A Larian Studios tem uma história interessante para contar depois do lançamento de Divinity: Original Sin. O estúdio foi fundado em 1996 e apesar de ter feito alguns jogos com vários nomes, a série Divinity passou a ser “a menina dos olhos de ouro” para o estúdio belga. A marca sempre foi conhecida como RPG por turnos, mas as publicadoras tinham outras ideias quando a esta aposta, forçando o estúdio a produzir jogos mais ao género de acção.
O estúdio virou-se então para o Kickstarter no que toca ao financiamento do jogo, sendo que na campanha que eles lançaram já deu a entender que o jogo estaria numa fase avançada de produção. Fugindo um pouco das publicadoras que queriam uma nova direcção à série, será este jogo uma chapada de luva branca?

A premissa deste jogo começa com os dois heróis que iremos criar para esta aventura. Ambas as personagens são conhecidas como Source Hunters. Source é uma magia que é usada para a prática do mal e os nossos heróis têm como tarefa impedir que esta se espalhe e impedir o seu uso.
Tal como acontece como muitos RPGs com mundo aberto, teremos então as missões principais que irão dar seguimento à estória, pelo que esta será acompanhada pelas muito conhecidas side-quests que iremos desbloquear ao longo do caminho. Apesar de ter um começo um pouco críptico, a estória começa a ficar mais reveladora consoante o tempo e o número de missões extra são inúmeras.

A Larian Studios não poupou no que toca a missões extra, sejam elas simples ou mais complexas. Grande parte delas baseiam-se em problemas individuais dos NPCs, mas existem outras que tomam contornos ainda maiores e envolvem muito mais gente neste jogo. É simplesmente uma quantidade bem positiva de missões extra. Neste ponto, o jogo só peca pelo início um pouco aborrecido.
No que toca à progressão é necessário ter alguma paciência para evoluir as nossas personagens pelo que os jogadores terão que ter cuidado no que toca a zonas para ganhar experiência. Este jogo fez-me lembrar um pouco Dragon Quest para a NES, onde cada parte da zona Cyseal – por exemplo – tem inimigos de um nível em particular. Rapidamente percebemos onde podemos vaguear e os zonas que representam perigo.http://youtu.be/Mea7Pa3rhJU
Curiosamente, o jogo obriga-nos a explorar ao máximo, visto que existem muitas missões que requerem a deslocação para zonas que consideramos perigosas, e isso é um aspecto positivo. O jogo de uma certa forma ensina-nos a ter coragem e a enfrentar os perigos que nos deparamos.
Divinity: Original Sin é um RPG com combate por turnos que oferece um sistema de comportamento do ambiente que nos rodeia bastante profundo. A mecânica de combate não está firmemente cingida em atacar os inimigos à vez, havendo elementos que tornam combates únicos. Ataques de fogo não terão grande efeito num cenário de chuva e poderemos testar outras maneiras de causar dano como usar fogo em veneno para criar uma enorme explosão.

Não deixa mesmo assim de por vezes ser um jogo difícil. Combates contra vários inimigos poderão levar ao extremo da nossa paciência. A insistência e a aposta em novas maneiras de abordar o combate poderão trazer sucesso e que só nos tornam mais fortes fisicamente e psicologicamente para o próximo combate.
A Larian Studios apostou e conseguiu em grande na criação de um mundo rico. Existe muita coisa para fazer em Divinity: Original Sin e às vezes uma simples deslocação para completar uma missão poderá mostrar uma zona secreta ou um NPC simplesmente perdido.

O sistema de diálogos é bastante interessante. Cada conversa com um NPC é algo refrescante de se testemunhar, dado ao cuidado com que cada fala foi escrita, mas também da maneira como eles reagem às nossas opiniões. Interessante também é a possibilidade dos membros da nossa party falarem entre si, sendo nós mesmos a escolher o que cada um diz e os resultados poderão surpreender. Cuidado também com o que fazem ou dizem, pois haverão repercussões fortes consoante as nossas atitudes.
Apesar de não ser um jogo tecnicamente exuberante no que toca à apresentação, está bem equipado com vários argumentos de encher a vista. Para já o jogo aposta numa palete de cores que dá uma enorme vida ao mundo de Divinity: Original Sin, depois existe uma aposta em pormenores e efeitos que estão bem trabalhados. As actuações de voz encaixam muito bem com o estilo de personagem que tentam retratar, havendo situações onde conseguimos descobrir muito sobre a personagem sem conhece-la.

A Larian Studios teve aqui uma grande chance em mãos para voltar a apaixonar os fãs da série e conquistar novos, pelo que teve sucesso em ambas. Acho que esta aposta do estúdio em misturar o que havia feito no início com novos elementos e oferecer um jogo com bastante profundidade já está a gerar bons frutos.
Divinity: Original Sin é facilmente um dos melhores RPGs deste ano e o melhor que eu testei nestes nove meses que compõem o ano de 2014. É um jogo com muito conteúdo, diversão, personagens, algum drama e uma boa dose de consistência. Bom trabalho Larian Studios!
Positivo:
- RPG com profundo

- Inúmeras missões
- Progressão de jogo justa e equilibrada
- Mundo vasto
- Interacção entre personagens
- Sistema de combate desafiante
- Imersivo
Negativo:
- Missões com poucas ajudas podem ser um desafio para uns mas um desapontamento para outros
- Começo aborrecido
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