- Plataformas: PlayStation 5, Xbox Series, PC
- Versão de Análise: PC
- Informação Adicional: Imagens retiradas durante as sessões de jogo.
Após vários anos a ser a mãe de Hitman, a IOI teve a oportunidade de pegar numa das caras mais famosas do mundo de espionagem e criar um jogo dedicado ao mesmo. Tendo sido anunciado em 2020, a IO Interactive demorou até revelar um pouco mais sobre o mesmo, levantando a questão de se o jogo estaria a sofrer com alguns problemas de produção ou não uma vez que não seria o primeiro a demorar tanto tempo para ver a luz do dia. Quando fomos surpreendidos com os primeiros vídeos jogabilidade. 007: First Light ainda possuía um aspecto bem distante de ser final, necessitando de ser polido um pouco mais, no entanto o jogo parecia interessante e bem diferente de Hitman apesar de utilizar um formato familiar, o que era muito bem vindo.
Chegando o dia do seu lançamento a IO Interactive provou que James Bond estava em boas mãos, criando um jogo digno da saga 007. Neste caso 007: First Light toma um formato mais moderno, seguindo um jovem James Bond nos tempos modernos que junta-se à MI6 após um pequeno incidente e entra no programa “00” que foi trazido de volta das cinzas. É basicamente uma história de origem onde o programa “00” entra na sua segunda geração de espiões e onde a tecnologia que Bond utiliza adapta os tempos modernos, estando mais perto de ser semelhante à era de Daniel Craig que serviu como um pequeno reboot da franquia, ao invés de seguir os filmes originais dos anos 60.
Os fãs mais casuais vão então encontrar uma aventura digna de James Bond, seguindo a sua história de origem, encontrando personagens icónicas, a típica “bond girl” que é uma marca dos filmes e até a habitual canção de abertura que desta vez foi criada por Lana Del Rey e David Arnold. Já os fãs mais hardcore da série irão deparar-se com um jogo feito com muito amor e carinho, encontrando várias referências às obras anteriores de 007 e que distancia-se bem dos elementos de Hitman.
Começando pela personagem, 007: First Light trás uma nova cara para o papel de James Bond uma vez que a era de Daniel Craig terminou e até ao momento ainda não existe um novo actor para representar a personagem. Patrick Gibson foi então a pessoa escolhida para o papel, oferecendo uma excelente interpretação de um jovem e inexperiente James Bond que também possui um pouco de atitude. É uma interpretação diferente do James Bond dos filmes que apresenta mais experiência e uma atitude menos desafiante, mas é bem apresentado sem ser exagerado ou que não pertence à personagem, reforçando a ideia deste Bond ser um jovem adulto que irá tornar-se no lendário 007.
O jogo segue os meses iniciais onde Bond junta-se à MI6 e começa o seu treino de agente secreto juntamente com o resto dos candidatos para o novo programa 00, seguido pela revelação que um dos agentes do original programa 00 que traiu a MI6 voltou a dar sinais de vida, com objectivo a tornar-se na procura deste agente que conhece vários segredos da MI6.
A história possui vários momentos dignos de pertencer a um dos filmes de 007, e conta alguns elementos interessantes, mas também possui vários momentos previsíveis e que podiam ter sido melhor feitos ou escrito de outra forma para serem um pouco mais originais. Faz bem o seu trabalho de ser uma história de James Bond mas não é algo que destaca-se das outras obras que a série já viu. Por outro lado a relação entre Bond e os seus colegas é um dos pontos mais fortes que 007: First Light oferece, tanto a nova reincarnação de personagens icónicas como as personagens originais criadas para a história deste jogo contam com uma excelente dinâmica com Bond, chegando ao ponto de desejar que o jogo todo contasse com missões de duplas ou mais, ao contrário das infiltrações solo que James Bond é conhecido, embora existam algumas missões onde Bond não estará sozinho, mas o mesmo terá de agir independente dos seus colegas.
