Análise – Lost Judgment

Apesar de Judgment ter sido lançado recentemente no seu formato Remaster para as consolas da nova geração, a verdade é que o primeiro jogo já soma mais de dois anos de existência e tendo em conta a viragem da série Yakuza para os RPG, a sequela do estilo mais clássico tinha de existir e estar em produção.

Para Lost Judgment a SEGA meteu o pé no acelerador e trouxe o jogo para o ocidente quase ao mesmo tempo que o Japão, o que comprova que esta série está mais do que estabelecida no ocidente. No entantanto Judgment ainda tem grandes sapatos para preencher antes de se afirmar como sucessor digno das origens.

Para isso, o estúdio Ryu Ga Gotoku resolveu manter Lost Judgment muito parecido com o original, tentando aprimorar algumas mecânicas e tentando evitar criar momentos de frustração e repetição que já assolavam o primeiro. Especialmente em partes mais avançadas. Ou seja, Lost Judgment é metade Yakuza e metade jogo de detectives.

Apesar de ter uma boa história e um enredo interessante, parece que tudo demora um bocado a arrancar, especialmente com o jogo a ter de nos ensinar como jogar antes de nos atirar para situações mais avançadas. No entanto, os tutoriais são recorrentes e mesmo depois daquilo que parece o tutorial, teimam em regressar sempre que somos introduzidos a algo novo.

Como detectives, temos de fazer vários tipos de investigação, como seguir suspeitos sem dar muito nas vistas, procurar por pistas, perceber quais os melhores caminhos para infiltrar alguma localização, juntar peças para perceber quais os motivos ou alibis dos culpados e até correr atrás dos criminosos quando estes se sentem confiantes o suficiente para pensar que escapam.

Claro que ao bom estilo dos jogos desta saga, quando a coisa não sai bem, então temos de andar a pancada com as pessoas que se atrevem a desafiar a nossa personagem. Os combates decorrem em pequenas arenas e podemos usar tudo aquilo que temos à disposição, sejam os punhos, pontapés, habilidades especiais, objectos e até os próprios inimigos. O combate continua divertido como sempre e por vezes até gostava que fosse mais frequente. Yagami também pode aprender novos truques e habilidades ao longo do jogo, mas não é algo que se aproxime ainda de um RPG a sério.

Além do regresso da cidade de Kamurocho, agora podemos levar Yagami a visitar Isezaki Ijincho, uma zona nova com mais coisas para fazer e localizações para visitar. Existe também a possibilidade de fazer parte de clubes com actividades tão distintas como a dança, robótica e resolução de mistérios. A maioria dos segmentos da escola levam também até história e missões alternativas. No topo de tudo isto, Lost Judgment ainda nos permite investigar pistas com a companhia de um cão Shiba Inu, que como podem imaginar, um cão detective não podia ser mais adorável. Além disso, podem passear o cão pelas ruas, o que é algo que o torna imediatamente num GOTY.

Claro que existem uma data de coisas para fazer alternativas no mundo do jogo, desde os mini-jogos de ritmo, boxe, skate e como sempre, emuladores de jogos antigos da SEGA. Por isso como tenho boas memórias de Alex Kidd da Master System, gastei quase uma hora inteira de jogo a revisitar este clássico. Estes extras e distrações fazem com que a longevidade aumente de forma brutal, ainda para mais se quiserem visitar a nova zona, afinal, esta foi recriada da localização real, o que é o mais próximo de fazer uma visita ao Japão sem lá estar.

Visualmente, Lost Judgment é bastante forte. Os modelos das personagens são bons e detalhados, com destaque para as personagens principais como seria de esperar. As ruas da cidade também são impressionantes e mostram muita vida. Tenho pena que alguns movimentos das personagens sejam mais robóticos e que alguns dos diálogos sejam feitos ao estilo Visual Novel quando podiam fazer cinemáticas com o motor de jogo.

A banda sonora é bastante apropriada, mas não é algo que me tenha ficado na memória. Por outro lado, tanto as vozes em inglês como japonês são óptimas, embora tenha jogado o em inglês tal como fiz com o primeiro. A localização está bastante bem feita e mesmo que alguns actores possam fazer alguma personagem secundária de forma mais exagerada ou satirizada, não destoa dentro do tom cómico que o jogo consegue assumir quando está a fugir ao centro mais negro da narrativa.

Lost Judgment é exactamente aquilo que é pedido de um jogo que saiu da série Yakuza. É altamente competente, bastante sólido e acabou por conseguir diluir um pouco alguns dos problemas de repetição ou frustração do primeiro. Com isto abriu também espaço para uma história mais forte, mas que demora a arrancar e faz-se sempre acompanhar de dezenas de quebras para ler tutoriais.

Se gostaram do primeiro jogo, vão adorar Lost Judgment. Não é exactamente uma sequela esmagadora, mas é um jogo que vale a pena jogar se gostaram do que destaquei nesta análise.

Positivo:

  • Muito para fazer
  • Cidades parecem vivas
  • Boa história
  • Sistemas de detective menos maçudos
  • Boa localização
  • Ranpo o Shiba Inu detective

Negativo:

  • Demora a arrancar
  • Algumas técnicas que se repetem
  • Diálogos ao formato visual novel
  • Movimentações robóticas

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