Análise – Dragon’s Dogma: Dark Arisen

Se olharmos bem para a história da Capcom, o género RPG nunca foi dos mais adoptados pela companhia, mas quando assim foi, foram criados alguns dos jogos mais memoráveis, como é o caso da série Breath of Fire por exemplo. A mais recente aposta da companhia centra-se no ambicioso Dragon’s Dogma que foi lançado no passado de mês, e que regressa este ano numa edição especial que pretende dar uma nova chance ao jogo com umas pequenas melhorias no geral e novo conteúdo para podermos pôr à prova a nossa personagem.

Dragon’s Dogma conta a história interessante de um rapaz que vê a sua aldeia ser atacada por um dragão enorme. Numa tentativa corajosa, junta-se aos aldeões para tentar fazer frente a este monstro, acabando apenas por sair derrotado. Ficando à sua mercê, a nossa personagem vê o seu coração ser arrancado e consumido pelo dragão, acabando por ressuscitar misteriosamente como o “Arisen”, um herói que precisa de matar este monstro perigoso. Enredo algo parecido com o do filme Dragonheart lançado em 1996, e só isso foi o suficiente para me chamar rapidamente à atenção.

Na sua essência um RPG, Dragon’s Dogma é um típico RPG de mundo aberto que podemos ver nesta geração como Skyrim. A região de Gransys será o pano de fundo desta aventura e irá oferecer uma extensão de terreno suficiente para pintarmos a nossa aventura, que apesar de não ser tão grande quando comparado com outros jogos, serve perfeitamente. Cheio de fortalezas, aldeias, florestas ou ruínas, esta bela zona está também munida de inúmeros perigos, desde goblins que atacam em grupo, lobos e até bandidos. O perigo de vaguear livremente aumenta exponencialmente durante a noite pelo simples facto da visibilidade ser altamente reduzida, existirem mortos-vivos e a nossa fuga ficar bem mais difícil por essas mesmas razões.

O sistema de combate funciona naturalmente e a habituação é feita rapidamente. Para além de termos vários tipos de ataques e algumas habilidades que podemos desbloquear pelo caminho, um dos pontos mais fortes centra-se no sistema de trepa de inimigos maiores. Com o simples carregar de um botão, podemos agarrar-nos e trepar inimigos maiores para acertar em zonas mais críticas – fez-me lembrar muito o mítico Shadow of the Colossus – e os inimigos irão reagir com abanões e outros ataques. Terão também ataques especiais consoante a vossa classe por isso preparem-se para adoptar um estilo de combate que encaixe com a vossa classe.

Os combates são um factor muito importante neste jogo porque irá afastar ou deixar alguns jogadores frustrados. Dragon’s Dogma é um jogo que inicialmente é difícil e não se trata da curva de aprendizagem nem nada de semelhante, simplesmente é um jogo que no início possui pequenos desequilíbrios na mecânica de combate que irão por-nos com os nervos à flor da pele. A fraqueza da nossa personagem fará com que comecemos a morrer vezes e vezes sem conta com inimigos que até parecem fáceis e em zonas que não são assim muito remotas.

Felizmente, nada que um bocadinho de persistência e paciência não ajudem a ultrapassar. Existem várias lojas que compram, produzem e melhoram armas em todo o lado, por isso equipem-se o melhor que puderem e com o dinheiro que conseguirem angariar. Rapidamente irão fazer o “click” e o jogo encarrila para uma aventura inesquecível.

Ser o Arisen não quer dizer que iremos apenas ter a tarefa de salvar tudo e todos, também iremos ter habilidades especiais. Mais importante de tudo é o facto de podermos invocar Pawns. O que são Pawns? São outros NPCs – até três – que andam connosco para todo o lado e auxiliam-nos em combate. A Capcom desenvolveu um sistema interessante de recruta destes Pawns, onde poderemos criar os nossos e disponibiliza-los para que outros jogadores online os usem, e vice-versa. Nem todos os Pawns estão ao nosso alcance, sendo necessário um determinado número de pontos específicos para podermos invocar a sua ajuda.

O número de missões que iremos desempenhar durante o jogo é elevado e a variedade consegue manter-nos interessado até ao final, mas o mesmo já não poderemos dizer acerca das missões extra. Mais conhecidas como side-quests, estas missões poderão ser desbloqueadas a partir de placards nas cidades ou falando com os aldeões, mas enquanto um pequeno número delas conseguem manter-nos agarrados, outras são extremamente aborrecidas.

Tal como muitos RPGs com mundo aberto, as horas de divertimento e aventura são imensos e com Dragon’s Dogma não vamos ficar defraudados. Nesta versão Dark Arisen vamos ter novas adições técnicas como um sistema de saves melhor, texturas mais apuradas, mas o destaque vai para o conteúdo, no qual iremos ter novas armas, missões, sistema de fast-travel, mas também uma ilha nova de nome Bitterblack Isle.

No que toca a apresentação, Dragon’s Dogma é um jogo bastante bonito de se ver, mas padece de algum cuidado técnico e de alguns sacrifícios necessários. De certo que alguns aspectos como o detalhes nas nossas armaduras ou efeito de desfoque durante a noite dão um certo realismo, mas  problemas como screen tearing, texturas continuarem fracas e o constante pop-up de objectos e personagens a uma distância de poucos metros mostram o ponto fraco deste jogo nesse patamar.

A sonoplastia é espectacular desde à banda sonora épica que complementa cada situação do jogo até aos pequenos efeitos de som como gritos dos inimigos, colidir de espadas, mas irritou-me profundamente as falas dos Pawns. O mais pequeno acontecimento ou o chegar a uma zona que estamos fartos de visitar dá aso a que cada um dos Pawns diga qualquer coisa em simultâneo e isto fez-me agradecer a existência de uma barra nas opções que se chama “falas das personagens”.

Dragon’s Dogma é um jogo que oferece alguns trunfos ao modelo que existia de RPGs com mundo aberto e transporta-nos para uma aventura aliciante, difícil de digerir a início, mas que no fundo é uma experiência bastante gratificante. Os pontos negativos deste jogo poderão afastar os mais minuciosos e menos pacientes, mas não afectam aquilo que é uma aventura a não perder.

Positivo:

  • Uma aventura bastante épica
  • Estória cativante com um findar muito bom
  • Sistema fast-travel ajuda
  • Combate com possibilidade de trepar inimigos bem conseguido
  • Bitterblack Isle

Negativo:

  • Bastantes missões extra aborrecidas
  • Alguns problémas técnicos
  • Falas demasiado repetitivas

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Majinalex

“Falas demasiado repetitivas” É a vida , os que uns têm a mais, outros têm a menos…BTW excelente analise ainda n joguei este épico porque o orçamento n dá pa tudo…

Silver4000

Hehe, e as falas foram reduzidas nesta versão XD
Eu espero que o meu chegue amanhã, embora so poderei jogar a partir de Agosto, jà que é prenda de aniversàrio.

Està um RPG bem bom.

Kaiser

Quanto óptimos RPG’s eu ando a perder, na altura do primeiro joguei a demo mas nunca pensei sequer comprá-lo. Boa análise Lemos, convenceste-me definitivamente a jogar esta série!

Eu mesmo

jogo lindu… tava sem internet a pouco tempo, fui relembrar esse jogo que me marcou tanto por ser um dos primeiros que joguei com meu Xbox 360…… Lindeza de jogo, msm sabendo apenas o básico do inglês na época, quase chorei no final xD

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