Google Stadia deixou os jogos físicos respirar mais um pouco

O Google Stadia está oficialmente morto. A Google decidiu matar mais um projecto e afinal, depois de muitas promessas de um serviço de excelência e com um futuro brilhante, o Stadia é mais uma baixa na lista de desaparecidos em combate da Google.

Vou começar por dizer que nunca é bom quando um projecto revolucionário acaba por fechar ou morrer pelo caminho. Isto não só implica o descredito daquilo a que se compromete e também a possibilidade de muitas pessoas ficarem sem os seus empregos. No caso do Stadia, já foi dito a que a maioria ia ser transferida para outras áreas e que o resultado de toda a experiência ia ser colocada à disposição de outras companhias.

Por outro lado, com a morte do Stadia, um produto que queria provar que o futuro é mesmo o jogo por Cloud, a que é certo é que a morte do Stadia dá espaço para que os jogos físicos ainda consigam respirar de alívio (e de certa forma até mesmo os digitais).

Rebobinando uns anos e voltando à altura em que o Stadia foi revelado, confesso que fiquei mais “nervoso” do que em qualquer outra altura. Eu vi o Onlive nascer e morrer, assim como outros serviços que experimentaram o mesmo. Eu já vi que o Streaming do Game Pass funciona, assim como o próprio Stadia funcionava. Não quer dizer que o jogo por Cloud num funcione, mas continua a estar longe de ser ideal, pois não depende apenas de si.

De qualquer forma, no nascimento do Stadia, algo dentro de mim sentiu que este podia ser efectivamente o verdadeiro grande primeiro grande passo para o início do fim. Com o Stadia, um gigante com bolsos infinitos como a Google podia muito bem ajudar a cimentar o jogo pela Cloud e da forma como foi revelado, tudo indicava que era inevitável.

Depois do seu lançamento, a coisa arrefeceu, muitas das promessas não estavam a ser cumpridas, os jogos não eram assim tantos, havia confusão em relação aos periféricos e muitas funcionalidades estavam a demorar a chegar. O início foi muito atribulado, o que fez muita gente torcer o nariz.

Quase cinco anos no mercado e com tempo para reconquistar a confiança dos jogadores, eis que a Google (mesmo depois de prometer o contrário), anuncia que o Stadia está oficialmente morte e que todos os jogadores vão receber o seu dinheiro de volta. Última estação. Fim da linha.

Os serviços de Cloud e Streaming não morrem com o Stadia e existem ainda muitos outros vivos a dar cartas. Quando tudo corre bem e está perfeito, estes serviços são fantásticos, mas ainda não são perfeitos.

Com a morte do Stadia, um dos mais promissores serviços do género, não quer dizer que o formato físico esteja “salvo”. Pensar que o digital é o futuro e que o Cloud pode vir a ser também, é inevitável. O futuro vai evoluir constantemente a infraestrutura e o que temos agora vai ser de rápido vai parecer lento dentro de poucos anos.

Mesmo assim, quanto mais tempo estes serviços demorarem a dominar o mercado, mais tempo existe para que a indústria consiga perceber qual o mercado de cada um dos formatos de jogos. Com este deslize do Stadia, talvez ainda exista mais tempo para que o físico encontre o seu espaço entre o digital e o Cloud e aconteça um renascimento tal como o Vinil está a fazer na indústria da música.

O futuro vai passar pelo Cloud, mas com tudo isto, o físico pode ter ganho um pouco mais de tempo para respirar, sobreviver mais uns anos e quem sabe, atingir o tal estatuto que o faça ficar para o futuro. Como grande fã de formato físico e coleccionador, espero que seja isso que acontece.

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