Análise – Hyperdimension Neptunia Re;Birth 1

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Na indústria dos videojogos não é raro as companhias começarem novas séries com um jogo que é mais tarde relembrado como o pior da série.

Se olharmos para o exemplo da série Assassin’s Creed, o primeiro jogo, apesar de despertar a curiosidade para futuras sequelas, sofreu imenso devido à sua jogabilidade na altura, algo que só piora à media que o tempo passa.

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Com a série Hyperdimension Neptunia o mesmo aconteceu, o primeiro jogo de nome Hyperdimension Neptunia, lançado originalmente na PlayStation 3, veio apresentar um JRPG com um bom humor e personagens carismáticas, sendo que teve como problema as suas mecânicas de jogo.

Três anos mais tarde, surge o remake para a PlayStation Vita e PC, com o objectivo de melhorar o jogo anterior. Será que o objectivo foi alcançado?

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Ouvindo as várias criticas e sugestões dos fãs, a Idea Factory e a Compile Heart decidiram agarrar no primeiro jogo e dar a rédea à Felistella, que refez vários elementos do mesmo, criando assim Hyperdimension Neptunia Re;Birth 1.

Hyperdimension Neptunia Re;Birth 1 vem aproveitar algumas mecânicas usadas nas sequelas do original, Hyperdimension Neptunia mk2 e Hyperdimension Neptunia Victory, tal como introduzindo novos sistemas e melhorando o departamento gráfico e sonoro.

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O mundo de Hyperdimension centra-se em Gamindustri, que por si é dividido em quatro regiões, Planeptune, Lastation, Lowee e Leanbox, cada um governado pela sua respectiva Deusa que representam as consolas da sétima geração, Purple Heart (Neptune, representando uma consola fictícia da SEGA), Black Heart (Noire, PlayStation 3), White Heart (Blanc, Wii) e Green Heart (Vert, Xbox360).

O objectivo das Deusas é o de governar o seu reino, obtendo acções dos cidadãos de Gamindustri que representam a fé que eles possuem sobre as mesmas.

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A história principal de Hyperdimension Neptunia Re;Birth 1 continua a ser a mesma do jogo original, Neptune, a CPU (Console Patrol Unit, termo usado para descrever as deusas) que se transforma na Deusa Purple Heart, e as outras deusas estavam num longo confronto conhecido por ‘‘Console War’’, em combate as outras deusas decidem tirar de jogo Neptune em conjunto, sendo que a mesma é derrotada e sofre uma longa queda em capacidades enquanto inconsciente.

Durante o tempo em que está “apagada”, Neptune sonha com uma voz que lhe pede para reunir uns fragmentos de chave. Quando acorda, dá por si na casa de Compa (representando a produtora Compile Heart) e apercebe-se de que sofre de amnésia. Visitando o local onde foi encontrada, ambas acabam por esbarrar em IF (Idea Factory, a outra produtora da série) as quais formam um trio.

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A história e conversas entre as personagens continua a ser feita ao estilo visual novel, ou seja, descrita por texto com a imagem das personagens que estão a falar, tal como em Ace Attorney e jogos do género.

Já a navegação entre dungeons sofreu uma pequena alteração, adaptando um sistema similar ao de Hyperdimension Neptunia mk2, com um mapa geral em 2D em vez de 3D, e com os menus mais organizados, sendo que já não é necessário percorrer uma dungeon de cada vez que se quer visitar outro reino.

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A exploração das mesmas masmorras sofreu alterações, embora o tamanho e liberdade das mesmas continue igual, com um caminho fixo a percorrer. Os random encounters são coisa do passado, pois agora os monstros encontram-se visíveis, sendo que é possível dar-lhes um golpe antes de ir para a arena de combate, se o golpe apanhar o inimigo de surpresa poderão ter uma vantagem inicial sobre o mesmo, caso seja o inimigo a apanhar-vos de forma inesperada, será ele a ter a mão inicial na batalha.

