PN Jukebox #97 – Metal Gear Solid V: The Phantom Pain

Já que se reviveu o hábito de uma nova rubrica semanal, porque não reviver uma rubrica que já estava a ganhar pó? O PróximoNível Jukebox volta em grande, desta vez dedicado ao último jogo [principal] lançado da série, Metal Gear Solid V: Phantom Pain. Nos dias que correm poucos são os que se lembram do sofrimento que foi esperar pelo lançamento deste jogo. Trailer após trailer, a demora aumentava, e para um fã de longa data, não podia haver pior cenário. No entanto, valeu totalmente a espera, pois já dizia alguém, ‘mais vale um jogo adiado, do que um jogo mau‘.

Metal Gear Solid é das minhas franquias favoritas de todos os tempos, não é como se a minha descrição de perfil, rapidamente denunciasse este facto. De entre os vários motivos que me fazem gostar tanto deste vasto universo está, pois claro, a banda sonora. É algo que nunca me desilude, Kojima tem um bom olho (neste caso bom ouvido) no que toca ao gosto musical. Phantom Pain conta não apenas com as típicas faixas de ação/suspense tocadas de fundo durante a gameplay, como também um sistema de leitor de músicas, indo buscar vários artistas do século passado, para rechear a banda sonora.

A escolha incidiu a fundo em músicas licenciadas dos anos 80 e algumas dos anos 90. Temos desde os clássicos memoráveis com Take On Me (a-ha), Friday I’m In Love (The Cure) e The Final Countdown (Europe), havendo também espaço para outras não tão conhecidas como Maneater (Hall & Oates), Only Time Will Tell (Asia) e Too Shy (Kajagoogoo). O que faz esta escolha ser tão interessante, é que na prática, não se trata apenas de ouvi-las ocasionalmente numa cutscene, mas sim porque estão presentes durante toda a gameplay, basta querermos.

O nosso iDroid, dispositivo com múltiplas funções, é capaz de inúmeras falas de diálogos entre personagens, intel para missões e as tais faixas musicais. Basta abrirmos o menu e automaticamente temos acesso a uma boa dezena de músicas. Servem tanto para aumentar a intensidade de um dado momento, como para destoar completamente e tornar a situação numa autentica paródia. Como se trata do primeiro jogo da série, com um mundo aberto, totalmente explorável, podemos também ouvir estas e outras músicas, quase como se estivéssemos dentro de um carro a ouvir uma estação de rádio no GTA.

Já se tornou um costume da franquia, cada jogo vir acompanhado como uma música temática específica. Aqui, temos duas, que se tornam bastante marcantes ao longo da campanha. Desde Sins Of The Father de autoria de Donna Burke, que aparece em momentos chave da história, elevando a carga dramática das situações. E ainda outra música que foi bastante usada em vários clips promocionais e afins, refiro-me a The Man Who Sold The World , uma cover do saudoso David Bowie.

A presença de Bowie não se reflete apenas nessa música, até porque Kojima é um fã assumido do camaleão do Rock. Por exemplo, a equipa militar de Big Boss de nome Diamond Dogs é uma alusão clara a uma música de mesmo nome de Bowie. Outra referência está pois no visual de Kazz ou Master Miller que é uma recriação da cara do artista, referido acima. Há outras tantas espalhadas pelos outros jogos, mas a presença de Bowie aqui tem outro significado, uma vez que o jogo foi lançado no final de 2015, poucos meses antes da morte do artista à custa de uma doença terminal, servindo assim como uma grande homenagem ao mesmo.

Embora o destaque tenha sido em torno das músicas licenciadas, as músicas instrumentais que estão também presentes, acabam por ser de grande qualidade, entre elas, V Has Come To ou a versão instrumental da música tema de Quiet. Outras já “veteranas” da série encontram também um espaço quer seja pelas cutscenes ou pelo próprio iDroid. Tais como Here’s To You do aclamado Ennio Morricone (conhecido pelo seu trabalho em filmes clássicos de western) ou Heavens Divide retirada diretamente de Metal Gear Solid: Peace Walker.

Seja qual for a razão que vos tenha levado ou vos leve a entrar em Metal Gear Solid: Phantom Pain, a verdade é que há um bom número de razões para considerar este um excelente jogo. Entre eles a banda sonora, que aqui destaquei. Com a ausência de Kojima da Konami, vai ser uma tarefa difícil retomar a franquia com a mesma qualidade que outrora tinha.

Até porque Metal Gear está totalmente nas mãos desta empresa, visto ser a detentora dos direitos do IP, daí que Kojima não consiga trabalhar neste projeto, de forma autónoma, com a sua equipa. No horizonte temos já em pré-produção uma adaptação cinematográfica da franquia, esperemos que  esta faça jus aos jogos, e sobretudo, faça a Konami repensar duas vezes quanto ao que fazer com ela. Podem ver a nossa análise ao jogo de seguida: Análise – Metal Gear Solid V: Phantom Pain.

João Luzio
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