Análise – Yakuza: Like a Dragon

  • Plataformas: PlayStation 4, Xbox One, Xbox Series, PC
  • Versão de Análise: PlayStation 4
  • Informação Adicional: Imagens e capturas de vídeo retiradas durante as sessões de jogo.

Tendo a história de Kiryu chegado ao fim, a curiosidade para um novo protagonista que iria oferecer uma montanha de novidades para a série era grande. Alguns dos novos e velhos fãs não gostaram muito da ideia que foi anunciada, mas a maioria ficou bastante interessada no que estava para vir.

Teoricamente, Yakuza: Like a Dragon não muda, continua a contar com uma história de criminosos, side quests estapafúrdias, um monte de atividades extra e até o combate continua a manter elementos dos jogos anteriores, apesar de agora ter passado a ser um RPG. E tenho a dizer que, Yakuza à parte, este é um ótimo RPG.

Após uma introdução que ainda dura um par de horas, a história finalmente arranca com Ichiban Kasuga, o nosso novo protagonista, a acordar em Yokohama, um novo local para a série e diferente da habitual Kamurocho e Sotenbori a que os fãs estão habituados. Com a situação da Yakuza em Kamurocho a estar bem diferente do esperado, Kasuga dá consigo a ter que lidar com três frentes diferentes em Yokohama, a máfia Chinesa, uma família de Yakuza Japonesa e um clã misterioso formado por Coreanos.

Começando pela mudança de protagonista, é bastante fácil ficar fã de Kasuga em breves minutos. Este é o completo oposto de Kiryu em termos de personalidade, sendo mais expressivo, conhecendo várias pessoas do bairro, principalmente as pessoas mais velhas, e não sendo respeitado por muitos. No entanto, Kasuga é energético e bem mais expressivo que Kiryu, criando um excelente contraste e mantendo um protagonista que consegue criar empatia.

Juntando-se a Kasuga temos um novo elenco de personagens que irão fazer parte da equipa, de uma forma literal. Tal como seria esperado também estas personagens têm a audácia de fazer pouco de Kasuga, apesar de durante o percurso da história estabelecerem uma relação com o novo protagonista e tornarem-se amigos.

Isto leva a um novo sistema para este jogo que é um pouco semelhante ao que já foi utilizado anteriormente na série. Refiro-me aos “Bonds” que anteriormente eram utilizados com NPCs que por vezes podiam aparecer em combate através de um Heat Move, mas em Like a Dragon o jogador assiste a momentos que estas personagens passam com Kasuga e também desbloqueiam alguns elementos extra para o combate.

Os combates, como já muito bem devem saber, mudaram do género beat ‘em up para RPG por turnos, no entanto Yakuza: Like a Dragon consegue emular bastante bem o espírito da série Yakuza, bem como elementos de Dragon Quest que serviram como inspiração para o jogo.

Nos combates os jogadores são apresentados com umas quantas opções, ataques normais, habilidades, summons e mais. Os ataques normais tem algumas variações, por vezes se um ataque colocar um inimigo no chão, se o jogador for rápido o suficiente irá efectuar um “down attack” que infligirá mais dano. Ou outro exemplo, e um que pega na alma da série e oferece algo novo a RPGs, se existir um objecto pelo meio a personagem irá pegar ou dar um pontapé para o mandar contra o inimigo, fazendo assim mais dano.

Existe uma mecânica interessante que é o facto de inimigos poderem bloquear ataques caso estejam entre o jogador e o seu alvo, uma vez que as personagens movem-se sozinhas durante o percurso do combate, sendo que com um timing correcto até podem ser atropeladas por um carro.

Apesar de o jogo ter-se tornado num RPG os combates até são rápidos, muito mais rápidos que nos jogos anteriores. No entanto a frequência de combates é ainda maior, e enquanto que nos jogos antigos ainda era possível evitar de certa forma estes combates ao correr para fora da vista dos inimigos, aqui essa escapatória torna-se quase impossível, resultando na maioria das vezes em mais um combate.

