Roleplaying.
Possivelmente devem ter ouvido esta palavra nem que seja quanto alguém está a referir-se a RPGs (Role Playing Games), ou seja, “jogos de interpretação de papéis”. Para ser honesto qualquer jogo teoricamente seria um jogo de interpretação de papel uma vez que o jogador está a controlar uma personagem, mas tendo em conta que os RPGs focavam-se em fantasia, cavaleiros e muito mais, o nome acabou por ser atribuído ao género, embora hoje em dia seja usado para definir jogos com elementos de evolução de personagem como níveis, equipamento, habilidades e mais.
No entanto roleplaying não é apenas atribuído a videojogos, DnD também faz uso do formato e pode-se dizer até que teatro e cinema é igual embora muitas pessoas provavelmente não ficariam contentes em utilizar essa palavra porque é “coisa de nerd”. Mas no que toca a videojogos, roleplaying começou a tomar uma nova forma após a introdução de jogos online, em especial MMOs e jogos sociais.
Com o online e a possibilidade de juntar mais do que quatro pessoas no mesmo jogo a tornar-se mais comum, é normal que outros tipos de jogos para além de fps online e MMOs começassem a aparecer no mercado, sendo que hoje em dia é natural haver vários “party games”, no entanto não esses os jogos que dão a possibilidade a roleplaying, mas sim jogos com formatos mais diferentes.
Por exemplo os vários jogos sandbox que originalmente eram single player como Just Cause, Grand Theft Auto, Skyrim, etc, acabaram por receber mods que permitem aos jogadores juntarem-se e explorarem novos mundos juntos (GTA acabou por ter um modo online oficial mas a era de San Andreas e GTA IV online ainda existiram e eu bem lembro-me de andar por lá). A início grande parte dos jogadores apenas estavam a descobrir um novo mundo que era tal e qual aos jogos que já conheciam mas com outras personagens que não eram NPCs, tornando cada encontro em algo único e inesperado.
Obviamente que nem todos os jogadores vão oferecer bons encontros, pois tal como em jogos competitivos online, também existem vários trolls ou jogadores com pouco temperamento e uma boca que necessita de ser lavada com sabão. É muito certo que irão encontrar pelo menos um destes tipos de jogador, o que irá tornar a vossa experiência em algo menos memorável, ou o típico youtuber/streamer que está a fazer o dia pior para todos mas que depois faz um vídeo onde a culpa é dos outros. Por outro lado também é comum encontrar jogadores mais experientes que estão mais do que disponíveis para oferecer uma mão e guiar os novatos sem quebrar personagem.
Anteriormente falei sobre Space Station 14 e a forma em como toda a história de cada turno era feita pelos jogadores através de texto, este é um bom exemplo de jogos cujo foco é o de criar histórias com outros jogadores, utilizando o formato de pequenas rondas onde os jogadores assumem múltiplos papéis, tal como Barotrauma, SCP Secret Laboratory ou Sub Rosa. Enquanto que outros jogos oferecem uma experiência mais virada para o sandbox tanto single player como online, permitindo também um pouco de roleplaying caso os jogadores assim o desejar como por exemplo Project Zomboid, Arma 3 ou Intruder.
Algumas produtoras sabem que certa parte dos jogadores por vezes apenas querem uma desculpa para fazer palhaçada com amigos ou estranhos, sendo por isso que este tipo de jogo existe, enquanto que outros contam com um objectivo e jogabilidade como se fosse um jogo normal mas também oferecem a opção para algo mais descontraído caso todos os jogadores tenham a mesma ideia. Ou por vezes, todos os jogadores sabem que a única maneira de abordar um destes jogos é ao assumir um papel e manter o mesmo durante uma ronda inteira.
O formato tem evoluído com o passar do tempo e também com a interação dos jogadores por todo o mundo, da mesma forma que muitos jogos online hoje em dia estão mais focados para experiências entre amigos ao ponto de a maioria receber o termo “friendslop”. Dependendo de como as coisas são feitas tanto um destes jogos como mods que transformam uma experiência solo numa aventura online pode ser um dos melhores momentos que poderão experimentar num jogo, embora a probabilidade de encontrar alguém cujo a intenção é a de arruinar a experiência ou de fazer com que as coisas vão à sua maneira é grande.
Tal como em jogos competitivos online, roleplaying também segue as regras de “fair play” e de toda a gente respeitar o que os outros estão a fazer. Se encontrarem-se numa situação onde tornaram-se num refém não seria muito divertido se começassem a fugir sem dizer nada, afinal de contas roleplaying não baseia-se nas acções mas sim nas interações com outros jogadores para ajudar a história a avançar.
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