Análise – Bravely Second: End Layer

Bravely Default foi uma enorme surpresa para toda a gente quando saiu e para mim, um dos melhores JRPGs que joguei até hoje, melhor que os Final Fantasy que saíram recentemente e fazendo-me recordar a nostalgia dos primeiros Final Fantasy.

O jogo teve tão boa recepção que conseguiu chegar ao Ocidente, e devido ao seu grande sucesso teve uma sequela, Bravely Second, que tal como o primeiro jogo obteve o seu nome de uma mecânica de combate introduzida (com Bravely Second, podem parar o tempo e ter um turno extra para os vossos personagens). Será que Bravely Second é tão bom ou melhor que o seu antecessor? Para mim, a resposta é sim.

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As mecânicas continuam praticamente as mesmas, com alguns ajustes e uma ou outra coisa diferente (já lá chegarei), imensos jobs por onde escolher, um sistema de combate de risco e recompensa bastante bem introduzido, uma história interessante, músicas bastante boas e excelente arte.

Apesar de todos esses pontos positivos, algumas pessoas poderão ficar desiludidas com o facto de este ser bastante semelhante ao primeiro jogo na sua grande maioria. Pessoalmente, eu fiquei bastante contente, pois Bravely Default é um dos melhores JRPGs que já joguei e apenas precisava de limar algumas arestas.

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Quanto à história de Bravely Second, esta tem lugar 2 anos e meio após os acontecimentos de Bravely Default. O mundo ainda está a recuperar e a paz está a voltar lentamente a Luxendarc, com Agnes como Papa da Crystal Orthodoxy e esforçando-se ao seu máximo para estar ao nível do seu posto.

O jogo começa assim; com a Crystal Orthodoxy prestes a assinar um Tratado de Paz com a Duchy de Eternia. Infelizmente, essa felicidade não dura muito tempo, pois Agnes é atacada e raptada pelo Emperador Oblivion, que visa destruir o Mundo.

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Yew Geneolgia, o personagem principal recebe a missão de salvar Agnes das garras do Império. Juntamente com Magnolia, uma guerreira que veio da Lua e com a missão de destruir bestas mágicas bastante poderosas, Edea (que agora é a líder das forças armadas) e mais tarde Tiz, viverá grandes aventuras e ultrapassará grandes obstáculos para cumprir a sua missão.

Tal como em Bravely Default, há um toque de escuridão no jogo, na qual podem não reparar no início mas que notarão eventualmente. À medida que avançam na história,  irão deparar-se com assuntos bastante sérios que envolvem morte, destruição, guerra e tortura. Essa escuridão precisa de ser bem contrastada e equilibrada com humor (diálogos, piadas e o design fofo das personagens também ajuda) coisa que foi bem conseguida em Bravely Default e também em Bravely Second. Antes de cada Boss, os nossos heróis podem passar a noite numa tenda, na qual têm sempre uma espécie de conversa em grupo, em que falam de forma divertida sobre alguns tópicos, mas o tema de eleição é sempre comida. A meu ver, retiram um pouco da tensão dramatizada antes de cada Boss, o que tanto pode ser visto de forma positiva como negativa, dependendo do ponto de vista.

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A comédia é muito destacada em Bravely Second, mais do que em Bravely Default — um bom exemplo são os soldados imperiais, oferecendo bastantes momentos de comédia ao fazerem piadas acerca do exército, seja a gozarem com termos ou condutas destes, como comportamentos específicos. A cultura japonesa destaca-se mais do que em Bravely Default, tendo um ou dois Jobs novos que se baseiam nesta (Demon Fox e Catmancer).

Ao longo da minha jornada, posso dizer que me senti bastante nostálgica. Visitarão locais conhecidos, ouvirão algumas das músicas de Bravely Default ao longo da história e Tiz e Edea não serão os únicos personagens de Bravely Default que regressarão ao jogo. Não obstante, as novas localizações são tão boas como as antigas e posso dizer que estou bastante satisfeita no geral. Outro ponto que quero reforçar é o facto de termos na nossa Party dois personagens cujo crescimento já se deu em Bravely Default, não tendo tanto protagonismo em Bravely Second.

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Não penso que seja algo negativo, estou bastante contente por poder jogar com a Edea e o Tiz (e dá-me alguma segurança e nostalgia). Aliás, até acho bastante bom: graças a isso, a história dá mais foco a Magnolia e a Yew, podendo assim conhecer bem tanto um como o outro. As duas personagens estão bastante bem desenvolvidas e adoro os dois, pensei que não ia gostar muito da Magnolia mas estava mesmo errada.

Como expliquei mais acima, Tiz e Edea não são os únicos personagens que regressam, pois alguns Asterisk holders estão de volta e dão lugar a missões secundárias, como em Bravely Default mas com um toque diferente. Para além dos novos Jobs (que substituem alguns dos antigos mas de forma mais equilibrada), poderão adquirir alguns dos antigos através dessas side-quests).

