A segunda passagem por Lumiose, com Pokémon Legends Z-A, mesmo estando longe do que seria de esperar de um jogo de alto gabarito da franquia, acabou por até ser bastante divertido e realizar a tarefa simples de ser um jogo de Pokémon com algumas liberdades de jogabilidade, especialmente aproveitadas por usar o nome Legends. Mesmo que Legends Arceus tenha sido uma melhor aventura, Legends Z-A acabou por pender mais para o lado do positivo. Mega Dimension, o DLC de conteúdo extra de Pokémon Legends Z-A tinha hipótese de alargar o jogo original, mas acaba por ficar muito aquém do que devia ser.
A história coloca o jogador novamente ao lado da Team MZ para investigar o aparecimento de várias fendas dimensionais ligadas ao Pokémon mítico Hoopa. A narrativa é engraçada, mesmo que demasiado familiar, trazendo de volta personagens conhecidas como Korrina e Emma, que ajudam a aprofundar a narrativa por trás da Mega Evolução e das anomalias espaciais. A progressão é bastante interrompida por problemas relacionados com a gestão da história e o mundo do Hyperspace, o mundo alternativo que é o grande chamariz deste DLC.
Um dos maiores atrativos deste conteúdo adicional é a introdução de novas Mega Evoluções, algo que os fãs pediam desde o anúncio do projeto. O destaque vai para o Raichu, que recebe duas formas distintas, Mega Raichu X e Mega Raichu Y, cada uma com o seu próprio estilo de combate e exigindo pedras diferentes, mas não é o único neste formato, pois outros aparecem da mesma forma. Além disso, Pokémon como Zeraora, Baxcalibur e até os iniciais de Kalos recebem novas formas Mega, o que alarga vastamente as variedades de Pokémon que podem Mega Evoluir. Este é um sistema que funciona bem, é interessante de usar na equipa e vai certamente aumentar a pool de megas em Pokémon GO também.
No que toca à jogabilidade, o sistema de combate sem turnos de Legends Z-A continua praticamente igual. Neste DLC, a mobilidade do treinador e do Pokémon é ainda mais crucial, especialmente nos novos portais de desafio que variam entre uma e cinco estrelas. Estes portais funcionam como masmorras dinâmicas onde o nível de dificuldade sobe exponencialmente, com alguns encontros a recomendar que o jogador tenha a sua equipa no nível 200. É um à vossa aprendizagem ao longo do jogo original. Claro que o sistema de “lock-on” ainda continua a saltar ocasionamente no alvo, por isso nem sempre vão ser os mais eficazes por culpa do jogo.
Uma funcionalidade curiosa introduzida em Mega Dimension é o sistema de donuts. Ao utilizar diferentes combinações de berries, o jogador pode cozinhar donuts especiais no Hotel Z que conferem bónus temporários variados. Estes bónus podem aumentar a duração da Mega Evolução, melhorar a taxa de drop de itens raros ou aumentar atributos específicos como a velocidade e o ataque. É um sistema bem pensado por base, mas que nem sempre funciona da melhor forma, pois é também com estes Donuts que entram nas novas áreas dimensionais e caso tenham azar na experimentação dos Berries, podem acabar por ter limites muito curtos de tempo no Hyperspace, o que é uma perda de tempo.
Foram adicionando mais de 130 Pokémon que não estavam presentes no lançamento inicial de Pokémon Legends Z-A. Esta expansão do Pokédex permite criar equipas muito mais variadas e enfrentar os novos desafios com estratégias renovadas. A inclusão de Pokémon de gerações mais recentes, agora capazes de Megaevoluir, cria combinações interessantes que obrigam o jogador a repensar a sua forma de abordar os combates contra os novos Megas que funcionam como Bosses. Ter mais variedade e mais Pokédex para preencher é sempre bem-vindo, mas muitos parecem ter sido enfiados de forma aleatória no mapa do que certamente pensados com “carinho”.
Fora dos portais, a exploração urbana em Lumiose City subiu mais uns furos em conteúdo com novas side quests que levam o jogador a becos e áreas anteriormente inacessíveis. Mesmo que muitas destas missões sejam apenas para encher, algumas delas oferecem TMs novos e itens de personalização exclusivos, como os conjuntos Holo-X e Holo-Y.
Na Nintendo Switch 2, a performance continua a ser boa e fluída. A transição entre a Lumiose City normal e as zonas de distorção é instantânea, sem ecrãs de carregamento percetíveis que estraguem a imersão. A resolução mantém-se estável e os efeitos visuais das Mega Evoluções e dos portais dimensionais são positivos, com uma fluidez de 60 fotogramas por segundo que faz toda a diferença nos momentos de combate. As texturas e a iluminação no Hyperspace e Lumiose beneficiam claramente do poder extra da consola, assim comos modelos dos Pokémon e das personagens principais.
Mesmo sendo mais conteúdo para o jogo principal, o preço pedido pelo DLC e aquilo que ele faz, ainda para mais, tão próximo do lançamento, não devem ser aplaudidos. Estamos a falar do preço de muitos bons jogos mais baratos ou indies de alto gabarito para um DLC que parece mais o Endgame que acabou por não entrar no jogo por falta de tempo. Existe aqui muito sentimento de repetição e o loop acaba por se tornar aborrecido. Além disso, vão desafiar lutadores que já conhecem novamente, com muito pouca diferença. Faria sentido por metade do preço ou até menos. Pagar preço de expansão a sério por este conteúdo que já devia estar no jogo, não pareced bem.
Caso tenham adorado Pokémon Legends Z-A e queiram mesmo muito mais conteúdo dentro da mesma jogabilidade, até posso dizer que Mega Dimension faz sentido, mas não posso recomendar este DLC para qualquer outro jogador. O preço pedido não é justificado, tanto pelo que apresenta, como por nem ser assim muito bom.
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