O que diz o Fox? – Artigo 3

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“Spoiler Alert”: este artigo pode conter texto!

E não é que contém mesmo? A partir daqui lêem por vossa conta e risco. E a meio do texto vai aparecer ainda mais texto! Muahahah… (riso maléfico) Devia ser banido pelo que estou a fazer. Mas é algo tão banal, nos dias que correm, que já nem sabemos bem distinguir o que é ou não “spoiler”. Longe vão os tempos em que pegava numa caixa de um jogo, olhava para o seu verso, lia a descrição e decidia se queria ou não jogar. Hoje não consigo dar-me a esse luxo. Nem é tanto pelo preço do jogo (também é, em parte), mas pelo que essa pequenina acção me pode afectar.

Ou estou a ficar demasiado exigente, ou as produtoras contam demasiado o que não quero saber. Mas se não quero saber, então como sei se vou gostar? Como é que decido se quero um jogo (ou um filme, ou um livro), se tenho de evitar saber sobre ele para não me estragar a experiência ao jogá-lo? Como diria a Presidente do Brasil, é um… Dil[e]ma. (Tomates podres, a mim!)

Bom, obviamente que estou a exagerar, tocando nos extremos da questão. Mas, na verdade, há cada vez mais “spoilers” um pouco por todo o lado (Spoiler: no português, cepoilaro, aquele que cepoila. É mais ou menos isto. Pronto, pronto, é um sujeito que revela dados importantes sobre, por exemplo, um livro, um filme, um jogo, uma girafa, etc. Um chato, portanto. A evitar a todo o custo). Hoje temos acesso a toda a informação que quisermos, momentos depois de alguma coisa acontecer, durante o acontecimento e, nos dias seguintes, papoilas e papoilas de informação (sim, papoilas. Em Abril usarei cravos, prometo). Portanto, também fica difícil escolher a informação menos… “informada” possível.

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Spoiler alert!

Os spoilers também são usados em força na publicidade que se faz a um determinado produto. Mas quando é demais pode fazer-nos perder o interesse por ele. Refiro-me, por exemplo, ao mais recente título da famosa saga da Ubisoft, Assassin’s Creed IV: Black Flag. Sabem dizer-me quanto foi mostrado nos meses anteriores à saída do jogo? Provavelmente tudo. Parecia que todos os dias saía um trailer novo. Todos os dias sabia-se mais sobre as personagens, a história, o ambiente… Chegou mesmo ao ponto de saturação. “Por favor, deixem-me em paz!”, pensava eu, “que frete!”.

Isto inverte por completo a maneira de olhar para o jogo. Se me tivessem mostrado uma imagem apenas, mas uma imagem bem concentrada, como os sumos, aposto que ficava bem mais interessado. E deve ser um excelente jogo, não duvido. Mas agora é um pouco como ir a Nova Iorque: não me apetece, porque parece que já lá estive imensas vezes (em filmes, nos jogos…). Acontece-vos isto?

Quando estou no cinema e começam a dar os trailers, se vejo, nos primeiros momentos, um actor de que gosto muito ou um tema que me parece interessar, tapo os ouvidos e fecho os olhos durante o resto do vídeo. Porque trailers de mais de dois minutos, meus caros, contam tudo. Tudo. Normalmente vejo os trailers depois de ver o filme, apenas por curiosidade, e aí noto que contam mesmo, mesmo tudo. É triste. Já ninguém gosta de surpresas?

E por falar em surpresas: “unboxing”. Esta deve ser a palavra estrangeira mais usada nos sites portugueses dedicados ao videojogo. Talvez porque “desempacotamento” não seja muito chamativo mas, sobretudo, porque não é mesmo nada de especial. “Unboxing”, por outro lado. Ui! Que prestígio…

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Ainda pior que unboxing, só mesmo o boxing.

Será o “unboxing” uma coisa boa? Eu sei que fazem uns sempre que podem aqui no PróximoNível e não duvido que o pessoal goste. Se isso não acontecesse, não se fazia e pronto. Mas, com um olhar mais crítico, venho questionar a existência do mesmo. Não gostam de comprar uma consola, chegar a casa, abri-la devagarinho, tirar as peças da caixa uma a uma, estudar cada uma delas, sempre com muito cuidado, como se fossem de ouro? Quantas vezes têm essa oportunidade? Muito poucas, aposto. Mas agora não se devem preocupar. Já sabem o que lá está dentro. Já viram aquilo tudo antes em três ou quatro vídeos na net. Agora querem é jogar o que viram no “walkthrough” e verificar se as análises estavam certas. Ora bolas.