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Focando-se na história de Edea, a vossa equipa encontrará os antigos donos de Asterisks e terá de resolver conflitos entre dois destes, escolhendo ajudar um e desafiar o outro. As histórias das side-quests puxam um pouco pelo nosso lado sentimental, e posso admitir que foi difícil escolher um lado em certas ocasiões, pois ambas as causas, tanto de um lado como outro pareciam justas e senti-me mal ao só poder ajudar uma pessoa.

Ao ganhar a batalha, ganham também o Asterisk correspondente a esse Boss e só poderão ganhar o outro Asterisk no NewGame+, por isso escolham bem!

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Quanto ao sistema de combate de Bravely Second, este é bastante semelhante ao de Bravely Default. A vossa Party começa com zero Brave Points (BP) e cada acção custa 1 ou mais BP. Cada personagem pode agir até 4 vezes seguidas, atingindo o limite de -4 BP.

A outra opção é usar Default, defendendo-se e acabando por não usar BP, acumulando um turno (e ganhando então 1 BP). Podem arriscar e usar Brave ao máximo, tentando derrotar logo os inimigos ; usar Default e acumular turnos ou uma mistura dos dois. É um sistema de risco e recompensa, mas que também exige planeamento e trabalho de equipa. Para mim, o único problema de usar Brave ao máximo é o facto de darem livre trânsito aos vossos inimigos para atacar durante 4 turnos como bem lhes apetece, sendo um pouco arriscado.

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Acho que ninguém gosta de ter a equipa tão vulnerável, por isso aconselho deixarem alguém que possa curar a Party em aberto, para ajudar aqueles que estiverem a levar demasiado dano ou a combater um Boss mais difícil. Os Ataques Especiais continuam presentes e podem invocar amigos para vos ajudar a combater ou parar o tempo com o poder do Bravely Second.

Podemos ajustar a frequência com que os combates aleatórios são activados tal como no seu antecessor, o que é bastante bom e nos deixa (no meu caso) explorar as áreas sem interrupções e aí sim lutar contra inimigos para ganhar experiência, tornando a aventura mais acessível e caso queiram, mais fácil de elaborar uma estratégia para cada masmorra ou área.

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As grandes diferenças entre o sistema de Combate de Bravely Default e Bravely Second são a possibilidade de criar Sets personalizados, com Jobs, habilidades e equipamento específicos e poderem guardá-los, o que é uma grande adição ao sistema de auto-combate. Em vez de guardar apenas as últimas acções, agora também podem guardar outras, até 3 ordens diferentes.

Como algumas masmorras têm monstros específicos, esta nova opção facilita bastante o vosso trabalho. Outra adição ao sistema de combate e que vos facilita as coisas é terem agora recompensas após as batalhas, podendo assim ganhar mais dinheiro e experiência.

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Se derrotarem um conjunto de inimigos à primeira, podem continuar a derrotar inimigos. Se conseguirem derrotá-los no primeiro turno, as recompensas melhoram, e assim sucessivamente, ajudando a subir Jobs de nível com muito mais facilidade.

Ao longo da história principal, os Jobs que adquirem em Bravely Second são novos e interessantes. Gostei bastante de Catmancer e Wizard, por exemplo. Todos os Jobs têm algo de interessante e um toque pessoal, algo que me agradou muito.

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Outra característica do jogo que foi bem aproveitada e já estava presente em Bravely Default, é a de reconstituir uma cidade. Em Bravely Default podíamos reconstruir Norende, e agora em Bravely Second podemos reconstruir a Lua, usando encontros de Street Pass para acelerar os processos de construção de zonas ou edifícios.

Os monstros que desafiamos são mais complicados e requerem um planeamento cuidadoso e estratégico para os conseguirmos derrotar e têm habilidades próprias que não encontramos na história, por isso tomem cuidado. Vão precisar de tempo e esforço para vencer, mas é bom para quem gosta de um grande desafio e dão boas recompensas. Em Bravely Second, em vez de termos Airy como guia, esse papel passa para Agnes, com a possibilidade de podemos interagir com ela e fazer-lhe algumas perguntas.

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Quanto aos gráficos, estes continuam praticamente idênticos aos de Bravely Default, sendo em 3D para as personagens, inimigos, mapa mundo e desenhada para os cenários. A arte é esplêndida, fazendo lembrar aguarelas e não esperava menos de Yoshitaka Amano. As animações são fluídas, bonitas e bem conseguidas, e em certas áreas, parece que estamos a entrar e sair de várias camadas diferentes no mapa da masmorra, algo que achei inovador e bastante interessante e que acaba por aproveitar bem o 3D.

Quanto às vozes, todas encaixam perfeitamente com as personagens, e só me posso queixar do voz do Yew, já que quando este está zangado ou grita, parece um pouco exagerado e deslocado. As músicas são bastante boas, apesar de não serem feitas pelo mesmo compositor de Bravely Default. Em vez de Sound Horizon, temos como compositor Ryo da banda Supercell.

