- Plataformas: PS4, PS5, Xbox Series, Switch, Switch 2, PC
- Versão de Análise: PC
- Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.
Mina the Hollower é o novo jogo da Yacht Club Games, a produtora que ganhou imensa atenção devido a Shovel Knight que captou o estilo retro da NES e conseguiu criar uma experiência platformer que agradou imenso aos fãs. Desta vez a Yacht Club Games decidiu avançar um pouco na geração de consolas que queria emular, adaptando então a era do Game Boy Color.
Para quem cresceu com essa geração vão então achar Mina the Hollower bastante familiar, em especial se jogaram qualquer The Legend of Zelda que tenha saído nessa consola, servindo como a base de inspiração para o jogo. A maneira em como o mapa está desenhado como também alguns dos “puzzles” são reminiscentes daquilo que encontrariam nos velhos jogos da série Zelda. Por outro lado tanto o combate e exploração não só tomaram inspiração de Zelda como de outros jogos tal como Castlevania ou até a série Souls no que toca a algumas mecânicas.
A história foca-se em Mina que é convidada de volta a Tenebrous Isle para arranjar os geradores a mesma construiu à dez anos atrás para melhorar a vida dos cidadãos, mas que por alguma razão deixaram de funcionar. Como se não fosse o que bastava, monstros começaram a aparecer por todo o lado, uma revolta está a ter lugar, e por alguma razão o líder da cidade e velho amigo de Mina não está muito preocupado com alguns destes eventos.
Bem ao estilo dos jogos da era, somos apresentados com uma pequena cinemática no início sendo que após isso somos entregados ao nosso destino, sem muito para guiar a nossa aventura para além da nossa memória sobre o que é preciso fazer e o caminho em frente até encontra-mos uma parede. É uma reflecção do que havia na altura mas podia ter melhorado algumas opções, enquanto que existe um mapa que podem adquirir este apenas apresenta as áreas em geral, não oferecendo uma vista detalhada de cada zona. Ao contrário por exemplo da série Zelda que sempre ofereceu uma descrição detalhada de cada área e até dungeons, em Mina the Hollower o mapa não é muito útil, sendo melhor fazer uso da vossa memória para saber onde estão a ir.
Tal como foi dito acima, o combate é um misto de jogos, Mina pode utilizar apenas uma arma principal embora seja possível trocar entre outras em qualquer uma das bases, enquanto que a arma secundária não funciona da mesma maneira que a série Zelda mas sim Castlevania onde esta é encontrada ao destruir objectos e com uso limitado. E tal como Shovel Knight, Mina the Hollower também faz um uso semelhante ao sistema souls que a série da From Software apresentou. Se Mina for derrotada ela é enviada de volta até à última base que visitou, deixando todas as “bones” no local onde foi derrotada.
Estas bones são utilizadas tanto para aumentar Mina obrigatoriamente quando um certo montante é atingido ou para comprar items e melhorar certos locais. Para além disso, algo que foi novamente inspirado da série Souls é a maneira em como Mina regenera vida, utilizando vials que recuperam vida igual ao dano que Mina casou aos inimigos sem ser atacada. Todas estas mecânicas que foram inspiradas por outros jogos apesar de até funcionar, não são a melhor combinação para o formato de Mina the Hollower que está muito mais virado para o estilo de The Legend of Zelda, sendo uma pena que não invista mais nesse género para criar uma homenagem ainda mais perfeita à era. Pelo menos Mina oferece algo único que é a possibilidade de temporariamente navegar por debaixo da terra, sendo possível utilizar para aceder a outros locais ou esquivar alguns ataques.
Um pouco mais de ideias originais para a jogabilidade e movimento de Mina e podíamos ter algo impressionante e muito menos frustrante devido ao conflito de múltiplos géneros. Enquanto que Mina the Hollower possa ser uma boa representação da era o qual toma inspiração ao oferecer um jogo inspirado em The Legend of Zelda mas com alguns toques únicos e mecânicas de outras séries, a verdade é que também possui vários momentos frustrantes quer na exploração quer no combate. O movimento de Mina que é baseado em Zelda não é o melhor para esquivar e atacar os inimigos que movem-se à mesma velocidade de um NPC da série Souls nem para os ataques aéreos que requerem uma precisão quase exacta.
Tentar navegar às escuras e com várias plataformas e inimigos a esquivar não é o melhor dos momentos e acaba por criar situações bastante frustrantes em certas áreas, mas pelo menos as lutas contra os bosses não são assim tão más embora estas também não estejam bem desenhadas para o tipo de jogo que é. Por outro lado a apresentação visual, trabalho sonoro e até a história captam perfeitamente a era do Game Boy Color. E o mundo do jogo é bem criado e interessante, possuindo muito que explorar e apreciar quer tenham crescido com a geração do Game Boy Color ou não. Caso contrário, sempre podem fazer uso dos “modifiers” e alterar certas opções do jogo para serem mais fáceis ou difíceis.
Mina the Hollower é um jogo bom, muito bom até, capta perfeitamente o espírito da era, criando um mundo interessante e fazendo uma combinação interessante de bastante elementos, mas ao mesmo tempo esses mesmos elementos acabam por criar uma dificuldade desnecessária e impedem Mina the Hollower de ser um jogo excelente que possa ser recomendado a todos que queiram ter uma experiência “retro” moderna.
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