PróximoNível ao Domingo T2 – Artigo 7 por Alistair

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Mais um Domingo que chega e mais um PróximoNível ao Domingo que chega ao site. Desta vez o corajoso foi o Alistair que trouxe para cima da mesa um dos meus temas favoritos em todos os estilos de mídia. Sem mais demoras, passo a palavra a quem percebe da coisa:

PróximoNível ao Domingo T2 – Artigo 7

Por: Alistair

 

Será que desejamos uma liberdade tão completa, como o proclamamos?

Estou a adiantar-me…

Boas, pessoal! Estão prontos para mais um PróximoNível ao Domingo? Esta semana, coube-me esta honra. Decidi arriscar um pouco e fazer um PND temático. E qual é o tema? Bem, este está, correntemente, em voga (Hunger Games, Divergent…) e é, nada mais, nada menos, que distopia.

Não querendo fazer, desta leitura de domingo, algo demasiado pesado, permitam-me que esclareça, para aqueles que não sabem ou não se lembram, com a ajuda da nossa amiga Wikipédia, o que é isto de distopia. “Distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma “utopia negativa”. As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controlo da sociedade. Nelas, “caem as cortinas”, e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controlo, seja do Estado, seja de instituições ou mesmo de corporações.”

Vamos começar! Prontos?

Para recordar:

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Corria o ano de 1999 e os Irmãos Wachowski lançavam um ataque cinematográfico, que mudaria a face da Sétima Arte. Matrix foi um marco, seja pela maneira como fundiu acção com ficção científica, seja pela forma como abriu o género às massas. Tendo colhido inspirações de diversas obras, nesta mistura, tornou-se quase único… Onde mais conseguem ver, numa cena, uma estranha linguagem de código informático a correr e, imediatamente, a seguir uma luta de kung fu? O filme levanta interessantes questões filosóficas e sociológicas, debruçando-se sobre temas como o nosso lugar no mundo, os limites da mente humana ou, acima de tudo, a realidade daquilo que chamamos liberdade. As respostas não são dadas de barato, em vez disso, somos convidados a fazer a viagem com o protagonista, enquanto ele (e também nós) as procura. As sequelas não foram tão bem conseguidas, mas ainda merecem visionamento, principalmente, por quem gostou do primeiro. De qualquer forma, teremos sempre este pedaço de cinema-revolução da viragem de milénio.

Para jogar:

Nesta secção, vou aconselhar-vos dois dos meus jogos predilectos da geração passada.

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Remember Me saiu durante este ano e é um jogo notável sob várias perspectivas. Apesar dos óbvios problemas de câmara e de fluidez de algumas partes da jogabilidade, é uma experiência de elevada qualidade, para qualquer amante de videojogos. Além da protagonista carismática (uma caçadora de memórias amnésica e com a capacidade única de alterar recordações), algumas boss battles épicas e história sólida e interessante, tem uma ambiência incrível e envolvente (Neo-Paris é bastante cativante) e apresenta, de forma brilhante, o conceito de distopia, em todo o seu esplendor. Uma grande corporação, responsável pela venda, compra e armazenamento de memórias, é o principal antagonista; existe um grupo rebelde, da qual a protagonista faz parte, liderado por um misterioso homem; a degradação da sociedade é visível para todos, mas ninguém faz caso, dum lado, os ricos e felizes (por não terem más memórias), do outro os pobres, que vivem em condições miseráveis, havendo inclusive seres, outrora humanos, distorcidos pelo vício por memórias. Presente, a qualquer altura, está a questão: “qual o valor das nossas memórias?”. Posto isto, tenho que elogiar a DontNod e esperar que eles dêem continuação a este universo, porque esta dose soube a pouco. Se quiserem saber mais, podem ler a análise aqui, no PróximoNível.

January 29th, 2011 @ 19:11:28

Deus Ex: Human Revolution saiu em 2011 e a sua arte arrojada, o seu ambiente cyberpunk, o protagonista fascinante e jogabilidade sólida, rapidamente, ganharam a crítica e o público em geral. Filosófica e sociologicamente, é dos jogos mais poderosos que alguma fez joguei. Tem todos os ingredientes de uma boa distopia (grandes corporações mais poderosas que governos, grupos rebeldes, disparidades sociais, vocês nomeiem), suplementados com o fabuloso tema do transhumanismo (“será possível o homem ser mais ao fundir-se com a tecnologia?”). Confesso que não cheguei a acabar o jogo (vicissitudes da vida…), mas, algum dia, o farei. No entanto, adorei cada momento que experienciei e isso aliado à temática forte e interessante, é suficiente para que vos recomende este jogo. Quem quiser saber mais pode ler a análise à versão Director’s Cut, aqui, no PróximoNível.

Para ver:

Nesta última secção, vou indicar um filme e um anime.

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Dark City saiu em 1998 e é uma notável obra de Alex Proyas. Apesar de pouco conhecido, tem um elenco interessante, encabeçado por Rufus Sewell (num dos seus melhores papéis), Kiefer Sutherland e Jennifer Connelly. John (interpretado por Sewell) acorda numa banheira de hotel, sem memória. Descobrindo um corpo no quarto, decide fugir, para acabar por ser perseguido pela polícia e por uns seres estranhos com poderes. Isto é apenas o ponto de partida para uma história de luta, superação e vontade humana, passada num ambiente escuro e paradoxalmente vivo. Uma nota: não se admirem se forem tocados por uma sensação de déjà vu. Os mais atentos vão perceber que este filme foi uma forte inspiração para Matrix.