Para que serve mesmo um “Walkthrough”? Não confundir com Walkie-Talkie. Pensando bem, vou passar a usar este último para me referir ao primeiro. É bem mais engraçado. Para mim serviria apenas para saber como avançar numa qualquer parte em que estivesse encravado, mas sei que muitos vêem outras pessoas a jogar o jogo completo, em vez de serem eles a fazê-lo. Como um filme. É estranho.  Ao menos as análises não contam tanto. Ainda assim, não devem ser demasiado descritivas. Não devem parecer um trailer de três minutos. Lá dizia o Mies: “Less is More”. Claro que há análises e análises, walkies e talkies.

Se calhar já sou eu a ser esquisito, mas considero uma análise um grande spoiler, a evitar. Ou então lê-se, pelo menos, até à parte em que começam a falar da história. Porque convém ter história, não é? Se for um jogo de carros, não faz grande diferença saber que tem 50 carros e 10 pistas. O problema é que geralmente começam logo a falar da história.  Um jogo pode interessar-nos, mesmo que o tema, aparentemente, não seja do nosso agrado. Um bom professor, por exemplo, consegue tornar o tema mais aborrecido do mundo em algo espectacular, destruindo quaisquer planos de passar pelas brasas numa aula, para compensar ter ficado a jogar até tarde na noite anterior.

Para que percebam melhor o que estou a dizer, as melhores análises que conheço são feitas por um senhor chamado Mark, [ Daniel: :´( ] que é autor do projecto “Classic Game Room”, com vídeos e site homónimos. Gosto das análises porque são, precisamente, pouco claras, mas o suficiente para percebermos do que se trata e, do pouco que vemos, conseguirmos saber se gostamos ou não. Mesmo que não gostemos do jogo, o Mark tem um sentido de humor requintado e muito jeito para comunicar. Recomendo uma olhadela.

Boquinha aos 40 segundos

Em relação aos Walkie-Talkies, já que estou a ver como o jogo é, e isso já é spoiler q.b., por que não vê-lo enquanto se diz disparates? Ficamos com uma boa ideia do jogo na mesma e divertimo-nos no processo. Conhecem “Christopher Walkenthrough”? Não? Então ficam a conhecer. Agradeçam-me depois. Aqui têm uns minutinhos de Need for Speed: Most Wanted, sem grandes revelações. Ok, sem nenhumas revelações.

http://www.youtube.com/watch?v=1Cy4UDECNLs

A verdade é que estes dois últimos exemplos nem se podem considerar análises ou walkie-talkies, como os conhecemos verdadeiramente, mas, se estes conseguem substituir perfeitamente os conceitos originais, então porque precisamos deles? O Fox diz que devemos filtrar melhor toda a informação que temos disponível, para que possamos voltar a ter momentos mais “nossos” e menos “dos outros”.

O que sentem em relação ao trailers enooooormes, aos desempacotamentos de tralha, às análises à “Eça de Queiroz”, aos walkie-talkies faladores (e andantes)? Não sentem saudades da magia de abrir algo, sem saber bem o que está lá dentro ou como está lá dentro? Das reviravoltas que a história de um jogo dá? Do desconhecido, neste mundo de conhecimento? Eu sinto.

 

O que diz o Fox? é uma rubrica semanal de opinião idealizada e escrita pelo membro da comunidade FoxRS. Os temas semanais são livres e podem mudar entre cada artigo. Podem sugerir temas e comentar em baixo.

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Silver4000

Bom tema.
Começando pelo desnudamento, digo, desempacotamento, só vejo porque sei mesmo que não irei comprar (não há €€€) e como tenho curiosidade em ver, lá o faço.

Os trailers, bem, posso dar o caso dos trailers do FFX X-2 HD Remasters que estão todos cheios de spoilers sobre a história, é verdade que foi mais feito para os fãs, mas mesmo assim tem pessoas que nunca jogaram e tinham curiosidade e então lá sofreram os spoilers.
Sinceramente depende dos trailers, tens por exemplo o do Metal Gear Rising, que é tudo filmezinho (e se passa um tempo a ver), tens trailers de jogabilidade (que são os mais importantes a ver), e o resto.
Mas pelo menos vê-se o nome do trailer e a duração para saber se vai ter algum spoiler ou não, e dependendo do tipo de jogo, os jogos da TellTalle por exemplo é um NÃO aos trailers 😛

Análises, eu só vejo as do PN, porque já conheço bem a maneira como os redatores as fazem e sei como evitar os spoilers. Por isso tudo ok.

