Análise – Oreshika: Tainted Bloodlines

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De vez em quando, lá costuma aparecer um jogo que revela ser bem diferente do que estavam à espera. Aqueles jogos que parecem mesmo um género e afinal acabam por ser outro.

Quando o vi pela primeira vez, Oreshika: Tainted Bloodlines pareceu-me um jogo estranho, um RPG pouco convencional com um teor mais negro do que o costume. Parecia um RPG táctico, mas afinal, estava metade certo.

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Curiosamente, este é um jogo ainda mais estranho e complicado do que estava à espera, misturando boas ideias e um mundo interessante, com alguns dos sistemas mais obtusos que já vi em algo deste género.

Oreshika: Tainted Bloodlines conta a história de uma família japonesa que procura vingança por ter sido condenada injustamente ao extermínio para agradar aos deuses. De volta à vida com uma maldição em cima, cada membro da família dura apenas dois anos de vida, nascendo, crescendo e morrendo como um humano normal nesse curto espaço de tempo. Há que propagar a linhagem com matrimónio e novos nascimentos que continuam o clã.

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Eu já joguei vários jogos de RPG por turnos, até jogos tácticos extremamente complexos, mas Oreshika: Tainted Bloodlines consegue levar o bolo. Estamos a falar de um jogo que tem tantas nuances, possibilidades, gestão e elementos de jogabilidade, que até existem opções para deixar o NPC de serviço fazer as escolhas por vocês.

Existem tantas coisas, que ao final de 10 horas de jogo, ainda andavam a surgir tutoriais, e ainda nem tinha percebido quais as vantagens de escolher certos deuses para criar filhos, ou como podia criar novas classes para o clã. Basicamente, precisam de ir partindo a pedra em redor para chegar ao conteúdo.

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Em terreno, Oreshika: Tainted Bloodlines faz lembrar um pouco Persona. Existem mapas para explorar, objectos para recolher e baús por abrir. Os inimigos estão à vista, com cada combate a ser iniciado consoante a forma como tocam no inimigo ou este toca em vocês.

Quando tocam num inimigo, entram na arena de combate e aqui o formato muda para um sistema por turnos mais clássico. Podem controlar cada uma das vossas personagens de forma livre ou aceitar sugestões. No início do combate vão rodar uma roleta que apresenta os prémios que podem ganhar. Para vencer, precisam apenas de matar o líder da equipa inimiga, ou matar toda a gente.

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Os combates envolvem uma boa dose de estratégia, pois existem forças e fraquezas, determinadas armas só podem acertar em certas fileiras dos inimigos e alguns feitiços demoram tempo precioso a realizar.

É uma pena então que Oreshika: Tainted Bloodlines sofra bastante com quebras de fluidez durante a exploração dos cenários e até do combate. Por vezes a imagem arrasta, ou em certos casos, com mais actividade no ecrã, a framerate cai imenso. Embora goste do visual, este também não ajuda muito em certas alturas, onde a tonalidade ao estilo pergaminho consegue confundir a posição dos inimigos no terreno.

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A história, embora estranha, consegue criar bons momentos. As personagens com quem podem interagir são divertidas e interessantes, especialmente Kochin, a ajudante da família que serve como conselheira e ajuda a preparar as saídas para o terreno. Só tenho pena que de resto, seja tudo tão impessoal, como se as personagens controladas pelo jogador não fossem mais do que peões no meio de todo o conflicto.

Como já disse, gosto do efeito visual ao estilo de desenho japonês, mas já se viu melhor utilização do mesmo em jogos como Okami. De qualquer forma, o jogo é bonito de se ver e os modelos das personagens são bastante bons. É uma pena que a fluidez nas masmorras se arraste tanto.

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Sonoramente, podem contar com uma série de músicas com boa qualidade e uma série de vozes bem ao estilo de um Anime japonês, o que é encaixa bem e vai agradar certamente aos grandes puristas do género.

Oreshika: Tainted Bloodlines não é certamente um jogo para todos. Este é um dos JRPG mais complexos e com mais nuances que joguei até hoje. É fácil o jogador sentir-se esmagado por tanta informação e sentir-se pressionado com a passagem dos meses, tempo que vai matando personagens e revelando novos elementos de história e jogabilidade que vão engolindo o jogador. Basicamente, é o mesmo que terem um engenheiro nuclear a explicar-vos como funciona cada máquina do seu laboratório.

Se gostam de bons desafios, JRPG e a vontade de dissecar um jogo até ao tutano como eu, então vão ser certamente aqueles que vão tirar maior proveito de Oreshika: Tainted Bloodlines.

Positivo:

  • Cruzamento de humor negro e história
  • Sistema de gerações de família
  • Podem escolher a quantidade de meses que o jogo demora
  • Combate diferente e recheado de estratégia
  • Opção para deixar o NPC decidir a saída para o terreno

Negativo:

  • Extremamente complexo
  • Esmaga o jogador com informação
  • Quebras constante de fluidez
  • Posição passiva da família na história
  • visual confunde um pouco nas masmorras

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