Review – Death Stranding 2: On the Beach

Death Stranding 2: On the Beach, era um dos jogos mais antecipados para a PS5 a sair durante este ano.  Afinal, é o jogo que promete continuar a saga de Sam Porter Bridges e expandir o universo criado por Hideo Kojima. O jogo original, lançado em 2019, dividiu opiniões com a sua abordagem lenta, meditativa e focada na construção de conexões, apesar disso e com a sua passagem para outras plataformas, aos poucos foi atingindo um certo estatuto de culto, aclamado pelo seu design de mundo inovador e narrativa complexa. Agora, com a nova geração de consolas e a promessa de um motor de jogo ainda mais evoluído, parecia que todos acreditavam agora novamente no génio de Kojima.

Tudo indicava que Death Stranding 2: On the Beach ia conseguir evoluir a sua fórmula peculiar sem perder a essência que o tornou tão especial, afinal, o criado está embrenhado em vários projetos e havia aqui um legado para criar. Uma coisa é certa, esta sequela é maior, mais ambiciosa e igualmente provocadora. Nada que a audiência já não esperasse da mesma pessoa que criou Metal Gear.

Recordando o mundo desolado do primeiro Death Stranding, onde a principal tarefa era ligar uma América fragmentada. Death Stranding 2: On the Beach recicla nesses alicerces e constrói sobre eles de forma igualmente eficaz. A narrativa continua a seguir Sam, agora mais velho e com um fardo ainda maior, numa nova missão para conectar um mundo cada vez mais próximo do colapso. O mundo de jogo, embora familiar, parece ter mudado significativamente, com novas áreas para serem exploradas e um maior foco em ecossistemas e biomas que nos dão alguma sensação de viagem. As ameaças também evoluíram. Os BTs parecem mais sinistros e imprevisíveis, e há novas fações de MULEs e outros inimigos que tornam as viagens bastante perigosas e os já esperados momentos de tensão.

A atmosfera, que sempre foi um ponto forte do jogo, continua a ser uma experiência forte, combinando momentos de profunda paz e tranquildade, com picos de tensão e suores frios. Hideo Kojima conseguiu, mais uma vez, criar um universo onde cada viagem, cada zona e cada encontro com o inesperado têm um peso emocional e narrativo muito próprios e que raramente encontramos noutros títulos. A história, como esperado, é complexa e cheia de reviravoltas, dando atenção a temas como o destino, a conexão humana e o papel da esperança num mundo em ruínas. Estes momentos são contados na acção, mas muito com um toque cinematográfico inconfundível.

O cerne da experiência de jogo em Death Stranding 2: On the Beach é, sem sombra de dúvida, a sua jogabilidade, e é aqui que o jogo demonstra a sua maior evolução. A mecânica de entrega, que definia o primeiro jogo, foi aprimorada e expandida de formas engenhosas. As ferramentas de Sam são mais variadas e sofisticadas, com novos veículos, drones e equipamentos que tornam a travessia dos terrenos acidentados mais acessível, mas também mais gratificante. A liberdade de abordagem foi amplificada, e vocês terão ainda mais opções para ultrapassar rios, montanhas e precipícios.

A fusão entre o combate e a exploração também foi melhorada. Embora o combate continue a não ser o foco principal, oferece mais opções e acaba por parecer mais responsivo e até justo, além de que os novos inimigos exigem uma abordagem mais estratégica. A inovação mais notável, porém, reside na evolução do sistema de conexão social, o “Strand”. A forma como interagem com o mundo e com os outros jogadores foi aprofundada, com novas formas de colaboração e de construção de estruturas que tem impacto de forma mais significativa na jornada de todos os jogadores. Há um foco maior na ideia de construir e manter a infraestrutura em funcionamento, o que faz com que cada ação individual de um jogador se sinta parte de um esforço coletivo muito maior, fortalecendo o laço entre a comunidade e dando mais gratificação pela construção de novos projetos.

Em termos visuais e de performance, Death Stranding 2: On the Beach é, sem surpresa, um portento técnico e puxa bem pela PS5 (não temos PS5 Pro para poder avaliar). O poder do hardware da consola é utilizado em grandes quantidades para apresentar um mundo de jogo com uma fidelidade gráfica impressionante. Os modelos das personagens são muito detalhados, assim como as texturas dos ambientes, desde as rochas mais simples às superfícies húmidas, que acabam por parecer quase fotorrealistas. A luminação dinâmica e os efeitos climáticos são verdadeiramente assombrosos e ajudam bastante a dar mais vida aos cenários por onde passam. A taxa de FPS é sólida e consistente, mantendo-se estável mesmo nos momentos de maior ação ou nas paisagens mais vastas, o que não deixa de ser impressionante para a PS5 base.

O modo 4K oferece uma nitidez e qualidade ainda maior, o que realça a direção artística de Kojima, enquanto o modo performance garante uma fluidez constante. No mundo ideal, teria os dois, mas já se torna complicado jogar jogos a 30 fps. Os tempos de loading são praticamente inexistentes graças ao SSD da PS5, o que mantém a imersão da aventura intacta. A utilização das funcionalidades do comando DualSense, como o feedback háptico e os gatilhos adaptativos, enriquece a experiência, permitindo-vos sentir ainda mais o peso de cada conjunto de caixas ou tralha e a tensão aplicada de cada disparo. A atenção ao detalhe técnico é forte, e é aqui que o jogo se eleva acima de muitos outros, demonstrando o que é possível quando um estúdio de primeira linha se dedica a otimizar um jogo para uma plataforma específica.

Death Stranding 2: On the Beach é uma evolução da sua filosofia de design e de narrativa. A equipa de Kojima Productions conseguiu aprofundar a fórmula do original de forma a torná-la mais acessível em alguns aspetos, mas sem nunca comprometer a sua visão artística e a sua singularidade já implantada no primeiro. O jogo honra o seu legado ao expandir as mecânicas que o tornaram famoso (ou às vezes o contrário), oferecendo um mundo mais vasto, uma narrativa mais complexa e cheia de pormenores e uma jogabilidade mais refinada. É um título que também exige paciência e dedicação, mas que recompensa com alguns momentos memoráveis e mais uma jornada que pode ser lida com várias interpretações.

Death Stranding 2: On the Beach é um jogo que merece ser jogado, não só por quem já se apaixonou pelo original, mas por todos os que procuram algo diferente do convencional. Seja pela música, escolha dos atores e de todos os momentos pouco ortodoxos, os fãs de Hideo Kojima sabem bem pelo que devem esperar, mas já existe aqui conteúdo e confiança suficiente para ir além do nicho. Tudo parece funcionar melhor e com mais simplicidade e o resultado final é também mais coeso e sólido que o primero jogo.

Daniel Silvestre
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