Análise – Layton’s Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires’ Conspiracy

  • Plataformas: 3DS, Mobile
  • Versão de Análise: 3DS
  • Informação Adicional:

A série Professor Layton teve início em 2007 no Japão, tornando-se numa das séries de peso da Level-5 para as consolas portáteis da Nintendo, contando com duas trilogias à volta do Professor e o seu ajudante Luke, um filme e várias adaptações manga. Com o final da história do Professor em Professor Layton and the Azran Legacy (seguindo a ordem de lançamento), os fãs perguntavam-se o que viria a ser da série agora que tinha-mos visto as últimas de Hershel Layton e Luke Triton.

A resposta a esta questão foi revelada no ano passado, e este ano, precisamente 10 anos desde o lançamento do jogo original, chegou a vez de Katrielle ter a oportunidade de brilhar em Layton’s Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires’ Conspiracy. Onde Katrielle assume o lugar do Professor e abre a sua própria agência de detectives com o objectivo de encontrar informação sobre o paradeiro do seu pai, Hershel Layton.

A história tem início com Kat a abrir a sua agência, juntamente com o seu autoproclamado assistente Ernest Greeves, recebendo como primeiro cliente um cão falante que possui amnésia. No entanto, ao contrário dos outros jogos anteriores, não é o caso do cão amnésico falante, ou a procura do Layton original que vai ocupar o jogo todo, mas sim casos oferecidos por outras pessoas que tomam um formato episódico, quer seja a procura de um animal desaparecido ou até o final de um filme que foi cortado.

Começo por dizer que o facto de o jogo contar com episódios soltos não é a melhor maneira de apresentar um novo protagonista para a série, isto seguido pelas várias personagens presentes que não possuem qualidades dignas de serem recordadas, incluíndo Kat que gosta imenso de comer, Ernest que tem uma paixoneta óbvia por Kat, e Sherl (o cão falante) que faz várias puns. A preocupação em manter as quirks destas personagens vivas é constante durante o início do jogo ao ponto de interferirem com a história.

Isto também vem ao encontro da maioria destes casos, onde algumas destas personagens são recorrentes nem que seja apenas para dar uma peça de informação. Mas em alguns dos casos a progressão parece vir do nada e ser apenas pura sorte o facto dos nossos protagonistas terem encontrado um dos elementos necessários para desvendarem o caso. À medida que se vai progredindo, o jogo faz o esforço em criar uma melhor progressão para estes casos, mas no final as personagens apenas fazem voltas e voltas para regressarem ao ponto de início.

É no último par de casos que o jogo finalmente começa a mostrar força, em especial no último caso que é sem dúvida o melhor que irão encontrar no jogo todo, embora não possua nenhum tipo de build up, algo que poderia ter recebido durante o percurso dos outros casos. Infelizmente, apesar do último caso brilhar acima dos outros, o jogo acaba com mais questões abertas do que respondidas, fazendo com que a história seja num todo desapontante.

Passando para a jogabilidade, o jogo base é igual aos Layton anteriores. O jogador explora o cenário à procura de pistas, podendo encontrar moedas e até puzzles, sendo que basicamente existe um puzzle escondido em cada nova zona que encontram, fazendo no total um pouco mais de 150 puzzles. Uma das novidades é a possibilidade poderem regressar a casos que já tenham sido resolvidos, para poderem colecionar moedas ou concluir puzzles que tenham passado de despercebido, de facto, ao concluírem cada caso desbloqueiam novos puzzles nesse mesmo caso.

Para “quebrar a rotina” existe um par de actividades que podem fazer, mudar o aspecto da agência e a roupa de Kat, embora apenas para fins decorativos, mas existem outros puzzles que vão desbloqueando à medida que vão completando casos. Estes puzzles vem disfarçados em formato de minijogo, onde num é necessário escolher a comida correcta para a pessoa presente, noutro temos de colocar jóias numa ordem certa por onde a pessoa X e Y vão passar e o minijogo final é um onde temos de guiar Sherl de uma ponta à outra com o menor número de movimentos possíveis. São puzzles simples e acabam por relaxar um pouco mais ao contrário dos que vão encontrando ao longo do jogo, o que finalmente me leva a falar deles.

Um dos maiores problemas que sempre encontrei com os puzzles em Professor Layton é a maneira como estes nos são descritos. Isto porque por vezes as palavras usadas não são as melhores para explicar a questão, levando o jogador a interpretar o puzzle de forma incorrecta e acabar por dar uma volta que por vezes apenas dá um mau sabor quando estes são resolvidos. Alguns dos puzzles são fáceis, e outros consigo admitir que foi um desentendimento meu a início, mas existe um par deles em que a culpa recai exactamente na maneira como são transmitidos para o jogador, que por vezes anulam aquilo que acaba por ser a resposta, existindo uma melhor maneira para descrever o problema que nos é colocado.

A conclusão do jogo não dita o fim da aventura, caso tenham picarats suficientes irão desbloquear conteúdo extra, e para além disso existem centenas de outros puzzles para concluir, incluíndo puzzles diários. Juntando estes puzzles extra e também os puzzles diários em conjunto com os puzzles que vão encontrando ao longo da história, o jogo conta com mais de 200 desafios para quem for fã da série Layton.

O design das personagens continua igual ao que já é usado na série, embora os modelos 3D não tenham o melhor aspecto, incluíndo o lip synching que é óbvio que não sofreu nenhuma precaução. O caso da banda sonora já é mais complicado, existem faixas extremamente boas, mas outras acabam por deixar um pouco a desejar. O que é certo é que o jogo conta com um bom número de músicas que irão ficar na cabeça.

Ao fim e ao cabo, esta não é a primeira estreia de um Layton que não o velho Professor. Mas como primeira estreia de Katrielle, Kat deixou algo a desejar. A personagem em si teve os seus momentos carismáticos, mas a direção da história acaba por a puxar e impedir de brilhar, já para não falar da decisão em criar casos com histórias únicas em vez de continuar com algo presente durante o jogo todo, fazendo com que este jogo fique aquém dos jogos anteriores.

Positivo:

  • Vários puzzles para resolver
  • Katrielle tem os seus momentos

Negativo:

  • Não segue uma história coerente
  • Personagens não são memoráveis
  • Alguns puzzles não são descritos da melhor maneira