Análise – Extraction

Durante muito tempo os filmes do género de acção tem sido associados, a uma qualidade mediana, daquele tipo de filmes que passa ao domingo à tarde na televisão. Contudo, nos últimos tempos, produções como a trilogia de John Wick ou os filmes da saga Kingsman, mudaram para melhor este panorama. Bem, infelizmente, Extraction não é um deles.

O filme em questão, dirigido por Sam Hargrave e produzido por Joe Russo, tem tido bastante protagonismo, recentemente, com a sua chegada exclusiva à Netflix. Contudo, a meu ver, não é propriamente justificável, desta maneira, ao longo da análise, tentarei explicar o porquê. Extraction, como referi, é um filme de acção, protagonizado por Chris Hemsworth, o qual foi o chamariz principal da campanha de marketing deste filme. Facto este que é compreensível, pois de entre os pontos negativos no filme, a interpretação do ator é sem dúvida, um contraste, para melhor em relação aos outros elementos que a produção apresenta.

A história é relativamente simples, e serve quase como pano de fundo para justificar as cenas de acção. Esta gira em torno, de Tyler Rake (Chris Hemsworth), um mercenário, que é recrutado para resgatar Ovi Mahajan (Rudhraksh Jaiswal), filho de um dos maiores traficantes de drogas da Índia. Rapto este tem como origem, uma rivalidade antiga entre gangues de tráfico de droga, nomeadamente entre a gangue da Índia e a gangue do Bangladesh, chefiada por Amir Asif (Priyanshu Painyuli), que é quem ordena o rapto de Ovi.

Seguindo esta premissa, a narrativa é toda ela executada num estilo non-stop do início ao fim, com cenas de acção atrás de cenas de acção, com mais cenas de acção. O que não é totalmente mau, pois claramente, a grande fatia do investimento do filme, foi neste sentido. Com cenas bem coreografadas e dirigidas, cheias de adrenalina, que nos deixam presos à cadeira. Porém, lá para o meio do filme, deixa de ser impressionante, pois a exposição deste elemento é de tal forma constante, que ao fim de um tempo, faz perder a áurea de interesse e investimento por parte do espectador.

Ainda assim, nos poucos momentos em que o filme pára para respirar. Este consegue entregar algum bons desenvolvimentos de personagens, como é o caso da relação entre Tyler e Ovi, que mesmo sendo estranhos um para o outro, acabam por ganhar alguma proximidade ao longo do filme. Ainda assim deixa a desejar por mais. Há também o relacionamento entre Tyler e um antigo colega mercenário, Gaspar (David Harbour), que faz parte de um dos momentos impactantes do filme.

Extraction passa-se praticamente todo em Dhaka, local onde Ovi está aprisionado. Neste seguimento a ambientação da série neste requisito é notável, desde os vestuários, aos adereços, que a cidade parece ter vida própria, não sendo apenas um típico cenário de um estúdio. Portanto, todas as cenas de acção têm muito a ganhar com isto, pois são envolvidas numa ambientação cuidada, que traz mais brilho para as cenas de tiroteiros e combates, não transparecendo ser totalmente distantes do universo apresentado.

As personagens do filme não se destacam de todo, tirando as exceções do protagonista e da rápida presença de Gaspar, que são os únicos atores ocidentais escolhidos. Todo o restante elenco é trazido dos estúdios de Bollywood, o que explica o tal problema das personagens não se destacarem. Porque muito do carisma das personagens, é carregado às custas dos atores que as interpretam. O que ao longo do filme, parece crer que os próprios atores não estavam bem acostumados a este género de filme, fazendo-os transmitir a sensação de que algo que ali está a ser apresentado, não está no sítio correcto.

No final da experiência de Extraction, esta consegue-nos entreter, visualmente, até ao seu clímax. Todavia, e apesar das cenas de acção e da prestação de Chris Hemsworth, os restantes elementos não conseguem fazer frente à fraca tentativa de nos interessar pelas personagens ou pela estrutura simples que o guião segue, do início ao fim. Portanto, Extraction é daqueles que filmes que no máximo se assiste uma vez, acabando por ser esquecido com o tempo, comparado a outros filmes, até recentes, do mesmo género.

Positivo:

  • Cenas acção;
  • Coreografias bem executadas;
  • Ambientação credível;
  • Prestação de Chris Hemsworth;

Negativo:

  • Personagens secundárias;
  • História linear;
  • Pouco desenvolvimento das personagens;
  • Interpretação de alguns atores;
  • Premissa principal simples demais;
  • Fica aquém dos restantes filmes do mesmo género;
  • Vilão principal deixa muito a desejar;

 

João Luzio
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