Análise: Filomena – Philomena

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Para este ano, a Academia de Hollywood escolheu um naipe peculiar de candidatos ao Óscar de Melhor Filme do AnoGolpada Americana, Capitão Philips, O Clube de Dallas, 12 Anos EscravoO Lobo de Wall Street e Philomena, estes filmes são inspiradas em factos reais.

Philomena é o representante europeu deste ano, cum uma produção à responsabilidade da BBC Films e da Pathé (França), sucedendo a Amour (de Michael Haneke), o candidato do ano transacto.

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Filomena narra a história de… Philomena (interpretada por Judi Dench), uma mulher amargurada pelo tempo, que perdeu a custódia do filho ainda recém-nascido. Volvidos cinquenta anos, recorre a Martin Sixsmith (interpretado por Steve Coogan), um ex-jornalista que anda à procura de uma história especial, para encontrar o paradeiro do filho.

Tirando a superestrela Judi Dench, o elenco de Philomena é modesto, contudo, há bastante qualidade. Steve Coogan concebe um personagem fantástico, ultra credível, com requintes de má-educação desculpável. A quase desconhecida Sophie Kennedy Clark (interpreta a jovem Philomena) consegue arrancar lágrimas ao espectador, com uma interpretação emotiva e sentida, enquanto Barbara Jefford, interpreta Irmã Hildegarde, impõe respeito na pele de uma pessoa devota.

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Existe uma geração formidável de novos realizadores britânicos: Edgar Wright, Tom Hooper e… Stephen Frears. O realizador de The Queen, estabelece uma realização académica em Philomena, sem aventuras no domínio dos movimentos de camera, ou enquadramentos inesperados. Grandes planos nos momentos de maior intensidade dramática, e planos gerais nos momentos de perda e solidão. Básico, mas eficiente.

Nos restantes domínios técnicos, há a salientar uma fantástica captação sonora, limpinha e imaculada, a edição das sequências entre enquadramentos e eventos está sem “gordura” (exemplo do aeroporto), e a direcção de fotografia ajusta-se às necessidades.

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À primeira vista Philomena engana, tudo apontava para uma história de “faca e alguidar”, mas há um factor importante a ter em conta: é uma longa-metragem realizada por craques da Sétima Arte. Evidentemente que a experiencia cinematográfica vária consoante a vivência do espectador, mas Philomena acerta em cheio no grau de emotividade, descomplica no exercício de colocar-nos no lugar dos personagens, pincela aqui e acolá com humor inteligente, e os momentos mais importantes encaixarem de forma lógica. É óptimo quando a narrativa evolui sem a magia da coincidência.

Todavia, há decisões em redor da história que podem ditar diferentes apreciações: a forma como a religião é retratada pode ferir susceptibilidades; os personagens principais desempenham o arco do personagem no sentido inverso (um procura a consolidação social, enquanto o outro procura a consolidação psicológica); a história não altera a vida dos personagens de forma inequívoca e transcende; o clímax é o apogeu de ideais, o que pode frustrar os espectadores que preferem personagens construídos nas acções, e menos na palavra.

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Positivo

  • Steve Coogan, argumentista e actor, desenvolveu um personagem adoravelmente prepotente
  • Cenas emotivas seguidas de frases cómicas
  • Contraponto entre ateísmo e religião
  • Citação de T.S. Eliot

 

Negativo

  • Judi Dench não chega a brilhar
  • Viagens de carro
  • A história tem mais impacto nos personagens do que os personagens têm impacto na história

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