Análise – Day Of The Tentacle Remastered

De entre a enorme galeria de jogos clássicos que a LucasArts produziu na década de 90, a Double Fine pegou em alguns e decidiu fazer versões remastered destes, como foi o caso de Grim Fandango (1998) e de Full Throttle (1995). Outro jogo a ganhar uma versão remastered para a nova geração foi Day Of The Tentacle de 1993. Este jogo, tal como os seus contemporâneos, é do género de aventura e com um gameplay point-and-click.

Para além das evidentes melhorias gráficas, Day Of The Tentacle Remastered inclui aúdio remasterizado, várias artworks e ainda uma cópia completa do jogo, Maniac Mansion, que é possível ser jogado numa máquina de arcade no decorrer da aventura. Vale ressalvar que este último jogo é uma prequel de Day Of The Tentacle, logo a sua presença é mais que bem-vinda. Adicionalmente, está disponível uma opção que permite ouvir os comentários dos criadores, Tim Schafer e Dave Grossman, à medida que jogamos.

A qualquer ponto durante a gameplay está disponível a opção de alternar entre os gráficos originais e os da versão remaster. A história não sofre qualquer alteração, aquando desta mudança voluntária, logo, o jogador não perde o progresso ou tem qualquer tipo de prejuízo ao tomar esta decisão.

Por falar em história, esta acontece cinco anos, após os acontecimento de Maniac Mansion (porém, não é necessário terem jogado este jogo para perceber os acontecimentos de Day Of The Tentacle), onde uma criatura mutante, semelhante a um tentáculo de um polvo de cor roxa, criada pelo cientista Dr. Fred Edison, bebe um liquido tóxico. Após a ingestão desta substância duvidosa, o Purple Tentacle ganha, subitamente, uma inteligência fora do comum, capaz de o fazer ansiar pela dominação do mundo.

Como resultado, Purple Tentacle e o seu companheiro, Green Tentacle, acabam presos no laboratório do Dr. Fred. Contudo, Green Tentacle pede auxílio, ao seu velho amigo, Bernard, o qual juntamente com os seus amigos, Laverne e Hoagie, viajam secretamente até à mansão para os resgatar. Só que ao fazê-lo, Bernard e companhia acabam também por libertar Purple Tentacle, que assim dá início ao seu plano de dominação mundial.

De forma a travá-los, Dr. Fred usa a sua máquina do tempo, Chron-o-John, para enviar Bernard, Laverne e Hoagie para o dia anterior do resgate, de forma a prevenir que o Purple Tentacle consiga expor-se à tal substância. Contudo, no processo, Larvene acaba enviado 200 anos no passado, para a época colonial, onde se encontravam figuras como George Washington e Benjamin Franklin, já Hoagie vai parar a 200 anos no futuro, época onde Purple Tentacle já havia conquistado todo o planeta e escravizado toda a raça humana.

Assim os três jovens terão que trabalhar em conjunto, comunicando entre as diferentes épocas, de forma a conseguirem energia nas suas cápsulas do tempo, e em última instância travarem Purple Tentacle. A propósito da narrativa, o gameplay é bastante condizente, no sentido em que, para além de termos de resolver puzzles da época de cada personagem, teremos de enviar itens ou fazer determinadas ações que ajudem a resolver outros quebra-cabeças de outras eras. Como por exemplo, Hoagie, no passado, tem de convencer uma das personagens a cortar uma árvore, de maneira a que no futuro essa mesma árvore deixe de existir, permitindo a Laverne progredir.

Esta funcionalidade induzida no gameplay resulta em determinadas situações bem construídas, capazes de deixar os jogadores mais atentos, perdidos no meio das inúmeras possibilidades que podem ter de fazer. Todavia, devido à complexidade desta mecânica, grande parte das situações tornam-se difíceis de ultrapassar sem se recorrer a um guia, para solucioná-las. Pois o jogo nem sempre é claro (ou quase nunca) naquilo que é suposto cada personagem fazer para que outra personagem possa avançar. Várias foram as combinações de itens que tive de testar durante a minha experiência com Day Of The Tentacle Remastered, de forma a puder ultrapassar determinado desafio mais abstrato.

Outro ponto negativo prende-se com a complexidade das nossas ações. Na generalidade dos jogos point-and-click, temos a opção de observar/analisar e outra para interagir com os objetos/personagens, contudo, Day Of The Tentacle decide expandir, desnecessariamente, o leque de opções que temos para interagir com o cenário. Na teoria isto pode parecer uma funcionalidade bem-vinda e talvez até uma espécie de evolução da fórmula, no entanto, na prática, torna-se mais uma dor de cabeça, pois complica aquilo que outrora era simples e acessível. Pois na grande parte das situações as opções extra de interação são raramente úteis. No geral, atrapalham mais do que ajudam.

Por oposição a banda sonora é talvez das melhores entre os jogos da LucasArts. Não só pela forma coesa como se encaixa na ação, mas sobretudo, porque cada época tem uma sonorização diferente. Se nos encontramos na América colonial, as faixas têm um tom mais clássico e rústico, caso estejamos no presente, as faixas aproximam-se mais de um jazz ou de jingles dos anos 70 e 80. Já no futuro, as faixas ficam mais pesadas, com um tom futurístico e eletrónico.

Os gráficos desta versão, como é natural, estão muito bem trabalhados, pois apesar de mostrarem uma evolução clara, não perdem a essência do original. E isso reflecte-se nas expressões das personagens e nos traços que as acompanham. O trabalho de vozes está também bem executado, mas nada que se aproxime dos níveis de Full Throttle ou de Grim Fandango.

Day Of The Tentacle Remastered é mais um dos grandes clássicos da presença das LucasArts nos anos 90, que é desenterrado e trazido de novo para consolas mais recentes desta geração. No entanto, não envelheceu tão bem como outros jogos da sua época, pois contêm ainda determinados problemas que podiam ter sido renovados ou até eliminados desta nova versão. Apesar disso, no final, é um bom jogo, que deve ser experienciado por todos os apreciadores de jogos point-and-click, e também até daqueles que nunca tocaram num jogo deste género nos últimos tempos.

Positivo:

  • História;
  • Purple Tentacle;
  • Banda sonora;
  • Não perde a essência do original;
  • Opção que permite alternar entre a versão original e a versão remaster;
  • Possibilidade de jogar a versão completa de Maniac Mansion;
  • Questões técnicas bem trabalhadas…

Negativo:

  • …contudo deixam a desejar em determinados aspectos;
  • Gameplay poderia ter sido simplificado;
  • Necessidade de um guia para resolver certos puzzles;
  • Não é claro na ordem dos objetivos a serem cumpridos;
  • Final deixa muito a desejar;

João Luzio
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