Análise – Zengeon

No que diz respeito a jogos RPG, costumo ser bastante selectivo, uma vez que este tipo de jogos requer do jogador, um grande investimento de tempo, por isso apenas dou oportunidade, a uma amostra um tanto pequena de jogos deste género. Quando me chegou às mãos, Zengeon, para analisar, fiquei um pouco reticente, daquilo que me iria esperar. Porém, ao saber que este jogo era uma mistura de um jogo de ação, com elementos roguelike, e ainda com a tal vertente RPG, fiquei curioso. O que em última análise, Zengeon conseguiu cumprir o propósito, contudo conta com alguns aspectos datados, que acabam por fazer a qualidade deste título ficar aquém de outros do género.

Inicialmente, refiro que a experiência de Zengeon pode ser experienciada a solo, ou em equipa, através da opção co-op, com amigos. A aventura, conta com uma história relativamente simples, e claramente que este elemento não é o foco principal. Aqui, somos apresentados, através de um estilo de animação japonesa (apesar do jogo ter fortes referências à cultura chinesa), a um conjunto de estudantes de uma academia, que têm como função proteger o seu mundo de ameaças espirituais. O jogo tem início, durante um evento denominado de Lunar Eclipse, que acaba por destruir o “escudo” que protege a terra das tais ameaças externas.

Neste seguimento, podemos controlar, inicialmente, dois dos cinco estudantes jogáveis. Sendo estes últimos três desbloqueados (Muying, Yuqin e Ruolin), à medida que progredimos no jogo. Portanto, podemos jogar com Ziyu, o único membro masculino do grupo, que tem habilidades mais melee, contando com uma espécie de espada para enfrentar as hordas de inimigos. E ainda de Shuyan, que é especializada em ataques range, portanto, de longo alcance. Apesar de visualmente distintos e ainda do tipo de ataques que possuem, todas as personagens acabam por servir o mesmo propósito, não se diferenciando muito, aquando do combate.

Ainda no que diz respeito à história, a forma como esta é nos exposta, deixa muito a desejar, para um jogo desta geração, contando com animações stop-motion, com diálogos sem o recurso ao som. Em termos de gameplay, é aqui que o jogo brilha. Uma vez que se trata de um jogo roguelike, o objetivo consiste em passar de fase em fase, ao mesmo tempo que tentamos sobreviver a múltiplos grupos de inimigos. Caso sejamos mortos, voltamos ao hub principal, onde podemos alterar a personagem que queremos usar, na próxima tentativa.

Cada nível conta com diversos rooms, e no final de os concluirmos passamos para o nível seguinte, onde poderemos ter de confrontar um inimigo mais poderoso, ou seja, uma boss battle. Ao longo das inúmeras tentativas para chegarmos ao fim, a nossa personagem vai evoluindo, ganhando XP e ainda podemos desbloquear diversas habilidades, chamadas de shrines, que aumentam as opções de customização da personagem escolhida.

Contudo, a cada tentativa, o que coletámos na tentativa anterior, desaparece, e temos de recomeçar do início, completamente do zero. O que a longo prazo, na minha experiência, se tornou um mecanismo que não apreciei nada, pois acaba por tornar as nossas ações repetitivas demais. Por falar nisso, o adjetivo repetitivo, encaixa perfeitamente naquilo que é a jornada de Zengeon. Acabei por fazer exatamente as mesmas ações, com os mesmos ataques, da mesma maneira, para os mesmos inimigos, vezes e vezes sem conta, independentemente da personagem que estava a utilizar.

Portanto, a jogo acaba por cair em desgaste, quanto maior for o nosso investimento nele. Sendo apenas proveitoso nas primeiras horas. Ainda assim, caso se chegue a um estágio mais avançado num nível, a dificuldade acompanha proporcionalmente (tanto no modo fácil, como no difícil), o que inevitavelmente torna a experiência mais interessante, pelo desafio apresentado. No entanto, reforço que se torna repetitivo demasiado rápido.

Ainda na vertente do gameplay, todas as personagens vem equipadas com um ataque padrão, e outros quatro ataques únicos, ao estilo de League Of Legends, da forma como é apresentado no ecrã, incluindo ainda, um ataque especial que causa mais dano. Por oposição, ao modo normal de história, Zengeon, conta ainda com um modo alternativo, chamado de Guard Mode, cujo objetivo é defender um ponto no mapa, dos diversos inimigos que vão surgindo, no fundo, replica o estilo de jogo, Tower Defense.

Como a minha experiência com o jogo foi solo (portanto, contando apenas com as minhas habilidades para prosseguir), acabei por em algumas situações, ter repetir várias vezes uma mesma fase, por não estar a conseguir avançar. Ainda assim, aquando da ultrapassagem dessa adversidade, o sentimento de recompensa é alto e motiva, minimamente, a continuar a aventura.

Por fim, quanto aos aspectos técnicos, os gráficos acabam por ser relativamente simples para a atual geração, contudo, encaixam bem na temática. A banda sonora é composta por uma áurea de cultura chinesa, como referi, e surpreendentemente, até gostei e é um dos pontos positivos a frisar. Os controlos são responsáveis aos nossos comandos, muito porque são relativamente fáceis de nos adaptarmos, adicionalmente, para quem se sentir mais confortável, pode utilizar um comando externo, a partir das opções de customização.

No fim da minha experiência com Zengeon, consigo recomendá-lo apenas a quem já é fã do tipo de jogos roguelike, pois se não forem grandes adeptos deste estilo de gameplay, acabaram por ficar aborrecidos devido à repetitividade das ações e objetivos. Contudo, esta experiência foi reforçada positivamente através da banda sonora, do visual e estética e ainda do nível de dificuldade, que dá um desafio extra e nos deixa presos naquela lógica de “só mais uma tentativa”.

Positivo:

  • Gameplay simples com facilidade de adaptação;
  • Banda sonora;
  • Apresentação e estética;
  • Entretém;
  • Dificuldade torna a experiência interessante;

Negativo:

  • Repetitivo;
  • Pouca diferença entre as personagens jogáveis;
  • História mal aproveitada e com mecânicas datadas;

João Luzio
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