Fora dos combates o jogador irá encontrar as habituais distrações da série Yakuza: substories, arcadas, mini-jogos espalhados por Yokohama e até momentos de interação com a equipa. Estas interações estão ligadas aos “Bonds” que são aumentados quando o jogador participa em conversas, faz parte de batalhas com as personagens ou até partilha de atividades como ir ao cinema ou jogar alguns dos mini-jogos. Quando o Bond de cada personagem chegar a um certo ponto, Kasuga pode assistir a um evento especial no bar onde fica a conhecer um pouco mais da história de cada personagem e aumentando assim o seu nível.

Este é um aspecto que muito provavelmente a maioria irá relacionar com a série Persona, que viu este sistema ser introduzido em Persona 3. Com o jogo a contar até com aspetos sociais como charme e estilo, e até a possibilidade de romance, embora apenas com personagens secundárias e não nenhum membro da equipa. Não existe grande impacto com estes novos sistemas ao contrário da série Persona, mas conviver com os colegas de equipa e assistir a mais histórias sobre os mesmos é interessante.

Regressando às inspirações criadas pelo amor que Kasuga tem por Dragon Quest, Yakuza: Like a Dragon conta com um sistema de jobs que, tal como os mais velhos devem estar familiares, permite às personagens mudar o seu estilo de combate, com a maioria dos Jobs estando disponíveis para todas as personagens e apenas alguns sendo exclusivos. E tirando partido não de Dragon Quest mas sim de Final Fantasy, Kasuga também pode fazer Summon a companheiros durante o combate, sendo possível obter mais através de certas substories. Falando em personagens adicionais, também é possível aumentar o número de membros da equipa ao concluir certos elementos e substories do jogo, embora de uma forma “canon” para a história apenas uma certa quantidade é que faz realmente parte da equipa.

A história em si, tem um início extenso, e demorará cerca de duas horas até o jogador poder explorar livremente Yokohama e fazer o que bem lhe apetece sem ser impedido. Existem momentos sérios e outros momentos que os jogadores já são familiares na série Yakuza, onde o lado criminoso é visto com respeito e por vezes nem todos os criminosos são assim tão maus. Podem contar também com alguns cameos de personagens antigas para o vosso agrado, com algumas delas até a serem Summons caso tenham cumprido certos requisitos.

Apesar de utilizar o Dragon Engine achei que as animações das personagens fossem um pouco rígidas, embora normalmente Kiryu não fosse muito de mostrar emoção na sua cara, ao contrário de Kasuga que facilmente muda de expressão a cada segundo, sendo talvez por isso a razão de ter esta estranheza em certos momentos. Já a banda sonora faz um bom trabalho incluindo ao trazer algumas faixas velhas e tornando-as melhor que nunca.

Como já foi dito, Yakuza: Like a Dragon não foge às suas raízes, muito pelo contrário. Yakuza: Like a Dragon adapta perfeitamente o seu elemento num novo género, tornando-o numa recomendação mais do que obrigatória para qualquer fã de RPG pois é único dentro do seu género. Os fãs dos jogos anteriores irão ver que ainda encontrar minijogos para passar o tempo, as substories com os temas mais ridículos de sempre, personagens que fogem ao senso comum e ainda velhos elementos de combate da série agora tornados em RPG, algo que ninguém estava à espera.

É um óptimo RPG e também um dos melhores jogos dentro da série, que desde o seu primeiro jogo tem tentado reformular um pouco as coisas, mas sem se distanciar imenso das suas origens. Yakuza: Like a Dragon é uma boa mudança e uma que após sete jogos da história principal era necessária. Kiryu Kazuma pode ter sido adorado por muitos, mas Ichiban Kasuga demonstra que também consegue ser o número um, não fosse esse literalmente o seu nome.

Positivo:

  • Ichiban Kasuga é um bom herdeiro de Kiryu Kazuma
  • Transição para RPG é muito bem feita
  • Mantém o tom da série e aplica-o bem
  • Banda sonora

Negativo:

  • Grande frequência de combates
  • Animações são um pouco rígidas

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