Análise – Trials of Mana

Sendo a série Mana uma das mais adoradas por uma legião de fãs, mas algo desconhecida pela maioria dos jogadores mais casuais, é bom ver que a Square-Enix é capaz de regressar aos clássicos e trazê-los para os tempos modernos.

Trials of Mana foi originalmente lançado apenas na SNES e nunca fora do Japão. Recentemente o lançamento de Collection of Mana trouxe o jogo pela primeira vez para a Europa, mas Trials of Mana vai ainda mais longe, convertendo o jogo para algo mais actual.

Mesmo tendo sido lançado este ano, Trials of Mana tenta ser mesmo um jogo fiel às origens, algo que Final Fantasy VII Remake fez de forma totalmente diferente. Este Remake conta a história de forma muito similar, usa um sistema de combate muito parecido e até as ferramentas e menus clássicos estão todos cá.

Claro que o jogo em si sabe bem em que ano está e funciona plenamente como um jogo actual, onde acaba por ganhar e perder ao mesmo tempo é através de algumas coisas mais arcaícas que não encaixam tão bem nos dias que correm ou tendo em conta outros RPG que foram lançados entretanto.

Começando pela história, Trials of Mana é bastante simples. É verdade que há uns anos atrás ainda conseguia ser bom neste departamento, mas a melhor parte é que existem várias personagens para escolher com histórias diferentes que se entreligam ao longo da aventura e até levam a desfechos diferentes. Infelizmente, nem todas as personagens foram galardoados com boas histórias e algumas delas ficam terríveis nos tempos modernos, fazendo com que as personagens pareçam burras ou totalmente incapazes.

Não ajuda de todo que o mundo tenha bastante personalidade mas esteja bastante vazio de narrativa. Ao contrário da maioria dos RPG mais recentes onde a maioria dos NPC são interessantes ou conseguem dizer algo com importância, aqui parece que quase todos estão lá apenas para encher o espaço no mundo e dar um pouco mais de vida. É algo retro, mas podia ter sido mais trabalhado.

Quanto ao combate, Trials of Mana é exactamente o RPG de acção que estão à espera e faz um óptimo trabalho de emular o original, a ponto que combater é um dos pontos altos deste Remake. Existem muitas habilidades, muitos estilos de inimigos diferentes, classes para desbloquear e o combate pode ser feito com vários inimigos no campo ao mesmo tempo.

Curiosamente, este funciona como às vezes como um MMO, onde os ataques dos inimigos surgem marcados no chão e temos de tentar escapar a tempo. É algo que não me incomoda, o que me incomda é que podemos ter mais dois colegas de equipa e eles não são assim muito inteligentes, mesmo que seja possível designar ordens e funcionamento das suas acções. Mesmo assim, não são poucas as vezes que tive de assumir controlo deles ou ter de os ressuscitar apenas porque morreram de forma inútil.

Cada vez que aparece um boss é que percebemos que existe maior profundidade nos combates. Não é que seja um jogo difícil, mas ter atenção a tudo o que se está a passar no ecrã é importante e faz diferença. Isto também não é facilitado pela câmara que costuma acompanhar mal a acção do combate e ficar presa em algumas partes do cenário.

A nível visual, Trials of Mana vai claramente buscar forças ao mesmo motor de jogo que foi usado para Dragon Quest XI, embora com um pouco menos de detalhe e uma cor muito mais garrida. O jogo tem um aspecto muito bom, mas tem algumas quebras de fluídez ocasionais. A versão que joguei foi a de PC e mesmo com tudo no máximo, não tive qualquer problema além de um loading maior para abrir o jogo através do Steam.

No que toca ao som, temos uma banda sonora verdadeiramente fantástica que pode ser ouvida tanto nas novas composições como nas clássicas, sendo possível mudar em tempo real. A banda sonora é tão boa que as vozes acabam por destoar. A versão em inglês reúne uma série de vozes bastante fracas fora do elenco principal, por isso não é má ideia trocar pelas vozes inglesas.

A campanha dura entre as 18 e as 25 horas, mas tendo em conta que existem várias personagens e combinações possíveis de história, há quem tenha vontade de o repetir para saber mais sobre este mundo através das interacções entre as outras personagens. Só é uma pena que não exista possibilidade de jogar com amigos, tal como era possível no original.

Trials of Mana é surge como um remake bastante fiel às origens e isso tem muita coisa contra e a seu favor. De qualquer forma, tendo em conta que as suas escolhas mais retro são prepositadas e o resultado final é bastante positivo, é impossível não ficar satisfeito com o resultado final.

Positivo:

  • Várias personagens com histórias ligadas
  • Combate
  • Sistema de evolução
  • Banda sonora brilhante

Negativo:

  • Narrativa com momentos fracos
  • Falta multijogador
  • Câmara com problemas
  • NPC e mundo merecia mais exposição
  • Inteligência artificial

Share

You may also like...

error

Sigam-nos para todas as novidades!

YouTube
Instagram