A maneira em como o jogo está estruturado é semelhante ao estilo da trilogia Hitman: World of Assassination, colocando os jogadores numa área sandbox e oferecendo um pouco de liberdade para perseguir a missão da melhor maneira que acharem possível. Enquanto que Hitman oferecia liberdade total para eliminar os alvos de maneira criativa, First Light segue uma estrutura mais linear e focada na sua história, com Bond a seguir o seu papel de espião secreto ao invés de ser um assassino tal como Agent 47. Enquanto que os níveis estão bem estruturados e por vezes mudando de área à medida que o jogador vai avançando na história, existe apenas um pouco de variedade em certos objectivos ou maneiras de infiltração, o que pode tornar a rejogabilidade um pouco insignificante uma vez que o jogador irá repetir a maioria dos níveis da mesma forma. No entanto é bom ver um jogo que está mais focado na sua história e linear em comparação com os mundos abertos mas vazios e sem vida que a maioria está a criar hoje em dia.
O formato de cada nível é dividido entre múltiplas secções; investigação, infiltração, combate e por vezes também uma secção de perseguição de veículo. Investigação e infiltração andam por vezes de mãos dadas onde Bond necessita de encontrar uma maneira de chegar ao seu alvo, encontrando pedaços de informação em documentos espalhados pelo nível, ao ouvir pessoas a falar e por vezes a entrar em lugares onde não devia. Uma vez que Bond é um pacifista e não mata pessoas a não ser que seja mesmo necessário, o jogador terá que utilizar os múltiplos gadgets que Bond possui (alguns bem famosos) para poder distrair os NPCs ou então o sistema de “bluffing” que permite a Bond de temporariamente enganar qualquer pessoa que esteja a suspeitar do mesmo, sendo uma adição muito bem vinda e que distancia First Light da trilogia Hitman uma vez que irá haver menos possibilidades de utilizar disfarces para poder facilmente aceder a áreas interditas.
O combate também é bem diferente, nas secções designadas como “licença para matar” as opções para armas são bem mais limitadas comparado a Hitman, no entanto existem outras novidades, o combate cqc é mais intuitivo e como opção extra é possível utilizar o ambiente a nosso favor, havendo mais opções para criar explosões ou até a possibilidade de atirar pequenos objectos contra os inimigos, tornando o combate bem mais divertido que em Hitman. E por fim irão por vezes encontrar seções onde terão de conduzir um carro enquanto perseguem o vosso alvo, uma novidade que não esteve presente nos jogos anteriores da IO Interactive e que está bem implementado, e que juntamente com o combate torna os momentos de acção frenética no melhor que First Light pode oferecer.
Quanto à sua performance e apresentação, 007: First Light tem um aspecto incrível com o seu cenário e corre extremamente bem e sem grandes problemas ao contrário do que ainda era visível nos primeiros vídeos jogabilidade que foram demonstrados, indicando que o tempo extra para polir o jogo foi muito bem vindo. A banda sonora faz um bom uso dos temas icónicos da série que juntamente com a cinematografia cria uma boa emulação de um jogo que parece ser um filme mas que continua a ser um jogo, ao contrário de outras grandes produções AAA que estão mais obcecadas em parecer uma obra de Hollywood do que um videojogo.
007: First Light é prova que James Bond não podia estar em melhores mãos. A produtora Dinamarquesa fez um jogo com amor, carinho e respeito à obra original, tendo cuidado para não criar uma cópia de Hitman com a pele de James Bond. E enquanto que possui o seu dna, First Light acaba por ser bastante diferente, partindo numa direcção bem diferente e melhorando uma fórmula que parecia ter alcançado a sua forma final. Sendo o possível início de uma nova trilogia, 007: First Light fez um bom trabalho como introdução para a personagem e mundo, sendo que necessita de prestar um pouco de atenção à sua história que não foi a mais inovadora de sempre, e estrutura dos níveis para que haja menos repetição.
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