- Plataformas: PlayStation 5, PC
- Versão de Análise: PC
- Informação Adicional: Imagens retiradas da página Steam.
Já faz mais de dez anos desde que a TellTale Games criou The Walking Dead Season 1, um jogo que não só teve imenso sucesso mas também inspirou várias companhias a criar jogos semelhantes como Life is Strange, D4: Dark Dreams Don’t Die, entre outros. O reinado da TellTale Games foi curto, com a companhia a fechar, e desde então a onda de jogos cinemáticos interactivos não tem recebido muitas entradas. Mesmo que a TellTale Games tenha renascido das cinzas à seis anos atrás a verdade é que ainda não entregaram nada para além de promessas, no entanto alguns membros antigos da companhia decidiram pôr mãos à obra e trazer a velha magia que os jogos da TellTale Games eram conhecidos por oferecer.
AdHoC Studio é uma equipa composta por velhos membros da TellTale Games, que trabalharam em jogos como The Walking Dead e também The Wolf Among Us e Tales From the Borderlands, que são considerados como os melhores jogos que a TellTale Games alguma vez fez, apesar de serem os menos populares da companhia. Tendo um passado de peso eu estava mais que curioso para saber o que AdHoC iria trazer à mesa com Dispatch.
Dispatch é um jogo curto de oito episódios, cada um com cerca de uma hora de duração. A história coloca-nos no papel de Robert, um ex-herói que inicia um novo trabalho como “dispatcher” onde o objectivo é o de receber chamadas de civis que necessitam de assistência e enviar heróis para resolver os problemas. E é aqui onde vamos encontrar a nossa jogabilidade.
O jogador estará ao encargo de uma parte de Los Angeles onde múltiplos pedidos de ajuda irão aparecer no mapa, havendo a possibilidade de aceitar ou ignorar estes pedidos. Aceitando um pedido de ajuda o passo seguinte é o de selecionar o herói ou heróis melhor qualificados para o trabalho em questão. A descrição do objectivo conta com algumas pistas que indicam qual a habilidade necessária para resolver o conflito, com o resultado final a ser baseado em RNG, quanto maior for a habilidade necessária para resolver o conflito maior é a possibilidade de sucesso.
Se o resultado for satisfatório então o herói(s) será recompensado com experiência que será usada para aumentar uma das habilidades disponíveis. Para além disso, cada herói possui poderes especiais que podem ajudar durante cada pedido. Alguns destes poderes tem de ser descobertos jogando normalmente e outros são uma versão avançada ou adicional do poder inicial que podem ser aprendidos em lições especiais. Estas opções e os desafios de cada pedido que irão aumentando de dificuldade fazem com que um pouco de estratégia seja necessária quando chega a hora de mandar os nossos heróis para o campo. É certamente uma adição bem vinda a este tipo de jogo interativo ao invés do habitual caminhar e pegar em objectos para ouvir uma ou duas linhas de diálogo.
Falando sobre a história, o primeiro ponto negativo é o quão curto é. Oito horas no total não é o suficiente quando existe um elenco que é o dobro disso. A premissa inicial para Dispatch é a de Robert estar ao encargo de uma equipa de ex-vilões com o objectivo de os reformar em heróis oficiais. Mas à medida que a história vai avançando, esta foca-se mais e mais em certas personagens específicas, deixando um elenco inteiro às escuras e sem grande desenvolvimento. Este é um dos pontos mais fracos de Dispatch, tendo lugar num mundo onde super heróis e vilões são considerados normais, existe todo um elenco de personagens com poderes ou situações e passados interessantes, no entanto o jogo nunca dá a oportunidade de os conhecer melhor em conversas pessoais, dando então lugar a duas histórias secundárias. Robert contra o seu nemesis, e com ou sem romance, Invisigal.
É uma pena que ao invés de a história focar-se no elenco de ex-vilões que fazem agora parte da equipa de heróis, abordando temas como a sociedade os vê, a dificuldade que tem em adaptar-se a uma nova vida que segue a lei ou até problemas com o passado, a história decide pôr tudo isso de lado e decidir que é tudo resolvido quando o jogador não estava a olhar. Mesmo um momento específico onde um herói ficou deprimido, o que afectou a sua performance no trabalho, apenas é relevante por uns minutos e nunca mais é explorado, tornando-se numa piada durante o resto da história. Todo o potencial que a história tinha é desperdiçado, e o resultado final é algo que apenas mantém o jogador entretido enquanto está a jogar, perdendo de imediato toda a magia assim que os créditos finais terminem.
Apesar do foco enorme em Invisigal, a ideia de guiar uma pessoa para garantir que está a adaptar-se a um novo sistema que seja aceitada como um individual reformado dos seus dias de crime é um bom toque que adiciona mais ao tema principal do jogo, o problema é que Invisigal é apenas uma das personagem quando que Robert tem disponível uma equipa inteira com o mesmo problema. Fazendo com que não só a premissa inicial do jogo e as personagens que podiam adicionar muito mais à história sejam desperdiçadas em favor da adição de romance, algo que nem é explorado a fundo com ambas as personagens para além de um ou dois beijos.
AdHoC consegue recriar a magia que a TellTale Games oferecia com os seus jogos mas ao mesmo tempo os mesmos desapontamentos também estão presentes. A jogabilidade é possivelmente o ponto mais alto do jogo, substituindo o clássico caminhar e explorar que outros jogos do género possuem. No entanto a história é básica e algo que muitas outras entradas de super heróis já fizeram, as escolhas seguem o mesmo formato que a TellTale Games oferecia, não tendo um impacto drástico para além de mudar pequenas cenas ao contrário de algo como uma visual novel. Dispatch faz um bom trabalho como um substituo de uma pequena temporada TV interactiva, entretendo os jogadores com as suas personagens e os eventos que estão a acontecer enquanto estes estão a jogar. Mas assim que a aventura termina toda a magia desaparece, deixando muito a desejar tal como a era actual de filmes e jogos de super heróis.
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