Quando se pensa em videojogos ligados ao mundo do futebol, os nomes de FIFA e PES (atual eFootball) são os primeiros nomes que vêm à cabeça. Estes seguem uma abordagem mais realista praticamente de simulador, e quem ocupa o lado oposto do espectro? Aí entra a Nintendo, com as suas propostas desportivas focadas na diversão e desmedidamente caóticas. Mario Strikers já não é um nome novo, remete aos tempos da GameCube em meados da década de 2000s, tendo posteriormente uma sequela para a Wii. O que faz de Mario Strikers: Battle League Football o terceiro jogo da franquia.
É produzido pela Next Level Games e publicado pela Nintendo. Sendo este um lançamento importante, uma vez que uma legião de fãs pedia incessantemente este aguardado retorno, mas será que soube estar à altura desta longa espera? A verdade é que já se passaram quinze anos, duas gerações de consola à frente e foram poucas franquias que resistiram ao teste do tempo. O que renderia, na teoria, uma enorme lacuna de inovação a ser preenchida, onde ideias impeditivas pelo hardware e até paradigma da época já não seriam mais fatores limitantes.
O jogo apresenta boas bases, infelizmente muito pouco é construído em cima delas. Mas vamos a detalhes. A experiência gira em torno do essencial: partidas de futebol com as regras e identidade criativa do canalizador mais conhecido do mundo. Feitas cinco para cinco, das quais controlamos apenas quatro personagens, ficando o guarda redes a cargo da inteligência artificial, que por sinal é, surpreendentemente, competente. Lá no meio, consoante assim o permitirem nas regras, antes da partida começar, terão a oportunidade de usar power-ups na ofensiva e defensiva.
Destes destaca-se um dos chamarizes visualmente apelativos do jogo, os hiper-remates. São uma espécie de ultimate move, único a cada uma das personagens jogáveis. Tendo uma sequência animada bastante atrativa que se destaca de tudo o resto, sendo espetacular de ver ou rever. De notar, que dependendo da posição que tal ataque é desencadeado, a equipa opositora terá a oportunidade de inutilizar o hiper-remate. Nos preparativos de cada partida, além da galeria de figurões e respetiva cor do equipamento, poderão escolher também qual o cenário de eleição.
Aqui reside uma das falhas estruturais deste título, associada a uma norma imutável muito à maneira portuguesa, conhecida como a lei do menor esforço. É uma sensação que percorre todo o, escasso, conteúdo com que esta nova e aguardadíssima sequela se apresenta. Dez personagens. Seis campos. São estas as reduzidas opções que irão estar presente em todas as partidas que defrontarão neste jogo. Se aliarmos a isto, uma igual insuficiência em conteúdos de jogabilidade, particularmente singleplayer, estamos na presença de um título, vendido a um preço de grande lançamento, mas muitíssimo oco.
Com pouco mais de cinco horas investidas, senti que tinha pegado em tudo o que o jogo tinha para oferecer. Por muito que a diversão e acessibilidade fossem um aspecto que contribuíam para que fizesse “só mais uma partida”, é impossível desassociar isto da repetitividade latente. Um rápido olhar em outros jogos afins de desporto da personagem titular, na própria Nintendo Switch, dá-nos uma ideia de que foi feito mesmo muito pouco, face a por exemplo, Mario Golf: Super Rush e Mario Tennis Aces.
Voltando ao que referi inicialmente, a base da jogabilidade irá ser o principal contributo para trazer os jogadores que arrumaram-no na prateleira a jogá-lo de tempos em tempos. Com um tutorial bem construído, em algo por si só já bastante aproximável de qualquer faixa etária, introduzem todas as mecânicas necessárias de uma maneira dinâmica, o que até para quem tem experiência irá ser útil. A dificuldade sentida nos torneios mais avançados é palpável, sendo um verdadeiro desafio vencer a IA do jogo, uma vez que neste aspecto o guarda-redes é tão prestável connosco, como implacável na equipa adversária.
A personalização dos equipamentos, embora completamente opcional, é um fator chave para uma estratégia competitiva no modo online, contra outros jogadores mais experientes. Tal como o restante conteúdo é vastamente circunscrito, a quatro peças do equipamento, o tronco, capacete, braços e pernas. Que irão mexer aqui e ali nas características padrão de cada personagem, sendo que se equiparem uma mesma personagem com todo um conjunto temático (por exemplo, Turbo Set), os status irão ser mais centralizados numa área específica.
Com um pacote de DLCs a caminho, Mario Strikers: Battle League Football poderá tornar-se uma versão mais desejável a quem procura um prato cheio de personagens e conteúdo extra. No entanto, por se tratar esta análise da versão inicial do jogo, o preço base poderá não ser o mais convidativo a todas as carteiras, face ao conteúdo que se encontra atualmente disponível.
Mesmo os fãs desta reimaginação do futebol, no universo de Super Mario, poderão sair desiludidos pelo mesmo motivo. Ainda assim, por se tratar de um jogo da Nintendo, a diversão é a palavra chave da experiência, sendo que para muitos valerá só por isso mesmo. Fica por isso a recomendação para quem esta jogabilidade será aditiva, mais se optarem por se aventurar horas sem fim pelas competições online.
Positivo:
- Jogabilidade sólida;
- Visuais coloridos e bem animados;
- Customização do equipamento;
- Modo online robusto;
- Novo conteúdo a chegar por DLC…
Negativo:
- …mas a versão base tem poucas personagens jogáveis e meia dúzia de campos disponíveis;
- Falta colossal de conteúdo singleplayer;
- Oportunidade de ouro perdida para se reinventar;
- Fica atrás de todas as outros títulos de desportos de Super Mario na Nintendo Switch.




