Análise – Story Of Seasons: Friends Of Mineral Town

Ainda tenho algumas vagas memórias dos tempos em que jogava um dos títulos de Harvest Moon na minha infância, contudo, ao longo dos anos fui deixando este género de jogos de lado, para não lhes tocar de todo. Agora, com Story Of Seasons: Friends Of Mineral Town pude reviver uma experiência similar, que há muito não experienciava. Produzido pela Marvelous, este jogo trata-se de um remake da versão de 2003 para o GameBoy Advance, de Harvest Moon: Friends Of Mineral Town.

Agora, na Nintendo Switch, Story Of Seasons: Friends Of Mineral Town trata-se de um jogo cujo objetivo principal consiste basicamente em gerir uma quinta. No entanto, não fica por aí, aqui teremos não só de tornar a nossa quinta lucrativa, através das nossas plantações e/ou minerações, aquando da exploração das minas, como também de interagir com os diversos NPC’s espalhados pela cidade, que rodeia a nossa quinta.

Inicialmente o jogo dá-nos algumas opções de customização, desde a escolha do género da nossa personagem, ao seu aspecto geral. De seguida, somos introduzidos à história simples de Story Of Seasons, na qual fomos convidados a visitar a quinta do avô do protagonista, situada na Mineral Town, e a partir daí o jogo deixa-nos completamente autónomos. Cada jogador poderá escolher o rumo e futuro da sua quinta, à sua maneira, tendo para isso uma vasta gama de opções, que transformaram esse espaço, em algo totalmente individual e único.

Não há propriamente um rumo a seguir, cada jogador é livre de escolher o que fazer e quando o fazer. Neste sentido, o jogo tem um sistema de horários de dia e noite, semelhante a Animal Crossing. Em certos dias, determinadas lojas estarão abertas, e em outros não. Em determinadas alturas do dia, certos coleccionáveis podem ser obtidos ou determinados eventos podem ficar disponíveis. Portanto, há também todo um critério de escolha bastante alargado, que diferenciará individualmente as experiências vividas entre os jogadores, neste jogo.

Por falar nisso, Friends Of Mineral Town conta com um sistema de friendships, no qual podemos ter mais ou menos afinidade com certos NPC’s como Jennifer (que foi o meu caso) ou Gray, os quais estão espalhados pelos diferentes pontos de interesse da cidade. Aqui temos desde uma loja generalista, a um posto médico, e até a uma igreja. Apesar de pequena, Mineral Town consegue ser bastante compacta, sendo cada parte do mapa importante e necessária para executar determinadas tarefas ou ações.

Para além da parte de gerir a quinta, em termos de plantações e/ou animais que tenhamos lá. Há também a questão da mineração, a qual se torna um aspecto crucial, caso se queira produzir ferramentas com melhor qualidade e eficiência (um pouco como Minecraft). Adicionalmente, podem também pescar e cozinhar determinadas refeições. Refiro ainda, que a casa do protagonista, pode ser transformada ao vosso gosto, através da escolha de mobílias, entre outras coisas.

Outra funcionalidade que o jogo faz questão de chamar à nossa atenção (e que chega a incomodar) durante a nossa estadia na Mineral Town, refere-se aos eventos. Estes acontecem sob a lógica do sistema de horários, como referi, onde determinados dias serão dedicados a determinados eventos, seja desde corridas de cavalos, a aniversários de NPC’s. Devo dizer que não fui muito adepto desta funcionalidade, pois ou estava ocupado a fazer outra coisa, ou simplesmente a temática do evento em questão não me cativou o suficiente, para ter vontade de participar tantas vezes.

Voltando às personagens que habitam a cidade, a nossa personagem pode desenvolver um laço de tal forma poderoso com estas (no caso de serem do género oposto) que resultará num casamento. Porém, apesar de à primeira vista parecer um sistema denso e complexo, este assemelha-se mais àquele visto nos jogos mais recentes de Fire Emblem. Ainda assim para quem este sistema cativar, pode ser um bónus a mais, na ligação que têm com determinadas personagens.

Apesar de tudo o que falei até agora sobre Story Of Seasons: Friends Of Mineral Town devo admitir que não sou, ou melhor, já não sou o maior fã deste género de jogos. Objetivamente, é um título com bastantes coisas por onde tocar, cuja longevidade varia consoante o nosso investimento com este último. Contudo, ao fim de um tempo, torna-se claro todas as opções que temos ao nosso dispor para fazermos, caso o queiramos. E portanto, acaba por tornar-se monotónas e por vezes, previsíveis as nossas ações (consoante o horário e/ou necessidades da nossa quinta).

A banda sonora está ajustada ao tipo de jogo e condiz com a estética e gameplay que Friends Of Mineral Town apresenta. Apesar disso, não chega a surpreender, sendo, a título de exemplo, Animal Crossing: New Horizons, um jogo que trabalha alguns dos seus aspectos de forma melhor e com maior complexidade. Ainda assim, há que reconhecer, que enquanto remake de um jogo de 2003, foi feito um bom trabalho por parte da produtora Marvelous.

Por oposição, a personagem que controlamos gasta energia por cada ação mínima que possamos fazer, e caso a nossa barra de energia chegue ao fim, a nossa  personagem desmaia, e posteriormente acorda num hospital. Esta mecânica induzida no gameplay, tornou a minha experiência dolorosa e aborrecida, pois muitas vezes tinha de parar o que estava a fazer, para dormir, uma vez que só assim, a nossa barra de energia voltava ao normal. Tornou a progressão da minha quinta, num processo demorado e entediante.

Somado à repetitividade que já aqui falei, Friends Of Mineral Town é um jogo que apenas consigo recomendar aos fãs deste género, pois serão estes os que mais conseguirão investir e apegar-se à quinta, e respectivas personagens e relações com os NPC’s. Enquanto remake faz um ótimo trabalho em trazer a essência do original para a Nintendo Switch, com gráficos melhorados e novas funcionalidades. Contudo, enquanto experiência isolada, devo dizer que é daqueles títulos que muito provavelmente só os apreciadores se irão sentir verdadeiramente satisfeitos.

Positivo:

  • Bastantes opções de customização;
  • Funcionalidades adaptadas às decisões de cada jogador;
  • Remake bem conseguido;
  • Simplicidade do gameplay

Negativo:

  • …que torna a experiência previsível;
  • Torna-se repetitivo rapidamente;
  • A funcionalidade da barra de energia limita as nossas ações drasticamente;
  • Apenas aconselhável aos apreciadores deste género;

 

João Luzio
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