos tácticos que curiosamente desapareceram do mapa sem grandes explicações para tal.

Triangle Strategy é claramente feito a pensar nos antigos fãs do género. Especialmente aqueles que jogaram o primeiro Final Fantasy Tactics e ficaram agarrados a todas as histórias de corrupção, traição e política. Porém, Triangle Strategy consegue ser um pouco mais humano e próximo do que Tactics por nos colocar no seio de uma equipa recheada de personagens com as quais vamos vivendo a aventura e conhecendo cada vez melhor ao longo de várias horas de exposição e conversa. Muitos poderão dizer que Triangle Strategy é demasiado aborrecido ou demora muito para que algo aconteça, mas só assim vejo ser possível conseguir criar uma ligação tão forte e com sentido com a história, de modo a que nos começamos mesmo a preocupar com as personagens e o destino de cada uma.

Uma das coisas que Triangle Strategy usa para avançar a história e criar algum peso nas nossas decisões, passa pela forma como podemos responder aos nossos aliados, mas principalmente como usamos o conhecimento adquirido ao longo da exploração e conversas para decidir o destino através da balança da família. Em determinados momentos chave, temos de decidir qual o próximo passo a tomar e isto é feito por uma decisão tomada entre todas as personagens. Nestes momentos podemos influênciar os aliados para seguir o destino que queremos, mas o facto de reflectir a ligação que temos com os restantes membros da equipa faz com que o tempo que passamos a ler tenha mais significado.

A história está cheia de pequenas ramificações e existe muito mais do que parece à primeira vista quando os três reinos começam a dar cartas e algumas reviravoltas começam a acontecer, umas quantas delas bastante inesperadas e que me deixaram bastante supreendido. Claro que seguir tudo o que é dito e perceber todas as ligações e influências não é fácil, por isso Triangle Strategy é daqueles jogos que requer atenção e ler um pouco mais das bios e dos relatos de guerra que podemos encontrar no menu.

O sistema de combate vai muito de encontro ao RPG táctico por turnos tal como Final Fantasy Tactics, porém, caso queiram exemplos mais recentes, podem pensar em jogos como XCOM ou Mario + Rabbids. Os combates seguem os posicionamentos que a história nos permite e daí em diante temos de navegar pelas casas ao alcance da personagem para poder aplicar ataques, habilidades, ou magias. Cada uma das personagens tem os seus tipos de ataques, agilidade e alcance, havendo coisas como soldados normais, magos, curandeiros e arqueiros.

A estratégia e controlo do mapa é essencial, pois grande parte dos elementos de combate são construídos a pensar em vantagem sempre que possível, por isso mesmo existem coisas como ter vantagem ao atacar de um sítio elevado, atacar em conjunto com um colega que esteja a flanquear um inimigo, criar gelo num local ou até usar óleo com fogo para dar ainda mais dano ou destruir uma barricada. Triangle Strategy não é um jogo simples e muito depressa dão por vocês encurralados ou a perder personagens por jogadas mal feitas. Felizmente existe sempre a hipótese de antever o que um ataque faz e o dano que pode conferir.

Cada uma das personagens evolui consoante as acções tidas no seu turno e essa experiência acaba por desbloquear novas habilidades por nível, além de permitir aprender novas especializações relacionadas com a classe da personagem. Funciona bastante bem e tendo em conta também que podemos evoluir as armas, podemos escolher as nossas personagens favoritas para investir nelas.

Como a história de Triangle Strategy segue um registo mais linear, a forma como podemos treinar é através de treinos mentais que resultam literalmente em arenas pré-feitas que podemos repetir para ganhar mais experiência e materiais. É um sistema mais imediato que os encontros aleatórios no mapa de antigamente, mas que lhe retira um pouco da aleatoriedade e aumenta um pouco o sentimento de repetição.

Como referi logo a início, Triangle Strategy é um jogo da geração HD-2D, o que significa que o visual é totalmente pixelizado e extremamente retro, no entanto, tem todos os floreados do novo estilo que fazem dele uma experiência bastante apelativa para quem gosta deste estilo ou jogos retro. Sendo eu um desses fãs, considero que o visual é muito bom, embora perca um pouco quando comparado com Octopath Traveler dado a sua variedade e expansão de cenários. A arte é verdadeiramente espetacular e no global faz com que o tudo fique ainda mais forte.

A banda sonora é outro dos grandes pontos altos de Triangle Strategy. As músicas são poderosas, bonitas e recheadas de melodias que encaixam muito bem em quase todos os momentos chave ou combates. Por outro lado, a prestação vocal é bastante boa em japonês, mas o mesmo já não posso dizer da versão inglesa que me deixou bastante decepccionado. As vozes não só não encaixam bem em muitas das personagens como parece não haver grande emoção nas mesmas. Por vezes pode estar a morrer alguém ou a ser preparado um grande combate e parece que os actores estão numa sessão calma de chá.

No que respeita a longevidade, Triangle Strategy é um jogo dentro da média, com cerca de três dezenas de horas para concluir a história. Claro que há muitas coisas para fazer alternativamente, como encontrar personagens alternativas, ver histórias adicionais e fazer as batalhas de treino. Mesmo assim, a longevidade está ligada aos vários desfechos que convidam pelo menos a jogar a campanha duas vezes.

Triangle Strategy é uma excelente proposta da Square-Enix e um regresso em grande tanto dos JRPG tácticos como do formato 2D-HD. Estamos perante um jogo que será obrigatório para quem gosta do género, mas é recomendável que os curiosos experimentem primeiro antes de mergulhar nesta história com horas massivas de diálogos e exposição.

Positivo:

  • Visual retro encantador
  • Combates bastante envolventes
  • Boa banda sonora
  • Escolhas têm impacto

Negativo:

  • Vozes em inglês
  • Demora um bom bocado a arrancar

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