O combate de Hyperdimension Neptunia Re;Birth 1 continua a ser o típico JRPG por turnos, agora com a possibilidade de poder movimentar as personagens até um certo limite, algo que adiciona mais entusiasmo às batalhas e a possibilidade de estratégia. Os ataques continuam a ser deferidos em combos de três comandos, que podem ser alterados a qualquer momento fora de combate, onde cada um tem a sua função, como aumentar a barra EXE (não confundir com XP – experiência) rapidamente, fazer um ataque mais forte ou um ataque mais centrado à redução da defesa do inimigo, que poderá causar o ‘’guard break’’, algo similar ao stagger a Final Fantasy XIII, onde o inimigo fica mais susceptível a dano.

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Tal como cada JRPG que se preze, a barra de magia também está presente, neste caso chamada de SP, que serve para usar várias habilidades secundárias tais como heal (que já não utiliza aquele sistema complicado), ou para transformar Neptune e as outras candidatas a deusas. A barra EXE (originalmente introduzido em Victory) tem um papel semelhante, sendo que permite a utilização de um combo extra, ou de um ataque especial que poderá ser comparado a um Limit Break, ou até em combos com outras personagens.

Algo inédito neste remake é o Remake System. Estando na vez do Scout System, o que acaba por ser uma versão melhorada do Item Synthesis, este faz uso dos planos obtidos por outras personagens e vários itens colecionados nas dungeons, sendo que é então possível criar, ou melhor, desbloquear várias opções, tais como novas dungeons, adicionar inimigos mais fortes, fazer a barra EXE encher com maior velocidade, entre outros. É uma boa novidade pois vem oferecer um pouco de variedade e recompensa pelo grinding no jogo.

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Para além de novos sistemas, tantos os gráficos como a banda sonora de Hyperdimension Neptunia Re;Birth 1 sofreram uma revisão. Os visuais das personagens foram actualizados, assim como a framerate que também melhorou em comparação ao jogo original. No entanto, existem uns quantos erros gráficos, e tanto os inimigos como os cenários podiam ser mais diversos.

A banda sonora foi actualizada e está bem melhor do que antes, o estilo techno em algumas das músicas e o remix de umas antigas ficaram óptimas. As vozes também sofreram actualização, sendo que a versão em Inglês está melhor do que antes, enquanto que a Japonesa continua boa.

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A IA infelizmente continua a não ser muito inteligente, o que limita cada inimigo maioritariamente à sua função principal, atacar ou suporte.

Algo que desagradará os fãs foi a remoção de quatro personagens, 5pb, Red, Nisa e Gus, personagens secundárias que apareciam de vez em quando no jogo original e que podiam ser desbloqueadas para combate através de DLC.

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Hyperdimension Neptunia Re;Birth 1 cumpre a sua função, o primeiro jogo da série foi renascido melhor que nunca, os principais problemas que poderiam ser os culpados de manter os curiosos de pé atrás em relação à série foram corrigidos. As várias quebras da quarta parede e referências a outras séries são um mimo para os gamers, embora os visuais das personagens e algumas das conversas a roçar o lésbico, em conjunto com algum fanservice poderá não ser para todos.

Os combates são bons, mas a falta de um desafio maior poderá não ser o suficiente para os veteranos do género. Por isso mesmo, se são fãs de JRPG ou mesmo da série Hyperdimension Neptunia, então este é um jogo que merece mesmo ser jogado.

Pontos Positivos:

  • Melhoramento do visual, banda sonora e vozes
  • Remake System oferece alguma variedade ao grinding
  • Sistema de combate melhorado
  • Quebra da 4ª parede e várias referências

Pontos Negativos:

  • Fanservice e temas a roçar o lésbico poderá não agradar a todos
  • Remoção de algumas personagens
  • IA podia estar melhor
  • Alguns erros gráficos
  • Não apresenta muito desafio

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Mathias Marques

Editor oficial desde Agosto 2014 Para além de videojogos também gosto de anime. Podem ver-me a apregoar sobre ambos os assuntos no site em forma de notícia, artigo ou análise. Tenho a sorte de encontrar momentos parvos enquanto estou a jogar, ou de os criar eu mesmo.

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