Sobre os walkthrough, só vejo mesmo dos jogos onde tenho dúvida, costumo ver o início, a ver se o arranque da história me agrada, e depois salto uns 3 ou 4 videos para a frente para ver como é a acção da jogabilidade. Depois é parar e comprar, ou não, o jogo.

FoxRS

Obrigado pelos comentários. Amanhã levas um também!

Tu já estás num nível superior em que dominas o spoiler. x) Análises, só as do PN, já sabes como as escrevem, já conheces as pessoas, torna-se mais fácil de filtrar a informação. E também se torna mais familiar, por isso é que ficamos muito tempo por cá.

Concordo contigo sobre os trailers de jogabilidade. E nem é preciso muito tempo para percebermos de que trata o jogo. Já os outros, principalmente se forem vídeos CGI, podemos nem ficar com ideia nenhuma do jogo, pode parecer brutal e o resultado final ser uma tristeza.

Silver4000

Outra forma de spoiler hoje em dia: Troféus/achievments.

FoxRS

É curioso, eu estive para incluir os “spoiler by Trophy”, mas depois esqueci-me. xD Quando tens acesso à lista de troféus/achievements/whatever e eles te dizem o que precisas de fazer para os cumprir, é logo uma data de revelações. O nome pode não dizer nada, mas a descrição…

exemplo: “Hot Dog Trophy” – O cão do boss final, que o vais encontrar depois de matares a rainha (sim, ela morre, desculpa lá) vai aparecer de surpresa (ups, desculpa outra vez). Tens de pegar na espada super-especial que ganhas quando o irmão do herói cai da ravina (ups), subir até ao trono que há no nível 7 e atirar o cão para a maior fogueira que vais ver na vida, já no nível 5. O cão morre no fim, portanto. Desculpa.

Guilhathorn

Só há pouco tempo é que descobri o gosto que algumas pessoas têm de ver um jogo a ser explorado na íntegra, não por elas mas por outros que filmam essa mesma experiência. Não me fazia grande sentido pois como tu só tenho usado os “walkie-talkies” para passar certas missões ou encontrar alguma coisa escondida, nem via o que acontecia depois para não estragar a surpresa, e pensava que era esse o propósito original da coisa. Até achava estranho filmarem o jogo todo quando se podia apenas focar nas situações mais complicadas. Cada um faz o que quer, não me afeta diretamente se a maior parte começar a ter interesse nesse acto, o que me chateia mesmo são os trailers longos e que basicamente resumem o filme. O exemplo mais recente foi o do 47 Ronin em que ao ver o trailer vi praticamente o filme todo…
Eu cá continuo a escolher os jogos que compro por simples recomendações ou, quando os descubro pela primeira vez, pelo interesse imediato que me suscitam.
Quanto às unboxings para mim só servem para poder ter uma ideia da dimensão real dos items que vêm com as edições de coleccionador e afins, que normalmente a imagem que vem na caixa não me consegue transmitir.
Quando compro consolas, livros, jogos de edição normal ou boosters de cartas faço sempre esse ritual de abertura . A única coisa que não é possível transmitir a partir de um unboxing, e que para mim é das mais importantes, é o cheiro a novo das coisas xD

FoxRS

Bem dizido, bem dizido! ^^ Realmente, e já disse o tylarth também, o cheiro é bem importante, nem sei como não o referi.

