Foi Há 20 Anos #2 – Grand Theft Auto 3 e Spirited Away

Nota: Rubrica feita pelo André Miranda e por mim, por esta ordem, nos dois temas escolhidos. 

Há 20 anos atrás, o mundo teve o prazer de receber o 5º título da franquia Grand Theft Auto. O primeiro em 3D. Grand Theft Auto 3: Sexo. Drogas. Violência. Máfia. Yakuza. Cartel. Nova Iorque. Jogo mais vendido do ano.

Controlamos Claude, o homem silencioso, que foi traído pela sua namorada Catalina num assalto e acabou na prisão. Num transporte prisional, a Máfia acaba por interceptar os prisioneiros acabando a nossa personagem principal por escapar. Assim, começa a tríade (pun) entre a Máfia, a Yakuza e o Cartel.

No entanto, quem é que quer saber disso? Meu deus, cada vez que vejo uma gameplay começo a gritar, mas quem no seu perfeito juízo jogou Grand Theft Auto da forma que é suposta de jogar?

‘R2, R2, L1, R2, Esquerda, Baixo, Direita, Cima, Esquerda, Baixo, Direita, Cima’: Tomem lá armas

‘Bola 6x, R1, L2, L1, Triângulo’ : Tomem lá um tanque

‘Direita, R2, Bola, R1, L2, Baixo, L1, R1’ : Voem

Ok, agora tudo o que têm a fazer é apontar o tanque para trás, acelerar, disparar as balas e o mundo de Liberty City é vosso. Sim. Sim. É assim que se joga Grand Theft Auto. Numa total confusão. Ir ao Ammu-Nation é tão normie. Para que ter uma pistola quando se pode ter uma bazuca? Para quê conduzir um Kuruma, quando se pode ter um tanque? Também tenho ajudas para a malta do PC, se quiserem tempo do norte: ‘ILIKESCOTLAND’. Humor. Clássico.

Para mim, um jogo intemporal que, com as mais recentes notícias, nada me faria mais feliz do que um remaster. Há críticos do jogo que não gostam do lado mudo de Claude, já eu, adoro que sejamos guiados pelo seu sentido de vingança. Não precisa de palavras. Todo o jogo é uma caça ao rato pela Catalina. Seguimos a sua sombra e temo-no-la na mira. É óbvio, o objetivo de Claude. Já o meu, conforme se pôde ler, é bem diferente e envolve até mais explosões, tanques, bazucas e polícias atrás.

Passo agora a palavra ao João.

Miyazaki é já um nome muito familiar quando se fala de animações japonesas, contudo, para vários foi Spirited Away a porta de entrada para o fantástico universo do Studio Ghibli. É até injusto, considerá-lo um “filme” de animação, chega a ser mais do que isso, é uma experiência, uma que nos faz desligar do mundo à nossa volta, e nos absorve numa terra cheia de cores, formas e sons.

Se olharmos em retrospectiva, em comparação com outros filmes do género, que saíram nos últimos dez anos, vemos realmente o quão à frente do seu tempo era. Não é de todo uma jornada linear, muito menos previsível. Uns podem trazer ao de cima a mensagem ambiental implícita, outros podem enumerar as centenas de referências feitas à cultura japonesa, ainda assim, o que mais fica evidente é a viagem de crescimento de Chihiro – de uma criança irresponsável e imatura, para alguém que sabe olhar pelo próximo e assumir os seus erros.

Essa viagem, acaba também por ser a de todos os que viram e vêem o filme, em particular, quando se é uma criança. Daí que Spirited Away seja verdadeiramente especial por abraçar o imaginário coletivo de todos nós e no final, ao nos largar, devolver uma sensação de conforto. Talvez aqui o menos importante nem seja a história, nem tão pouco como esta acaba…mas sim, o caminho que fizemos para lá chegar. Spirited Away na sua essência é isso, como uma viagem de ida e volta, que muitos já em adultos, tendem a repetir várias e várias vezes, quem sabe querendo relembrar todas as sensações e memórias da primeira vez que assistiram.

A verdade é que Spirited Away é uma obra que não deixa ninguém indiferente, cada um terá a sua verdade, a sua interpretação e a sua lição daquilo que viu e ouviu. É incrível acreditar que já lá foram 20 anos desde que este filme estreou. Lembro-me de o ter visto algures na RTP 2, totalmente dobrado em português. Na altura, ainda muito novo, tinha ficado com um sentimento agridoce, por um lado, adorei todas os aspetos externos (cores, visual, cenários, personagens), mas os internos (mensagens implícitas, referências culturais, temáticas) passaram-me um pouco lado, embora, tenha sido algo marcante, isso é inegável.

Só mesmo passado uns anos, é que fui entender realmente aquilo que Spirited Away tinha para dizer ao mundo e a verdadeira importância que aquela experiência de duas horas tinha no seu meio. Numa época em que a animação 3D ganhava terreno, mesmo assim, provou que não importa a estética ou aparência, por muito brilhante que esta seja, pois há coisas que se tornarão intemporais e para todas as gerações e idades. Caso não o tenham visto (acredito que não seja o caso) vão ver, é mesmo algo que vale cada segundo, é como diz aquela expressão, «once in a lifetime».

Podem ver as últimas edições desta rubrica aqui:

  1. Gran Turismo 3 e Harry Potter And The Philosopher’s Stone.
João Luzio
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