Análise – Super Mario 3D World + Bowser’s Fury

Desde que a Nintendo Switch foi lançada, que a Nintendo habituou o seu público ao (re)lançamento sucessivo de jogos oriundos da Wii U. E mesmo estando a Nintendo Switch já próxima dos seus últimos anos de vida útil (quem sabe uma versão Pro esteja a caminho), a Nintendo decide que tem mais uma surpresa na manga, ao criar um pacote que junta uma versão optimizada do jogo outrora exclusivo da Wii U com um novo modo totalmente original, assim nasce Super Mario 3D World + Bowser’s Fury.

Mesmo que a franquia em causa possa ter revelado alguma estagnação criativa no que toca aos jogos 2D, tem sido na vertente 3D que o canalizador mais conhecido da indústria dos videojogos tem se reinventado ao longo dos anos, veja-se o caso de Super Mario Odyssey (2017), e este novo título não fica nada aquém. A grande fatia da experiência deste jogo é composta pela versão de Super Mario 3D World (2013), que foi buscar a sua base a Super Mario 3D Land (2011), que por sua vez é uma tentativa de misturar alguns elementos dos jogos da NES/SNES numa perspectiva de três dimensões.

E neste aspecto consegue fugir à máxima disseminada que a franquia Super Mario tem sido acusada, de se reciclar e se repetir ao longo dos anos. Portanto o seu valor acresce, caso o jogador tenha deixado de lado a versão deste jogo lançada para a Wii U. Já o modo que diz respeito a Bowser’s Fury, que irei tocar mais adiante, é para todos os efeitos uma nova experiência feita do zero, com as suas próprias mecânicas e funcionalidades, apesar de ir buscar muito da sua base a elementos do já referido Super Mario 3D World (2013).

Tal como foi em Super Mario 3D Land (2011), este jogo replica com sucesso a estrutura e progressão de níveis, semelhante a Super Mario World (1990), onde determinado mundo é constituído por vários níveis que poderão ser inclusive mini-jogos ou desafios, permitindo ao jogador adquirir mais moedas ou os famosos power-ups como auxílio durante a aventura. E no final dos mesmos encontra-se um confronto contra Bowser ou um dos seus minions, que se for concluído com sucesso, irá permitir o acesso ao mundo seguinte, e assim sucessivamente até se chegar à derradeira batalha final no último mundo.

Após a familiarização desta estrutura de jogo, as novidades de Super Mario 3D World (2013) prendem-se mais com a originalidade do design dos níveis e com as novas adições de power-ups, que podem ir desde à Super Bell, permitindo a transformação em gato, dando a habilidade de escalar paredes e um ataque melee, até à Double Cherry, permitindo a criação de várias réplicas da nossa personagem. Em termos de colecionáveis, e indo além do mero alcance da Goal Pole no final do nível, temos as Green Stars (num total de até três num nível) e as Stamps, que servem como adesivos, para serem colocados, no novo modo de fotografia do jogo, muito parecido àquele visto em Super Mario Odyssey (2017).

Portanto, e apesar do que referi, é a combinação de todas estas mecânicas juntamente com a criatividade do level design, que permitem Super Mario 3D World (2013) ser uma experiência tão divertida.  Sobretudo, repleta de surpresas que nos são atiradas a cada nível que visitamos, sendo que nenhum é igual e todos conseguem ter um ou mais aspectos que os diferenciam dos demais. Há ainda que referir a excelência da qualidade da banda sonora, par a par ao padrão que esta franquia nos habituou, tendo até faixas remix de outros jogos do passado do canalizador.

Pondo de parte Super Mario 3D World (2013), o grande factor surpresa deste pacote é o novo modo de Bowser’s Fury. Como referi este vai buscar os elementos bases do anterior, para construir uma experiência de jogo nova. Aqui Mario é colocado na missão de travar a fúria de Bowser, que se transformou numa criatura muito mais perigosa do que aquela que conhecemos, tendo inclusive o triplo do seu tamanho. Mas é a maneira como o iremos travar que muda drasticamente a abordagem de cada jogador, pois apenas temos forma de lhe fazer frente através das Giga Bells, que se encontram bloqueadas, a menos que consigamos reunir um número mínimo de Cat Shines em cada zona do mapa.

Bowser irá ressurgir entre intervalos de tempo aleatórios, e quando isto acontece cabe ao jogador escolher entre se esconder dos seus ataques, ou se transformar em Giga Cat Mario, e pôr um termo à fúria do vilão. Contudo, quando esta secção de confronto termina, o jogador terá então de continuar na jornada para colecionar até cem Cat Shines espalhadas pelo mundo, constituído por pequenas ilhas separadas entre si. Não será obrigatório colecionar a totalidade de Cat Shines para aceder ao verdadeiro confronto com Bowser, no entanto, quanto maior for a sua quantidade, mais tentativas terá o jogador para o confrontar, sendo que a cada ataque provocado por Bowser o jogador perde o acesso ao power-up de Giga Cat Mario.

Em termos gerais, para além do novo modo de jogo, Super Mario 3D World + Bowser’s Fury entrega uma experiência otimizada fazendo jus ao poder gráfico da Nintendo Switch. Contudo, e apesar de Super Mario 3D World (2013) fluir bem em modo portátil, o modo Bowser’s Fury apresenta sucessivas quebras de fps, o que me fez preferir experienciar o jogo praticamente em modo dock. Quanto à componente online, esta está presente na versão base, sendo assim possível partilhar a aventura com até quatro pessoas totalmente à distância, encontrando-se também disponível uma opção para co-op local.

Cada uma das Cat Shines espalhadas pelo mundo é única, na medida em que cada uma irá exigir uma forma diferente de a colecionar. Temos ao nosso dispor de uma forma permanente um arsenal de vários power-ups base que podemos trocar consoante a necessidade e a situação, sendo que os mesmos podem ser acumulados a cada cem moedas que apanharmos. Se por um lado, a presença de Bowser está sempre à espreita, a cada x tempo de jogo, por outro lado, o facto de não perdermos vidas estraga a tensão da experiência, ao não termos consequências daí resultantes.

Ainda assim, o desafio do confronto com Fury Bowser é adequado e até maior, se formos comparar com o nível geral de dificuldade presente em Super Mario 3D World (2013). Portanto considero um cenário em que tanto um jogador casual, como um veterano saem a ganhar neste modo, quer queiram apenas preencher os requisitos mínimos para derrotar Fury Bowser, ou quer queiram colecionar todas as Cat Shines.

Em suma, se Super Mario 3D World (2013) já é um óptimo título presente na galeria de jogos da Wii U, agora na Nintendo Switch com uma nova optimização gráfica e um novo modo de jogo, Super Mario 3D World + Bowser’s Fury torna-se mais um título obrigatório para os donos da consola, em especial os amantes do género de plataformas. E para todos os efeitos Bowser’s Fury pode muito bem ser o preparar de um novo terreno de gameplay, no que toca à constante inovação que a franquia de Super Mario tem habituado o seu público, sendo assim uma mais-valia.

Positivo:

  • Mais um título obrigatório na Nintendo Switch;
  • Acima de tudo é uma experiência sólida e divertida;
  • Bowser’s Fury consegue ser um desafio bem nivelado;
  • Cada nível é uma experiência única;
  • Bastante conteúdo e colecionáveis;
  • Opção de multiplayer online;
  • Banda sonora;
  • Modo portátil bem conseguido, mas…..

Negativo:

  • Bowser’s Fury com quebras de fps em modo portátil;
  • Longevidade de Bowser’s Fury deixa a desejar por mais.

João Luzio
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