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Eu adoro Supercell (as músicas que fizeram para Bakemonogatari são das minhas favoritas), e penso que apesar de não se enquadrarem  no mesmo estilo das músicas de Sound Horizon, conseguiram fazer um bom trabalho e deixar-me nostálgica, pois as músicas de Bravely Second fazem lembrar de certa forma os Final Fantasy mais antigos.

A única coisa que me revoltou em Bravely Second e que já me tinha deixado chateada em Bravely Default, é o facto do jogo estar censurado na Europa. Há uma personagem que era completamente diferente na versão japonesa, e que prefiro mil vezes como estava antes ( já para não falar do sotaque engraçado), entre outras coisas que foram modificadas. Para mim, os jogos são melhores sem qualquer tipo de censura. Não obstante, Bravely Second cumpre, e posso dizer com toda a certeza que quem gostou de Bravely Default vai adorar o seu sucessor.

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Se têm saudades de JRPGs à antiga e se sentem a falta de Luxendarc, então embarquem nesta jornada, pois não se irão arrepender. Agora vou voltar a Luxendarc, tenho alguns velhos amigos à minha espera.

Segunda opinião por:

Daniel Silvestre

Bravely Default foi um sucesso, e teve muitas e boas razões para tal. Não só foi um regresso às raízes do género de RPG, como ainda conseguiu criar vários elementos que o tornavam bastante actual.

Felizmente, a Square-Enix não resolveu (ainda) fazer o que fez com Final Fantasy, por isso, o segundo jogo saiu do forno, muito similar ao original, o que é para mim, uma grande vitória logo à partida.

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No geral, Bravely Second podia ser uma expansão do original, pois continua a história e adiciona pouco de novo, no entanto, o jogo tem tanto conteúdo e tantas variantes, que só se justifica como um jogo independente.

Para começar, o novo rol de personagens é bastante divertido e conseguem relacionar muito bem com as personagens do original. Quem jogou o primeiro, vai sentir-se em casa com todas as referências e pequenos momentos que piscam o olho à primeira aventura.

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A forma como o jogo progride também está bem encadeada. Os mapas e masmorras são bem mais intuitivos de viajar e também usam uma maior variação entre distância e altura. Mesmo que se sintam perdidos a determinada altura, podem sempre pedir ajuda, ou mudar a dificuldade, o que ajuda bastante, ou torna o jogo mais desafiante.

O combate também está melhor, com a possibilidade de programar sequências de ataque e o grande sistema de encontros extra que são ideias para fazer Farming. Desta forma, a minha experiência em Bravely Second ficou ainda melhor e menos entediante.

A banda sonora cumpre muito bem o objectivo e as vozes com sotaque meio-british (tirando certas personagens) continua a assentar que nem uma luva, seja pelo mundo de jogo, seja pelo estilo do visual, que continua a vencer com os seus desenhos e modelos chibi de personagens.

Em tempos fiquei fã de Bravely Default e continuo a ser. Bravely Second é muito similar ao antecessor para o bem e para o mal, no entanto, só vejo coisas boas nisso. Que o Bravely Third seja mais do mesmo, mas com a mesma qualidade. Para já, Bravely Second é um dos melhores jogos do ano para a Nintendo 3DS.

Positivo:

  • Jogabilidade retro com elementos actuais
  • Idêntico ao originalpn-recomendado-ana
  • Classes dinâmicas
  • Sistema de risco e recompensa
  • Visual apelativo e encantador
  • Bom trabalho sonoro
  • História muito bem elaborada

Negativo:

  • Algumas vozes não encaixam tão bem
  • Censura

placa excelente4

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Vitor Magalhães

Que censura existe? É muita?

Adriana Silva

Isso não posso especificar muito mais do que aquilo que disse, mas é semelhante ao primeiro nesse aspecto.

Vitor Magalhães

Eu nunca joguei o primeiro, mas estou interessado em experimentar e queria saber se o facto de haver censura afeta gravemente o jogo “cough” censured Deadpool “cough”

Adriana Silva

os dois valem a pena, não afecta muito (no primeiro é uma questão de vestuário, enquanto que no segundo chegaram a mudar uma personagem por completo na Europa), mas os jogos são excelentes na mesma. Acho é que é uma pena que censurem os dois por cá

Vitor Magalhães

Obrigado pela resposta, irei experimentá-los

Adriana Silva

De nada! ^^ se tiveres alguma dúvida, pergunta à vontade.

Lfo

Os vestidos das moças têm mais tecido.

Lfo

Quantos save files se pode ter?

Adriana Silva

Penso que são 3, se não me engano. já vou verificar

Lfo

Quando jogo um RPG, gosto de gravar em 1001 save files.

Adriana Silva

I can relate xD

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