Análise – Godzilla Vs Kong

Hoje em dia, o que não falta são universos partilhados de filmes ou séries, de todos os tamanhos e feitios. E claro que no auge da era dos Blockbusters no cinema, a Warner Bros tentou puxar mais uma cartada para a mesa. Assim passados mais de seis anos após a estreia de Godzilla (2014), que deu origem ao Monsterverse da Warner Bros, chega por fim o grande desfecho, através de Godzilla Vs Kong. Juntamente com a Legendary Entertainment, todo este projecto tinha em mente unir várias criaturas gigantescas nas grandes telas do cinema, conhecidas no Japão como Kaiju’s, que culminaram em quatro filmes distintos, sendo que é na personagem de Godzilla onde recai grande parte do protagonismo.

Como era de esperar, e embora se trate de uma história com início, meio e fim, o grande chamariz aqui, é mesmo ver estes  dois monstros em ação e na sua interação com o mundo em redor. E Godzilla Vs Kong entrega isso mesmo, o título não podia ser mais adequado, pois estes dois titãs têm bastante tempo de antena, durante todo o filme, incluindo no que toca às cenas de confronto propriamente ditas. Por outro lado, o principal problema aqui (que também estava presente nos outros filmes) é a parte dos humanos. Mesmo com um orçamento de peso e com acesso a tecnologia de ponta (ex. CGI), são várias as sub-plots com personagens humanas que deixam muito a desejar , seja com personagens já conhecidas, como até de novatos, como Bernie Hayes (Brian Tyree Henry).

Neste aspecto voltam as personagens como a Dr. Ilene Andrews (Rebecca Hall), Madison Russel (Millie  Boddy Brown) e Mark Russel (Kyle Chandler). Muita da sua contribuição na história, é complementar com o enredo dos filmes anteriores, mas pouco aqui, sendo que alguns dos arcos de personagens são terminados de forma abrupta, apesar de outros ficarem em aberto. É evidente, que estas situações servem apenas para preencher o tempo de duração do filme, entre cada vez que Godzilla ou Kong estão em cena juntos. Torna-se mesmo difícil nutrir qualquer tipo de empatia ou afeição por estas personagens humanas, quando claramente não são elas o foco e o coração do filme. Mas de qualquer maneira destaco a personagem de Bernie Hayes, que achei uma adição interessante, uma vez que contribui verdadeiramente para avançar a história em diante, como até tem alguns momentos cómicos certeiros.

Pondo isto de parte, no que toca aos verdadeiros astros da história, ambos estão bastante ajustados, levando em conta aquilo que havia sido construído antes, tanto em Godzilla (2014) e Godzilla: King Of The Monsters (2019) como em Kong: Skull Island (2017). Diria que é Kong (ou King Kong)que mais sai valorizado em ter tido um filme solo, pois aqui a direção escolhida pelo director, Adam Wingard, é tendenciosa para o lado deste monstro. Em alternativa, Godzilla já com duas presenças fortes anteriormente, acaba por receber menos tempo de antena, em relação a Kong, o que é compreensível, mas de qualquer forma justa. A banda sonora revela ser adequada em alguns momentos de maior adrenalina, nomeadamente mais perto do final, embora no restante tempo, seja aceitável e sem grande destaque.

Ao nível de visual, o CGI é um dos pontos altos, é mesmo impecável, pois além de fluir bastante bem entre mudança de cenas, os próprios detalhes e características dos monstros estão no seu auge máximo. Quanto às batalhas propriamente ditas, estas são também beneficiadas pelo elevado nível de qualidade dos efeitos especiais, que permitem colocar Kong e Godzilla com naturalidade num mundo realista. Sem contar que Adam Wingard, ao contrário da grande parte de produções semelhantes, não tem medo em mostrar em planos abertos, todo o tamanho e aspecto destes monstros, sem necessidade de recorrer a cortes abruptos.

Uma das coisas que gostei, em específico, foi a variedade de géneros presentes: Desde a ficção científica ao thriller conspiratório, que Godzilla Vs Kong consegue juntar, harmonicamente, estes géneros, até de forma criativa, mas que para evitar spoilers, evitarei não ir muito mais a fundo do que isto. Ainda assim, este aspecto causa o prolongamento, não necessário da história, sendo que poderia ter à vontade muito menos tempo. Há também espaço para supresas que muitos fãs já esperavam,  e até mesmo para quem apenas quer ver o filme pelas cenas de ação vai sair satisfeito. O que em última instância, acaba por replicar muitos pontos que Batman Vs Superman (2o16), também da Warner Bros, aborda.

Este é claramente daqueles casos, onde ação e as lutas entre Kong contra Godzilla são a base do filme e o elemento que vai trazer grande parte do público para assisti-lo. Para muitos ver os filmes como este pode ser um guilty plessure, para outros como eu, é simplesmente aproveitar o espectáculo visual que, o confronto entre Godzilla Vs Kong pode providenciar. Pondo os elementos secundários de parte, esta seria uma experiência melhor, no entanto, não é o que acontece, torna-se assim algo mais do mesmo, e apenas decente. Se estão há procura de cenas de ação bem trabalhadas e gostam de ambas estas personagens, é um filme totalmente recomendável, contudo, se não ficaram interessados por este premissa e/ou não são fãs dos outros filmes, podem colocar este de parte.

Positivo:

  • Presença do confronto entre Godzilla e Kong;
  • Director cumpre com o propósito final do filme;
  • Execução das cenas de ação;
  • Efeitos especiais de louvar;
  • Algumas surpresas pelo meio;

Negativo:

  • História extremamente simples;
  • Personagens humanas desinteressantes e pouco desenvolvidas;
  • Desfecho muito previsível e aquém do esperado;
  • Drama humano ocupa uma grande fatia da narrativa;
  • Oportunidade desperdiçada para concluir a história do Monsterverse;

João Luzio
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