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Code Geass: Hangyaku no Lelouch, entre 2006 e 2007, tomou de assalto o mundo anime. Este é, provavelmente, o meu anime preferido. Lelouch é uma das personagens mais carismáticas e inteligentes que alguma vez encontrei e é acompanhado por algumas personagens quase tão interessantes quanto ele. A história é fabulosa e, como o próprio nome indica, é, essencialmente, sobre rebelião. O Japão tornou-se uma colónia de um super-império e os seus cidadãos são oprimidos e obrigados a largar a sua identidade nacional. Como é óbvio, nem toda a gente está de acordo com isto e logo surgem movimentos rebeldes, sendo este o contexto deste anime. É passado num mundo vivo, com conceitos estimulantes (misticismo, mechas…), recheado de vingança, amizade, família e sonhos. Podia estar até amanhã a falar sobre um dos meus favoritos, mas vou apenas dizer isto: se ainda não viram, vejam. Não se vão arrepender!

E com isto, acabo este PND.

Comentem à vontade. Dêem as vossas sugestões. E encorajo a comunidade a debater este tema e a tentar responder à questão que coloquei no início. Eu também tentarei participar nessa discussão.

Boa sorte para a pessoa que tiver esta honra, na próxima semana.

Boas Festas!

E…

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Próximo PND por: Guilhathorn

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Lfo

Deus Ex e Remember me são jogos que irei jogar sem dúvida em 2014.
GJ.

Alistair

Fazes bem. 🙂
Remember Me, por exemplo, foi das melhores experiências videojogáveis que tive, nos últimos dois anos.

Kanudo

Conheço uma pessoa que já vai curtir este PND só por teres referido o Code Geass x)

Marco Correia

HAHAHAHAHAH

Alistair

Não o podia deixar de fora. É só “O” Code Geass”! 😛

Marco Correia

A pessoa que o Kanudo fala sou eu. Code Geass é o melhor anime que já vi. e o Lelouch……………bem é o Lelo!

Alistair

Só mostra que tens excelente gosto. 😀
o Lelouch é, como disse, uma das melhores personagens de sempre. Pelo menos, para mim.

Marco Correia

para ti e para quem viu code geass xD

Guilhathorn

Mais recomendações a ter em conta, a lista já está a abarrotar com as restantes dos PNDs anteriores xD O único jogo, baseado numa distopia, que joguei foi o Bioshock, ou melhor a saga, agrada-me bastante esse tipo de ambiente e a mensagem política que contém. Outro filme que vi e que também tem por base uma distopia foi o Artificial Inteligence, also very good.
Calculo que o próximo seja eu a escrever certo?

Alistair

Tenho, cá em casa, o 1984. Vou ter de arranjar tempo para o ler. Disso não tenho dúvida. 🙂

Também tenho na minha lista de futuros jogos a jogar o BioShock. Do pouco que lhe toquei achei bastante interessante.

Silver4000

Até gosto do tema, li na semana passada toda a trilogia do Hunger Games e adorei, jogos deste gênero joguei o Bioshock, o mês passado, e também gostei.
.
Porque nunca se està contente com o que se tem, existe sempre alguém a querer o poder, e outros a abusar dele.
Agora não consigo trabalhar a cabeça para escrever algo mais, se entretanto me vier algo e escrevo 😛

Alistair

Acho que o problema chega a ser mais profundo que isso. Do que o simples desejo de poder ou o abuso de poder.
Uma pergunta: Nunca te sentiste aliviado (ou até contente), quando tens que tomar uma decisão importante e, de repente, a decisão possível é apenas uma (ou uma decisão fácil)? Seja por questões de acaso ou porque outra pessoa te “limita”.
É que repara, sem querer entrar em polémicas, em todos os regimes autoritários, grande parte da população está confortável com a situação. Porquê? Talvez por terem uma vida pacata e ocupada (que não permite tempo para pensar no assunto ou rebelar-se) ou talvez porque ficam aliviados por certas situações aflitivas de futuro estarem, à partida, arredadas. Será assim tão mau desejar uma vida simples, sem ter qualquer medo ou dúvida quando se olha para o futuro?
Claro que isto não se aplica a toda a gente… mas acho que quase todos já sentimos alívio por não termos que fazer certas escolhas.

golden guy

o PND desta semana está decente,mencionaste code geass(tenho continuar a ver esse) e matrix(cujo é um dos meus filmes favoritos.
Pelo que joguei do deus ex human revolution,pareceume muito interessante para um western rpg mas nunca joguei remember me(o titulo faz me lembrar aquele de romance com o robert partinson).
Já agora ja viste death note?É muito parecido com code geass porque ambas personagens querem ter um mundo em paz,sem guerras e sem pessoas más.

Marco Correia

oh! não compares CG a DN pls

Alistair

Sim, já vi. Gostei bastante!… Mas gosto mais de Gode Geass. 🙂
No entanto, não podia mencionar Death Note, porque não se enquadra no tema. A não ser que consideres que já estamos todos a viver numa distopia. 😛

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