Análise – Overwatch

A Blizzard já está nesta indústria há uns anos valentes, tendo passado por uma série de géneros bem diferentes dos seus projectos originais. Foram estes senhores e senhoras que definiram o que era um RTS, um MMO e até um TCG digital, criando conceitos que teria de ser seguidos e até ultrapassados por muitos outros.

Depois de tudo isto, temos agora Overwatch, mais um género diferente onde a Blizzard acredita ter cartas para dar. No entanto, um FPS de equipa não é pera doce de fazer, especialmente tendo em conta que já existem rivais bastante poderosos no mercado. Até agora, as expectativas estavam elevadas, muito por culpa da Beta, mas existe mais por detrás de Overwatch que faz dele um jogo apelativo.

Tal como a maioria dos jogos da Blizzard, Overwatch é um jogo online, que ao contrário de muitos outros dentro do género, precisa de ser pago à cabeça para jogar. Não existe campanha nem modos para um jogador que vão além do treino básico e inicial. A partir do momento em que sabem os básicos, são logo atirados aos lobos.

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Felizmente, não é muito difícil perceber como se joga Overwatch, pois estamos a falar de um FPS com objectivos. O importante está na profundidade de cada personagem, que flutuam entre classes diferentes e cada uma tem os seus poderes distintos. Depressa se aprende que jogar em equipa é essencial, pois os chico espertos que vão à frente sozinhos são normalmente abatidos depressa.

Embora não seja um MOBA, Overwatch faz lembrar um, pois está constantemente a relembrar os jogadores de que cada classe é importante e que cada heroí é único no campo de batalha com todas as suas habilidades. Os tanques são mais rijos e englobam quase sempre poderes que protegem os aliados, enquanto os suportes conseguem curar ou reviver aliados e claro, existem as classes mais ofensivas, com ataques poderosos, ou habilidades que ditam a vantagem em confrontos de um para um.

Apesar de ter um encadeamento bastante bom e momentos de acção fantásticos, senti durante as minhas sessões de teste que nem todas as personagens estão ao mesmo nível e ainda existe alguma inconsistência no que toca aos contactos com o adversário, especialmente no Melee, que parece bastante vago e artificial, nunca dando o impacto esperado. Depois existem personagens que precisam de levar ajustes, como é o caso de Bastion e o seu modo turret que é um pesadelo. Eu sei que a ideia passa por mudar de personagem quando precisamos de enfrentar uma situação diferente, no entanto, isto é uma má solução quando estamos a jogar em equipa e somos um healer, que precisa de mudar para um sniper para limpar um adversário específico.

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No geral, os cenários são bastante bons e apelativos, embora alguns pareçam favorecer sempre mais alguma das equipas. Os modos de escolta por exemplo, são dos mais complicados, pois quando são colocadas duas boas equipas frente a frente, o objectivo mal mexe. Os melhores mapas acabam por ser aqueles onde uns defendem um local que precisa de ser conquistado pela equipa rival.

Cada personagem tem de ser aprendida e só após alguns jogos com cada é que se começa a perceber bem o que fazem. Isto também ajuda a perceber melhor o que acontece no terreno de combate. Certos ataques especiais são acompanhados de uma frase específica (como o “Die, die, die” do Reaper ou o “Heroes Never Die” da Mercy, que ressuscita quem estiver perto dela), por isso convém aprender a interpretar todos os sons e vozes que podem ouvir.

Apesar de ser um jogo pago a preço final, Overwatch insiste em funcionar como um jogo gratuito, ou seja, só vão desbloquear coisas com o vosso tempo e esforço investido no jogo. Um caso disso são as caixas que ganham com conteúdo aleatório no interior, que pode ir de vozes a fatos especiais. Tenho a dizer que embora seja aliciante, este sistema é restritivo e bloqueia conteúdo a conta gotas que convida a gastar dinheiro real em mais caixas. Claro que não passam de coisas cosméticas, e os novos mapas e heróis serão grátis, mas este incentivo às microtransações não é de todo do meu agrado.

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Como dá para ver pelas imagens, Overwatch é um jogo bastante colorido, mesmo não sendo um portento visual. A Blizzard optou (e bem) por personagens mais estilizadas e cenários com cores mais garridas, onde tudo parece mais bonito. Isto também permite que o jogo corra sem grandes problemas em qualquer plataforma. A nossa versão de análise foi a de PS4 e durante os testes, correu quase sempre a 60fps com 1080p.

As músicas e vozes também estão bastante boas, com grande destaque para as das personagens, que englobam caricaturas exageradas dos seus países de origem, como o sotaque totalmente “british” de Tracer ou o “russo” de Zarya.

