Se o cinema também recebe filmes de série B, porque razão não pode acontecer o mesmo com videojogos? Deve ter sido isso que a Rebellion pensou quando resolveu compilar Zombie Army Trilogy para o PC, PS4 e Xbox One.
Para quem não sabe, esta trilogia é composta por dois episódios que funcionavam como DLC para Sniper Elite V2, enquanto o terceiro é algo totalmente novo, de forma a fechar a história.
Na realidade, não existe muita história para contar em Zombie Army Trilogy. Basicamente, o Hitler deste universo resolveu brincar com os poderes do oculto e transformou o seu exercito em zombies, os quais começam a inundar a Europa. Cabe a vocês passar pelos milhares de mortos vivos, e por um fim ao ditador…novamente.
Como já perceberam, Zombie Army Trilogy é mesmo feito a pensar em quem gosta de Zombies e matar Nazis, algo que já é uma tradição de longa data em videojogos. Por isso mesmo, tudo neste jogo transborda a espírito de terror. As cidades, pântanos, florestas e afins que visitam, estão cheias de corpos pendurados, nevoeiro pouco convencional e um ambiente sinistro. A Europa não é bem assim, mas Zombie Army Trilogy também não pretende que o levem muito a sério.
Falando em levar a sério, os inimigos de Zombie Army Trilogy são bastante interessantes, pois não existem apenas Zombies, preparem-se para esqueletos, demónios e alguns necromancers que conseguem invocar ainda mais mortos para vos deter.
Embora isto pareça tudo muito divertido, a jogabilidade nem sempre acompanha a diversão da melhor forma. Para começar, tendo como origem Sniper Elite, é notório que a maioria das armas que não são snipers deixam muito a desejar. É verdade que um Virtua Cop ou algo do género também não é uma boa recriação do que é uma arma, mas podiam ter sido dados mais uns retoques. Ao menos o X-Ray está de volta para ajudar tornar certos headshots e tiros com mais impacto em algo mais espectacular.
Depois, existem zonas que foram mesmo feitas a pensar na vossa tortura, onde os inimigos não acabam, surgem cada vez mais fortes e um pequeno erro acaba por vos mandar de volta para o último Checkpoint, algo que pode ser de 5 ou 15 minutos de jogo desperdiçados de forma constante.
Embora não seja tão sentido online, devido à companhia dos amigos, a campanha parece algo desregulada para um jogador apenas, o que o deixa demasiadas vezes desprotegido e facilmente engolido por todos os zombies. Existe sempre um pontapé que afasta os mais próximos, mas não os pára por muito tempo.
Assim sendo, vale mesmo a pena jogar com outras pessoas. Quando jogam em formato cooperativo, quer na campanha, quer no online, tudo fica bem mais divertido e estratégico, não sendo apenas a luta pela sobrevivência, mas também a luta pelas melhores pontuações.
Visualmente, Zombie Army Trilogy é claramente uma versão remaster dos dois primeiros episódios. O terceiro, é algo melhor, mas mesmo assim, continua a parecer tudo muito série B. Os cenários são bons e com alguns detalhes interessantes, mas no geral, não aproveita de todo as plataformas de nova geração, em especial a PS4, onde joguei o jogo.
Quanto ao som, a banda sonora é boa para o tema e consegue criar um bom ambiente, embora por outro lado, os grunhidos constantes dos Zombies acabam por se tornar repetitivos e chatos de ouvir constantemente.
Quanto à longevidade, a campanha em si dura cerca de 15 horas, se bem que algumas delas sejam feitas a repetir cenários, ou a passar por zonas menos interessantes dos dois primeiros episódios. Depois disso, existe o modo de Horde onde lutam contra vagas de Zombies. Este é bom e ainda oferece pelo menos mais 4 ou 5 horas de jogo.
Como sabem, não sou grande fã de jogos de Zombie, mas tenho de reconhecer que por debaixo do aspecto e jogabilidade de série B, Zombie Army Trilogy é um jogo divertido que vai agradar a quem gostar de FPS onde matam zombies aos magotes.
Positivo:
- Campanha longa
- Jogar cooperativamente
- Ambiente dos cenários
- Noção de que é uma história pateta
- Modo horde é um bom extra
- Visão Raio-X em zombies
Negativo:
- As armas parecem algo artificiais
- Problemas em gerir a dificuldade
- Visual mediano
- As primeiras campanhas não são tão divertidas
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