No meu caso, em relação aos trailers, o que faço é mesmo um caso extremo. Acredito que as pessoas à minha volta me tomem por tolo, mas quem é o tolo depois, hem? Eheheheh. xD O mais chocante mesmo é veres os trailers apenas depois de ver os filmes. O que se conta é realmente demasiada informação. Se calhar o equilíbrio perfeito é mesmo mostrar um teaser (30 segundos no máximo) no caso dos filmes e um ou dois minutos de gameplay e um teaser, no caso dos jogos. Pessoalmente, gosto dos teasers, mas prefiro 1 minutinho de gameplay (sem spoilers xD), só mesmo para saber como o jogo funciona.

tylarth

O desempacotar de uma consola… o rasgar do celofane de um joguinho novo, aquele smell a plástico tóxico que quase nos leva a um coma… São sensações que não se têm só com a visão. Eu é como o Silver se não vou comprar vejo.
Eu pessoalmente nos jogos não me faz muita diferença os spoilers, tanto faz o formato que fica sobre a bagageira do carrinho novo no GTA ou derivados. Já no que toca a histórias… bem, jogar até jogo na mesma mas não é a mesma coisa. Por exemplo no bioshok Infinite, depois de andar um ano a evitar muitas coisas sobre o jogo e de infelizes desgraçados que me estragaram um dos pontos centrais da história através da shoutbox acabei-o esta semana. Cheguei ao fim e não fiquei lá muito surpreendido por causa desse mesmo spoiler.
Mas pior é quando estamos a ver um filme e há um grupo atrás de nós que leu o livro, pelo poder do HELIX FOSSIL quem me dera que ficassem sem voz. Foi muitíssimo engraçado visionar o harry potter e a ordem da fenix com um relato vindo do futuro sobre tudo o que se iria passar…

Raizor

e o Tylarth que não falasse do Helix Fossil xD

FoxRS

De facto, o cheiro é um grande complementar da visão e faz parte da experiência no acto de desempacotamento. Não consigo achar especial ver alguém a retirar um produto de uma caixa mas, não sei porquê, adoro fazê-lo com as minhas coisas. xD

Bem, nem me fales dessa gente que leu os livros e vem a público falar. Quando fui ver ao cinema o Cloud Atlas, no intervalo, um casal ao meu lado estava a falar sobre o filme. Ela explicava ao namorado o que estava a acontecer e eu lá ia ouvindo, mas depois comecei a ouvir coisas de que não me lembro de ver e “não me digas que…”. Então interrompi-a e disse – “Desculpe. Já viu o filme?” – “Como?” – “Perguntei se já viu o filme” – “Não, mas li o livro” (nem sabia que havia um livro, lol, e respondi) – “É que tenho medo que conte para lá do intervalo…” E lá se calou, eheheh. =D

Raizor

Grande tema

Para começar, parabéns por teres falado de AC :)… e sim!! concordo contigo quando dizes que quase tudo foi mostrado antes do jogo ter sido lançado… a Ubisoft abusou de facto. Só faltou mesmo mostrarem um walkthrough do jogo… mas o jogo é bom Fox 🙂

Hoje em dia quase nada é surpresa. Lembro-me, por exemplo,que já se sabia que o Ronaldo ia ganhar a bola de ouro, este ano, antes da cerimônia decorrer…isto é só um exemplo, mas isto existe em todas as áreas,

Eu sou a favor dos spoilers… mas atenção!!! Não podem ser spoilers que esmiúcem um videojogo/filme/livro ao máximo obviamente…eu não gosto de comprar nada às cegas… gosto que me seja facultada informação suficiente para eu decidir se um “produto” é interessante ou não.

É preciso haver um equilíbrio… mas a Internet, hoje em dia, torna essa tarefa complicada

gomesPT

Bem! Eu concordo com tudo o que dissestes, já não é como antes, mas no meu caso, eu vejo todos os trailers, walkthroughts, mesmo que contenham spoilers. (nao há guito para as consolas nem jogos, e nao sou a favor da pirataria, só me resta o youtube e o PN).

FoxRS

Obrigado pelo comentário. =)

É uma versão diferente de ver o jogo. Se, como dizes, não fores mesmo jogá-los. Até compreendo bem que os vejas de uma ponta à outra. Só é spoiler se planeias jogá-lo. Se for mesmo bom, hás-de jogar um dia. 😉

Vasco Neves

Recuso-me a ler, não quero ser spoilado :c

FoxRS

You’re a… spoiled brat. xD

Majinalex

Concordo CTg antigamente bastava olhar para a capa do jogo da master system ou da mega drive que iria imaginar se o jogo seria bom ou não…não conhecia a palavra walkthrough, se eu encravava teria k esperar pelo dia seguinte e perguntar aos amigos como fazer..hoje em dia compro jogos só com small reviews e dependente do preço…peco sempre opiniões ao pessoal PK metacritic ja não e d fiar

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