DOOM é uma marca altamente conhecida no universo dos videojogos, é um grito que ficou marcado fortemente nesta indústria como uma das atitudes mais corajosas e um jogo que ajudou a cimentar temas mais maduros e abordagens mais violentas num meio que era visto como algo quase para crianças. Juntamente com a série Mortal Kombat, o sistema de classificação etário foi criado graças a esses jogos para proteger menores de conteúdo violento.
Os anos passaram e DOOM acabou por ficar marcado mais na memória dos jogadores do que propriamente na nossa prateleira com mais títulos, visto que a série passou quase por uma período de hibernação após o lançamento de Doom 3, também esse que marca o regresso da série após 10 anos sem haver um jogo da série principal lançado. Eis que chega então um novo jogo que permite injectar uma boa dose de vida simplesmente intititulado como DOOM.
Doom atira-nos rapidamente para a acção quase com pouco espaço para explicar a história, mas de uma coisa temos a certeza, um monte de criaturas infernais estão prontas para nos almoçar, então teremos que atravessar nível atrás de nível e cenário atrás de cenário para conseguir dissipar esta invasão mortífera e salvar a humanidade.
Veloz e frenético, são dois adjectivos que caracterizam bem este jogo. É um jogo que não só nos dá uma grande dose de velocidade no que toca à personagem, como todo o sistema de combate foi feito a pensar nisso mesmo. Sempre que entrarmos numa zona repleta de inimigos, estes farão de tudo para nos eliminar, sendo que muitos deles têm maneiras diferentes de nos atacar e de se movimentarem no cenário.
Para além de disparar para todo o lado e podermos usar e abusar do nosso poder bélico, foi introduzido um modo mais espectacular para matar os inimigos, os Glory Kills. Quando estes ficam fracos e a cambalear depois de baleados, podemos eliminá-los de uma maneira altamente violenta e brutal usando as nossas próprias mãos. Mesmo dentro da velocidade do jogo, este método de execução não atrasa muito a velocidade geral do jogo e deixa-nos a desejar por mais.
Os Imp são um regresso em grande e conseguem ser dos inimigos que mais dores de cabeça nos dão, não só aos seus projécteis de fogo como a também à sua capacidade de trepar paredes e fugir para zonas inacessíveis, isto misturado com outros como Hell Knights que correm na nossa direcção e tentam esmagar-nos com a sua força bruta. Os inimigos mostram-se muito fortes e com uma certa variedade para manter o jogador a mudar de estratégia constantemente.
Neste jogo temos os níveis abertos ao nosso dispor, havendo uma certa variedade no que toca a linearidade, havendo alguns que não requerem tanto uso do nosso mapa digital para ver onde estivemos e o que precisamos de explorar, enquanto outros vão nos deixar a vaguear por todo o tipo de recantos à procura de segredos ou então pedaços de armadura para melhorar a nossa defesa.
O jogo começa a chegar a um padrão repetitivo após a primeira metade e isso não só está presente no design dos níveis como também no sistema de jogabilidade, onde a novidade deixa de ser fresca após inúmeros kills. Felizmente os temas e os bosses vão mantendo o jogador interessado até ao fim.
Agora podemos também evoluir as nossas armas neste jogo, onde apesar de não ser uma adição revolucionária, encaixa bem neste jogo. Com a descoberta de novos segredos e até elementos que nos permitem actualizar o nosso arsenal, vamos ter várias maneiras de eliminar os nossos inimigos e ter mais ferramentas ao nosso dispor.
Para além de ter vários segredos e easter eggs, o jogo tem também extras interessantes como os Rune Trials que nos transportam para outra zona por forma a executar objectivos num formato arena para ganharmos novos upgrades, como eliminar um número de inimigos em poucos segundos e não só.
O multiplayer é outro ponto pelo qual DOOM era conhecido no início, e neste jogo também envereda por um caminho mais seguro como modos clássicos e a introdução de alguns elementos diferentes. No caso de Team Deathmatch, não só iremos eliminar os inimigos como também podemos invocar inimigos do jogo para correr pelo cenário fora a eliminar os nossos opositores. Existe uma quantidade de outros modos que são também inspirados em outros já existentes, e tal como o jogo principal, deixaram-me entretido por mais tempo do que imaginava. Nada de inesquecível, mas também não é nada revolucionário.
No que toca à apresentação, DOOM continua a ser um jogo altamente grotesco, violento e com muitos litros de sangue para mostrar. É um jogo impressionante e com uma fluidez enorme. Os 60fps constantes são um dos pontos mais fortes do jogo que enfatizam ainda mais toda a velocidade que o jogo permite transmitir. É de lamentar apenas o uso excessivo de blur que mesmo depois de desligado, consegue-se notar algum e poderá chatear alguns.
Se gostaram da música inspirada no género metal, então a banda sonora deste irá agradar-vos por completo. Com algumas misturas de música industrial e electrónica nos momentos mais calmos, as guitarras criam uma boa sinfonia agressiva sempre que começamos a ser atacados por um grupo de monstros. Este é um jogo assustador e que cria por vezes por momentos de tensão devido à apresentação sombria, mas também a sonoridade e os barulhos e grunhidos aleatórias encaixam muito bem neste jogo.
Doom está de volta e agora com um novo jogo nesta diferente vertente da id Software sem os nomes sonantes (John Romero, Adrian Carmack e recentemente John Carmack). Com uma mentalidade em voltar à raízes da série, este FPS mostra-se um passo nessa direcção com um título bem divertido e com uma velocidade estonteante que apesar de ser um pouco cliché em certos aspectos, destaca-se um pouco dos restantes pela sua abordagem old-school.
É violento, recompensador e brutal, Doom poderá voltar em grande se conseguir inovar ainda mais nesta fórmula! Se são fãs da série e adoraram os jogos clássicos, então não podem perder este novo jogo, os restantes jogadores que nunca experimentaram um título poderão sair divertir-se bastante mesmo ficando pouco impressionados.
Positivo:
- Velocidade frenética em combate
- Continua a ser um jogo aterrador
- Variedade no armamento (com regressos interessantes)
- Glory Kills
- Inimigos bem detalhados
Negativo:
- Torna-se um pouco repetitivo mais para a frente
- No geral é um jogo com bastantes elementos que neste momento não são inovadores
- Multiplayer podia ter inovado um pouco mais
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