Análise – Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin

A série Final Fantasy é em todos os aspectos uma das séries com mais spin-offs dentro do género. Todos os jogos adicionais com o nome Final Fantasy no título não cabem em duas mãos e ainda existe muito mais se pensarmos em coisas como os jogos do Chocobo ou até 0s Kingdom Hearts.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é o mais recente jogo da série a ir de encontro a um spin-off. O mais interessante é que embora tenha um nome totalmente “estranho”, este jogo não usa o nome apenas porque sim, pois ajuda a dar um novo contexto à história do primeiro jogo de toda a saga, mesmo que essa história tenha muito mais liberdade do nos podemos lembrar.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin conta a história dos primeiros Warriors of Light, ou pelo menos é isso que o jogo nos leva a crer. Jack e os seus aliados sofrem de grandes problemas de falta de memória e tudo lhes parece sempre um valente dejá-vu, o que quer dizer que se forem fãs de JRPG e em especial de Final Fantasy, estas coisas de falhas de memória e até outros elementos também vão parecer bastante familiares.

Um dos primeiros pontos que Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin tem contra si é a forma como tenta ser tão misterioso quando já contou e mostrou tanto daquilo que vai acontecer. Os grandes plot-twists são altamente previsíveis, mesmo para quem não jogou o primeiro Final Fantasy e a história, embora tenha o seu final grandioso, não faz o suficiente para construir um rol de personagens memoráveis, aliás, o jogo até sofre bastante com diálogos monótonos, demasiados clichés e o síndrome das personagens Anime.

O que este título faz diferente dos outros Final Fantasy é trazer a série pela primeira vez para o estilo de jogo ao género de Dark Souls, mas mais próximo ainda de Nioh. A experiência da Team Ninja com Nioh está aqui bastante clara e patente, sendo que o sistema de combate e loot está muito mais próximo da saga da Team Ninja do que Dark Souls em si.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é um jogo de acção no bom sentido da palavra no que toca ao combate e exploração. Cada missão leva-nos a uma zona do mapa onde existe um castelo, fortaleza, grutas ou vulcões para explorar. Os cenários ainda são longos e estão recheados de atalhos que nos permitem regressar a pontos anteriores muito mais depressa. É uma pena que alguns destes cenários sejam bastante similares e a forma de progredir neles também sofra de alguma repetição.

No que toca ao combate, podem pensar na acção rápida de Nioh com uma mistura das classes de Final Fantasy. Ou seja, podemos construir a nossa personagem com duas classes, as quais podemos alternar em tempo real. Imaginem misturar algo como um White Mage com Dragoon ou um Sage com um Thief. As hipóteses são grandes e a mistura entre as habilidades permite criar personagens bem únicas. Na minha opinião, o combate com armas tem mais espaço para brilhar do que o sistema de magias que nem sempre funciona assim tão bem, mas depois de umas horas de habituação começa a ir ao sítio.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin tem um grande foco em combos e como estes podem ser usados para partir a barra de resistência de um inimigo. Quanto melhor for a nossa prestação e melhores as habilidades, mais depressa conseguimos aplicar o golpe final, o qual restaura barras de MP que tenham sido perdidas ao morrer em combate. Como o MP é essêncial para quase tudo o que se faz, é importante ter sempre o máximo disponível.

Voltando à barra de resistência, esta também faz parte da nossa personagem, mas aqui temos direito a um truque extra que é uma espécie de tudo ou nada, o qual pode mudar a direcção de combate muito depressa. Quando somos atacados, podemos usar um counter rápido em forma de esfera que pode negar e absorver o ataque em alguns casos. Esta vantagem tem o seu calcanhar de aquiles, pois sendo mal usado pode colocar o nosso Jack numa posição de fraqueza onde ficamos expostos por alguns segundos. Há que aprender a usar, pois pode ser uma boa jogada estratégica.

Sendo fortemente inspirado em Nioh, Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin não podia deixar passar a oportunidade de ser um jogo cheio de Loot (armas e equipamento), que podem apanhar. Este sistema é tão comum e tão frequente que estamos constantemente a ser inundados por novas peças que parecem ser melhores que as nossas, ou outras tantas que podemos equipar nos nossos colegas. Se gastar horas a ver e comparar estatísticas não é a vossa coisa favorita, podem sempre equipar automáticamente o melhor equipamento disponível na personagem escolhida, mas infelizmente o jogo não faz assim um trabalho tão bom a escolher as peças certas, atribuíndo armaduras com afinidade para uma classe que não é a nossa.

É incrível a quantidade de peças que existem e o quão pouco elas podem mudar as estatísticas de uma personagem. Por isso é normal ir acumulando loot para mais tarde, apenas para perceber que temos de estar constantemente a abrir o menu e percorrer uma lista infindável para destruir ou escolher uma peça que afinal é melhor que outra, mesmo que ligeiramente. Pode ser aborrecido para uns, mas os fãs de gestão em RPG vão adorar.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin não é um jogo difícil, especialmente se jogarem no modo “normal” ou abaixo disso, só quem quiser ter uma experiência mais complicada é que vai poder encontrar níveis de dificuldade mais pesados. De qualquer forma, existem várias missões alternativas para fazer com muito loot para apanhar e níveis para ganhar, por isso é bastante acessível melhorar a personagem. Com isto tudo podem demorar entre as 25 e as 40 horas, havendo mais algumas coisas para fazer quando a história acaba. Existe também um modo co-op que podem jogar com outros online e funciona bem, mas é preciso que estejam bem coordenados com os outros jogadores, o que me leva a pensar que é uma pena que não exista uma forma de co-op local.

Visualmente, Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin não é um jogo verdadeiramente impactante, embora pareça épico e consiga ser com algumas paisagens grandiosas e combates contra bosses, o detalhe dos cenários não é assim tão bom e já vi bem melhor na PS5 (consola que usei para análise). A fluídez do jogo não é totalmente constante e em especial no que toca a sequências com as personagens, tudo parece demasiado mecânico e atrapalhado, quase ao como se os Kingdom Hearts das 128 bits tivessem invadido esta geração.

A banda sonora por seu lado é muito boa, tendo muita qualidade e apoiada em vários momentos clássicos de músicas antigas de Final Fantasy. É uma banda sonora que se consegue ouvir bem fora do jogo e que me acompanhou ao longo da elaboração desta análise. Quanto às vozes, joguei tudo em inglês e posso dizer que a qualidade é razoável, além disso a narrativa não ajuda grande coisa, por isso não consegue dar espaço para que os actores brilhem muito.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin tem um nome que fala muito sobre o próprio jogo em si. É um jogo estranho dentro do universo Final Fantasy e é estranho ver tudo o que aconteceu a Final Fantasy desde a sua génese para que um jogo destes não seja assim tão bizarro no final de contas. É verdade que muito do que faz, tenta fazer de forma apoteotica e com alguma teatrealidade, além disso, é claro que o jogo teve feedback de Tetsuya Nomura e isso dá para notar nos momentos “mais palermas”, por isso era de esperar.

Se gostam de Final Fantasy, jogos de acção, RPG e Nioh, este é um cocktail muito completo, embora esteja longe de ser perfeito.

Positivo:

  • Adaptação interessante do clássico
  • Combate divertido
  • Muitas classes para usar e evoluir
  • Boa banda sonora

Negativo:

  • Bastante repetitivo
  • Loot perde grande parte da sua validade
  • Alguns problemas de fluídez
  • História não consegue ser levada a sério

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