Embora não considere que fosse lançado como um jogo free-to-play, Overwatch está acima do valor de um jogo final com o conteúdo que apresenta actualmente. Não existem muitos modos, não existe uma campanha ou história, não existe um ranking, clãs, entre outras coisas que seriam de esperar de um jogo vendido ao preço completo. Claro que o valor vai ficar mais convidativo com o passar dos meses e à medida que for adicionado mais conteúdo “gratuito”, mas por agora, Overwatch vence por ser extremamente divertido e altamente apelativo.

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Se Overwatch tem algumas falhas, então porque é que eu e tantos outros gostam tanto dele? A resposta é simples: a Blizzard fez um óptimo trabalho em criar um mundo e personagens altamente carismáticas e um culto em redor do jogo. Isto faz com que seja fácil perdoar certas falhas ao jogo, mesmo sabendo que elas lá estão, pois estamos mais ocupados a jogar e entretidos com a sequência imparável de jogos que vão surgindo sem parar.

Overwatch é um grande jogo e a Blizzard provou uma vez mais que faz bem aquilo que faz. Nem tudo é perfeito e o jogo precisa de alguns afinamentos, mas se estão interessados em investir num bom jogo de acção por equipas online, então este é dos melhores que podem jogar neste momento.

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Opinião extra por: Sérgio Batista

Quando o primeiro trailer cinemático de Overwatch foi revelado em 2014, eu fiquei um pouco curioso como seria o próximo jogo original da Blizzard. No entanto, eu sabia que teria de experimentá-lo por mim mesmo para obter a minha atenção total. Foi o que fiz no início do mês de Maio com a beta pública e fiquei completamente rendido.

Desde o dia de lançamento, já passei umas valentes horas a jogar na versão PC. Tirando os 20 minutos de espera quando os servidores abriram pela primeira vez e raras ocasiões de lag, a minha experiência com Overwatch no PC tem sido positiva até agora

Eu tenho dado prioridade a personagens de suporte, em especial à Mercy, Symmetra e Lúcio que são as 3 personagens que tenho usado mais. Para as restantes classes, gosto de espalhar justiça com Pharah, defender os locais com a fiel (e talvez OP) torre de Torbjörn e absorver todo o tipo de dano com o grande Reinhardt. Apesar de ser um jogo estupidamente acessível, é preciso jeito para dominar certas personagens em condições e existe uma certa complexidade na formação das equipas para obter os melhores resultados.

Quem já teve a oportunidade de jogar comigo, ou apenas ouvir-me pelo Discord, notou que por vezes ativava o rage mode quando as partidas corriam mal. Talvez algumas personagens precisam de uns pequenos tweaks ou apenas jogos multiplayer fazem-me mal ao temperamento, mas sinto que se deve principalmente à falta de trabalho de equipa. Tal como o Daniel referiu, é algo extremamente essencial para ter sucesso em Overwatch e mudar de personagens de vez em quando também ajuda.

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Se a falta de conteúdo para singleplayer fez-vos confusão em Titanfall e Star Wars Battlefront, Overwatch pode não ser indicado para vocês, uma vez que o foco está na vertente multiplayer. Apesar de não existir uma dita campanha, a história está a ser apresentada no formato de bandas desenhadas e curta-metragens onde ficamos a conhecer melhor as personagens e o mundo do jogo. Sabendo como é a Blizzard, é de esperar que vamos ver mais disto nos próximos tempos, para além do novo conteúdo que há-de ser adicionado ao jogo.

Falando em aspectos mais negativos, é um pouco chato que as loot boxes podem oferecer conteúdo repetido. Nessas ocasiões, o jogo tenta compensar com uma pequena quantidade de moedas que permitem desbloquear instantaneamente o que quiseres. Também deviam dar uma vista de olhos no algoritmo que decide as “Play of the Game” porque já se torna um pouco chato estar sempre a ver as mesmas personagens a matar 2 ou 3 adversários com o Ultimate.

Apesar do conteúdo parecer pouco, eu continuo a divertir-me a jogar após tantas horas. Talvez fosse benéfico ter um trial para quem ainda não está convencido em arranjar o jogo, não se preocupem porque Overwatch só vai ganhar cada vez mais notoriedade com o passar do tempo, e talvez quando o preço estiver um pouco reduzido, ainda vão ter muita gente com quem jogar.

Positivo

  • Boa selecção de personagenspn-recomendado-2016
  • Incentivo ao jogo em equipa
  • Visual colorido e apelativo
  • Bom trabalho sonoro
  • Novos conteúdos serão gratuitos

Negativo

  • Algumas personagens desequilibradas
  • Pouco conteúdo para treinar offline
  • Faltam mais modos e ranking
  • Sistema de caixas incentiva a gastos extra

 

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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