Análise – Final Fantasy VII: Advent Children

A recente euforia que foi o lançamento de Final Fantasy VII Remake trouxe à memória um filme que conta os eventos logo após o jogo original do mesmo nome. Portanto, nada de melhor do que recordar novamente (ou pela primeira vez), Final Fantasy VII: Advent Children, de 2005.

O filme pretende ser uma continuação fiel dos acontecimentos do jogo original.  Por isso é natural, que para a total compreensão desta obra, seja necessário ter previamente o conhecimento da história do seu antecessor. Sem esta, torna-se praticamente impossível acompanhar a narrativa e por consequência, aproveitar o filme. Apesar do filme ter saído originalmente em 2005, a versão escolhida desta análise é a Complete Edition, de 2009, a qual inclui cerca de 25 minutos extra de conteúdo, nomeadamente em termos de desenvolvimento de personagens.

Final Fantasy VII: Advent Children sendo uma sequela, este conta com a presença dos já veteranos para os fãs, Cloud Strife, Tifa, Barret, Reno, Rude, Vincent, Cid e Rufus. Contudo, nem todos têm o  tempo de antena merecido, levando em conta a sua participação no jogo. Ainda assim, aquando da sua presença esta consegue entreter suficientemente e resumir as características principais que definem a sua personalidade.

Ainda neste aspecto, é Cloud, o protagonista, que recebe o maior desenvolvimento ao longo do filme. Cloud ainda se sente atormentado pela visões de Aerith, as quais estão presentes no decorrer de todo o filme. E ainda vive com o peso que as suas acções do passado se reflectem no presente, nomeadamente devido à destruição de Midgar.

Quanto à história esta passa-se dois anos após os acontecimentos de Final Fantasy VII, onde a cidade e os seus habitantes ainda estão a recuperar dos danos que Sephiroth causou. Neste seguimento é-nos introduzido três personagens, Kadaj, Yazoo e Loz, uma espécie de clones de Sephiroth, que o idolatram e que pretendem continuar à procura de Jenova e também na reconstrução da Reunion.

Além disso a vida no planeta é ameaçada pela Geostigma, uma doença causada pela absorção de Jenova Cells no Lifestream (a energia do planeta). Esta condição provoca na pessoa dores constantes, as quais levam eventualmente à sua morte. Assim Cloud e os seus companheiros tentam descobrir o mistério por detrás desta doença e também na premonição da ressurreição de Sephiroth.

Apesar do filme já ter mais de dez anos, este resiste à passagem do tempo, no que toca à qualidade da animação. Caso não soubesse que o filme já era antigo muitas vezes teria acreditado que estaria a ver uma obra recente. Neste requisito o filme consegue manter-se actual e até surpreender visualmente. No entanto, apesar da obra ser de 2005, a palete de cores escolhida podia ter sido repensada. Uma vez que como a acção se passa maioritariamente nos destroços de Midgar, esta acaba por ter uma coloração bastante densa e escura, chegando a ser cansativo e mórbido de ver.

Quanto à banda sonora, esta faz, sem sombra de dúvida, jus ao videojogo de mesmo nome. Várias são as faixas tocadas ao longo do filme, sob outros tipo de arrangement, que nos fazem realmente sentir dentro do universo de Final Fantasy. Em especial deixo a menção à battle theme que é tocada em piano. Por falar nisso, também diversos são os easter eggs referentes a este grandioso universo, seja desde as faixas musicais, como já referi, até a diálogos e objectos que vão aparecendo. É uma boa maneira de fazer homenagem a tudo o que lhe antecede.

Apesar destes factores positivos, não posso dizer o mesmo em relação à estrutura da história. Esta muitas vezes parece uma espécie de junção forçada de várias cenas, parecendo quase como os intervalos entre as cutscenes de um jogo e o seu gameplay. O que para um filme, não é propriamente o melhor sistema de disposição. Complementarmente, Final Fantasy VII: Advent Children tem igualmente um mau pacing, entre os diversos actos da narrativa, especialmente entre o acto II e o acto III. Pois passamos rapidamente entre a construção de uma cena que nos permite respirar entre as cenas de acção, para subitamente se chegar ao clímax, sem grande build-up prévio.

Acrescento ainda outro aspecto, a meu ver indiscutível, que é a qualidade das cenas de acção. Estas vão além até do que aquilo que é esperado para um videojogo, são muito bem feitas, e cheias de adrenalina, que deixarão qualquer um preso à cadeira. Aliadas ao carisma das personagens e às faixas musicais que as acompanham, estas tornam-se um verdadeiro banquete para qualquer fã de Final Fantasy, sobretudo aquelas presentes nas batalhas perto do final.

Mesmo assim, não senti que o guião fez um grande esforço para surpreender em termos de narrativa. Seguiu aquela estrutura compreensível, já conhecida, do bem contra o mal, sem grandes revelações pelo meio. Questão esta que poderia ter sido aprimorada, para acrescentar ali um elemento extra à obra, e não ir simplesmente pelo caminho mais seguro e previsível.

Em forma de conclusão, Final Fantasy VII: Advent Children é capaz de pegar na obra original e dar-lhe uma continuação merecida, que faz jus ao sucesso que foi o jogo homólogo. Não obstante, reitero que só recomendo o filme a quem estiver bem familiarizado com a história e universo de Final Fantasy VII, pois sem esta base, irá se tornar bastante difícil (senão impossível) acompanhar passo a passo, as questões que estão a ser abordadas. Já os fãs ou conhecedores da obra conseguiram reter todas as referências e callbacks que o filme continuamente faz, ao RPG de maior sucesso da PS1, que marcou gerações.

Positivo:

  • História;
  • Referências ao universo de Final Fantasy e ao jogo homólogo;
  • Banda sonora;
  • Desenvolvimento de Cloud;
  • Cenas de acção;
  • Qualidade da animação aceitável;
  • Faz jus a Final Fantasy VII;

Negativo:

  • Estrutura entre os diferentes actos mal executada;
  • Clímax prematuro;
  • Personagens secundárias deixadas de lado;
  • Palete de cores escolhidas;
  • Sem grandes surpresas;
  • Apenas recomendável aos fãs;

 

João Luzio
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