Análise – Animal Crossing: New Horizons

A série Animal Crossing pode ser vista quase como que um case study. Apesar de ter vários elementos que o apontam para outros jogos, em especial, The Sims, esta é uma franquia bastante própria e com elementos que a tornam verdadeiramente única. Tendo evoluído de um jogo nicho, até a algo mais mainstream com Animal Crossing New Leaf, Animal Crossing: New Horizons é neste o jogo mais apetecível da Nintendo Switch e uma das grandes apostas da Nintendo para este ano.

Eu ainda gastei uma largas dezenas de horas em Animal Crossing New Leaf, até ser inundado de outros jogos e ter de o deixar para trás. Apesar disso, Animal Crossing: New Horizons foi até agora a análise mais difícil que tive de realizar este ano, não inteiramente por minha culpa, mas também por culpa dele.

As memórias que tenho do início de Animal Crossing: New Leaf são boas, o início da construção da aldeia, a evolução constante e os aldeões que se juntaram a mim, tudo encaixou bastante bem. Em New Horizons, tudo parece ser muito mais lento e limitado do que precisa ser. O jogo não faz um trabalho brilhante em excplicar exactamente o que fazer e muitas vezes, especialmente ao início, sentimos que estamos a inventar o que fazer e à espera que o jogo nos apresente novidades, tanto que existem processos ao estilo dos jogos mobile onde fazemos algo e temos de esperar pelo resultado no dia seguinte. Não sou nada fã deste estilo de tampões artificiais.

Animal Crossing: New Horizons só começa a desenvolver e funcionar melhor quando passamos os primeiros dias onde estamos muito limitados. Ter uma casa já permite guardar coisas e não ter de estar a fazer uma ginástica enorme de gestão, já podemos comprar mais espaço para a mochila e comprar o anel que abre o acesso rápido às ferramentas. São coisas essênciais e que podiam estar logo disponíveis para adquirir desde o primeiro dia que chegam à ilha.

A partir daqui e assim que ganham acesso às ilhas distantes, a coisa começa a ganhar muito mais velocidade. A ilha começa a ficar mais concorrida com novos moradores, existem mais coisas para plantar e coleccionar e formas de ajudar a expandir o museu, ou organizar melhor a ilha. Para isso existe também o muito apregoado gestor paisagístico que permite mudar a estrutura da ilha. Podem mudar o ciclo dos rios, elevar ou abrir caminho entre elevações, entre muitas outras funções. É uma ferramenta poderosa e uma das mais desejadas por quem já jogou um Animal Crossing, mesmo assim, ainda tem as suas limitações.

Tal como nos anteriores, também em Animal Crossing: New Horizons vamos estar praticamente sempre em dívida com o Tom Nook, mas desta vez existem duas formas de ir pagando, ou usam os Bells típicos ou através do programa de milhas do Tom Nook (dependendo dos casos), as milhas funcionam como recompensas de coisas que vão fazendo por vocês e pela comunidade. Essas milhas podem ser usadas para comprar coisas específicas ou para gastar em certos serviços, incluíndo as tais viagens de avião para as ilhas perdidas.

Uma coisa que gosto bastante em Animal Crossing: New Horizons e já acontecia no anterior, são todos os eventos inesperados que vão acontecendo. A cada dia que passa e a explorar a ilha, somos brindados com encontros inesperados com outras criaturas, com garrafas que dão à costa, com coisas que caiem das árvores. Cada coisa que vamos fazendo ou vamos concretizando vai gerando milhas ou oferencendo mais receitas para criar materiais.

À medida que criamos coisas, podemos usar como ferramentas ou para enfeitar a ilha e a nossa casa. Embora seja divertido e interessante configurar a ilha com tudo o que vamos ganhando ou construíndo, tenho certeza que muitos vão perferir gastar tempo a personalizar as suas casas. Para isso existe um editor completo e profundo que permite mudar coisas de sítio, instalar coisas e alterar até o papel de parede. A liberdade de personalização é grande e dúvido que vão encontrar uma casa exactamente igual a outra, afinal, como o mudar das estações, bichos que apanham e afins, cada experiência será totalmente única e muito pessoal-

Depois de ter passado alguns dias a lutar com o online antes do lançamento de Animal Crossing: New Horizons, eis que consegui finalmente experimentar jogar com outras pessoas. E quem melhor que os elementos da nossa comunidade. Eu sei bem tudo o que é possível ver e fazer através dos vídeos que foram lançados pela Nintendo, mas jogar com outros jogadores e explorar as suas ilhas é bastante divertido e claro, se formos amigos chegados dos donos das ilhas, é possível fazer muitas coisas em conjunto, seja para ajudar a desenvolver ou dar uma ajuda a um amigo.

Visualmente, Animal Crossing: New Horizons não é um jogo fantástico, mas tem os seus momentos, especialmente no que se aplica aos detalhes. Se por um lado as personagens são bastante básicas, por outro temos um par de texturas nas roupas ou no pelo dos animais que são bastante apelativas e que até lhes apetece tocar. A banda sonora é composta de músicas bastante calmas e agradáveis, embora a música da ilha possa começar a soar demasiado repetitiva ao final de umas boas horas de jogo. As vozes das personagens são as mesmas de sempre e continuam a encaixar positivamente.

 

Antes de terminar, tenho também de falar dos menus do jogo. Não consigo perceber como é possível fazer opções tão estranhas em organização. Por vezes falamos com uma personagem e se umas voltam ao menu anterior quando cancelamos uma interacção, outras saem da conversa, o que a obriga a ter de iniciar novamente. Depois temos a interacção com os objectos, havendo várias selecções e a menos óbvia aparece em primeiro. Um exemplo simples é o caso da comida que aparece primeiro largar do que comer, o que é estranho e faz com que o jogador largue mais coisas ou enterre do que aquilo que pretende fazer exactamente. Parece uma coisa simples, mas é frustrante.

Animal Crossing: New Horizons é exactamente o jogo que os fãs de Animal Crossing querem e estavam à espera. Também é um jogo que vai estar dentro daquilo que os curiosos ouviram falar da série e queriam experimentar por si. De qualquer forma, é uma série que continua a não ser para todos e o facto de estar nas bocas do mundo, vai acabar por abrir esse leque de fãs, o que é muito bom. É verdade que é preciso alguma paciência e persistência para começar a colher frutos e nem todos vão estar para aí virados, mas quem o fizer vai ser bastante recompensado.

Pessoalmente, gostei muito mais da experiência que tive com Animal Crossing: New Leaf graças à sua introdução e desenvolvimento, mas também passei um muito bom tempo com Animal Crossing: New Horizons. É uma boa proposta para meter um travão num dia mais movimentado ou para fazer uma escapadela para um sítio bem mais tranquilo, especialmente agora que vivemos numa das épocas mais negras e assustadoras dos últimos anos. Não é o jogo que todos vão adorar, mas é um título que fazia falta na Nintendo Switch.

Positivo:

  • Muitas horas de jogo
  • Uma infinidade de coisas para fazer
  • Poder alterar a ilha a nosso gosto
  • Transmite calma e tranquilidade
  • Interagir com os amigos

Negativo:

  • Demora bastante a arrancar
  • Elementos de tempo ao estilo mobile
  • Menus podiam ser muito mais práticos

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