Análise – Danganronpa: Trigger Happy Havoc

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Começo por dizer que há muito tempo que não jogava algo como Danganronpa: Trigger Happy Havoc. Não pela sua jogabilidade, mas pelo conteúdo em si e pela forma como é exposto.

Confesso que esperava um jogo com um tema e história macabros, mas este projecto da Spike Chunsoft é bem mais do que um simples thriller psicológico banal que vai ficar na minha memória durante os próximos tempos.

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A história de Danganronpa: Trigger Happy Havoc coloca vários dos melhores jovens do Japão em diversas áreas num só recinto, a academia de Hope’s Peak. Para esta escola são escolhidos apenas os melhores, entre os melhores, como o melhor informático, o melhor escritor, o melhor lutador, etc.

No meio de todos estes génios está Makoto, a personagem principal que foi escolhido sem razão aparente, pois é uma pessoa absolutamente normal e não é “Ultimate” em praticamente nada.

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Até aqui parece uma história de sonho, mas tudo muda quando descobrem que o director da escola é Monokuma, um urso de peluche vivo com algumas intenções sádicas. Monokuma anuncia que estes são agora prisioneiros da escola e que a única forma de puderem fugir é ao assassinar alguém sem serem descobertos pelos colegas. Se o assassino for descoberto, este é executado, mas caso estejam errados, Monokuma irá executar todos os restantes e o assassino sairá em liberdade.

Este é o mote para um jogo onde a pressão, ambiente pesado, traição e suspeita sejam a ordem do dia. As excelentes personagens que englobam a turma estão extremamente bem construídas, e é impossível prever quem será o próximo assassino e quem está a tentar fazer com que o barco não vá ao fundo.

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A jogabilidade assenta em três estilos de acção diferentes, para começar existe a exploração de Hope’s Peak Academy na primeira pessoa, onde visitam várias zonas e falam com as personagem, outra onde investigam as cenas do crime procurando pistas que estão espalhadas pela imagem e por fim, a zona de tribunal onde usam as pistas para descobrir o verdadeiro culpado.

Infelizmente, a jogabilidade de Danganronpa: Trigger Happy Havoc está longe de ser viciante, mas esse resultado é prontamente colmatado com a forma como a história e os diálogos estão idealizados. É impossível conseguir parar de jogar pois a quantidade de novas questões que são levantadas e o véu de mistério provam que qualquer ser humano quer saber mais e como tudo irá acabar.

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Enquanto exploram a escola durante os tempos livres, a jogabilidade é bastante simples, mas após morrer alguém vão ter de recolher pistas. Nestes segmentos analisam as cenas do crime cuidadosamente e seleccionam os elementos que precisam de investigar. Isto pode ser feito com a mira usando o analógico ou seleccionando directamente no ecrã táctil.

Depois de reunir todas as pistas, são levados a tribunal onde precisam de usar aquilo que descobriram como conta-ponto para os argumentos que são utilizados para incriminar alguém de forma errada. As sequências de julgamento são divertidas e criam algum nervoso ao jogar, mas confesso que nem todos os mini-jogos desta sequência são bons e o de contra-atacar as palavras do principal acusado com uma espécie de jogo de ritmo é tudo menos divertido ou prático de jogar.

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Como devem ter percebido, Danganronpa: Trigger Happy Havoc mistura elementos de jogos como Persona e Phoenix Wright Ace Attorney, com muitas paredes de texto e interacção de personagens, mas este universo é bem mais obscuro e violento que os outros jogos. A forma como as personagens são assassinadas, o clima de desconforto e a pressão criada por Monokuma para incentivar aos assassinatos não é algo para todos.

Danganronpa: Trigger Happy Havoc faz lembrar imenso as Graphic Novels do género. Os cenários são bastante básicos e genéricos, sendo acompanhados de imagens desenhadas das personagens durante os diálogos ou cinmeáticas quando tal é necessário. A qualidade do desenho é bastante boa e as personagens transbordam personalidade apesar de serem cartões 2.5D sobre cenários despidos de grande detalhe.

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No que respeita ao áudio, existem vozes em inglês e japonês. As inglesas estão bastante boas, mas aconselho que joguem com as originais em japonês para uma experiência mais forte. Já em relação à banda sonora, esta está realmente muito boa e mistura uma série de ritmos leves electrónicos com outros mais sombrios em situações mais pesadas.

Danganronpa: Trigger Happy Havoc já tinha tido bastante sucesso na sua versão original lançada para a PSP, mas é na PS Vita que este título brilha com mais força. Desde o seu visual mais limpo à introdução do ecrã táctil, este é um jogo que está em casa nesta consola.

Apesar de ser um jogo totalmente diferente do que é o meu estilo predilecto, Danganronpa: Trigger Happy Havoc revelou ser uma grande surpresa. A sua história pesada e provocadora consegue ser ao mesmo tempo interessante e viciante. Sem grande dúvida este é para já o melhor jogo da PS Vita deste ano.

Positivo:

  • Históriapn-recomendado-ana
  • Personagens fortes
  • Ambiente perturbador
  • Recompensa usar as pistas
  • Adorar odiar Monokuma

Negativo:

  • É fácil juntar pistas
  • Cenários algo vazios
  • Julgamentos recorrem a mini-jogos pouco intuitivos

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Daniel Silvestre

Fã de jogos, filmes, anime e coisas do género. Jogo desde que me lembro e adoro RPG. Tenho uma grande colecção deles que tenciono acabar. Talvez um dia no lar da 3ª idade.

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