Análise – O Rapaz e o Monstro

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Realizador: Mamoru Hosoda
Elenco: Kōji Yakusho (Voz), Shōta Sometani (Voz), Aoi Miyazaki (Voz), Suzu Hirose (Voz)
Género: Animação
Duração: 1h 59min

Quando se fala de filmes de animação com origem no Japão, o primeiro nome que normalmente me vinha à minha cabeça era Studio Ghibli. Por muito que aprecie o trabalho de Hayao Miyazaki e dos restantes membros do estúdio, comecei a reconhecer a qualidade doutros realizadores que não estão associados ao Studio Ghibili, como é o caso de Mamoru Hosoda. O primeiro filme dele que vi foi Wolf Children, e mais tarde, vi Summer Wars onde reconheci que existia uma semelhança enorme com uma das três partes de Digimon: The Movie. Foi então que me apercebi que já andava a assistir ao trabalho deste realizador há muito mais tempo do que julgava.

O Rapaz e o Monstro – ou The Boy and the Beast, ou Bakemono no Ko, ou como preferirem chamar – é o filme mais recente realizado por Mamoru Hosoda. Conta a história de um rapaz de 9 anos chamado Ren que foge de casa pouco depois da morte súbita da sua mãe. Sem saber do seu pai desde que divorciou da mãe, ele vagueia sozinho pelas ruas de Shibuya até conhecer um monstro chamado Kumatetsu. Ao segui-lo, Ren vai parar ao Reino dos Monstros e torna-se no pupilo de Kumatetsu sob o nome Kyūta enquanto este treina para se tornar no próximo lorde do reino.

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Inicialmente Kyūta não está muito convencido a ser treinado por um urso mal-humorado, mas enquanto fica a assistir a um combate entre Kumatetsu e o seu rival Iōzen, ele nota como ninguém está a apoiar Kumatetsu. Kyūta fica impressionado com a persistência do monstro e decide tornar-se no primeiro aluno dele. No entanto, as primeiras sessões de treino não correm muito bem, uma vez que Kumatetsu é um péssimo professor, mas Kyūta arranja uma forma de aprender a lutar.

Durante a primeira metade do filme, a história decorre quase sempre no Reino dos Monstros onde desenrola a relação de Kyūta e Kumatetsu. Em comparação ao mundo dos humanos, o Reino dos Monstros não é assim muito diferente, tirando alguns elementos de magia e todas as criaturas antropomórficas. Quem for o lorde do reino, tem a oportunidade de reencarnar como uma divindade, seja de que forma for. É por isto que KumatetsuIōzen têm uma certa rivalidade, porque são os dois potenciais sucessores ao lugar de lorde. Toda esta informação é dada nos primeiros minutos do filme, portanto convém estarem particularmente atentos nesta parte.

Passado uns anos, quando Kyūta já é um lutador decente, ele volta acidentalmente ao mundo dos humanos. Ele fica amigo de uma rapariga chamada Kaede que o ajuda a estudar e aprender coisas novas. Ao ficar cada vez mais interessado nos estudos, Kyūta começa a ficar dividido ao tentar reconciliar a sua vida nos dois mundos. Apesar de Kaede não ser uma personagem má, não achei-a tão interessante como o elenco de personagem que conhecemos no Reino dos Monstros, como por exemplo Tatara e Hyakushūbō que também cuidam de Kyūta, e Jirōmaru, um dos filhos de Iōzen que inicialmente goza com Kyūta por ser fraco, mas depois fica super amigável depois de perder num combate.

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A razão principal por não existirem humanos no Reino dos Monstros é devido ao facto deles conseguirem manifestar facilmente as trevas dentro deles, o que os torna particularmente perigosos. Isto é mencionado em certas ocasiões mas só ganha mais relevância numa parte avançada da história quando é revelado a verdadeira identidade de uma das personagem e começa a causar problemas. Não é propriamente o vilão do filme, mais um adversário que o protagonista tem de enfrentar e há um certo paralelismo entre elas.

O Rapaz e o Monstro é um filme agradável com excelente animação que vai agradar aos fãs de filmes de animação japonesa. É uma boa aventura cheia de personagem divertidas que prova mais uma vez o talento de Mamoru Hosoda. Agora só tenho que arranjar algum tempo para ver finalmente The Girl Who Leapt Through Time.

Positivo

  • Crescimento de Ren/Kyūta
  • Kumatetsu e os restantes monstros
  • Animação

Negativo

  • Ichirōhiko é um idiota
  • Narração inicial era dispensada
  • Personagens humanas não são interessantes como os monstros

 

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Silver4000

Por acaso aproveitei a semana passada e tratei de ver este filme e o The Anthem of the Heart. E estava a ver se esta semana vejo também o The Girl Who Leapt Through Time e 5cm per Second.

Anyway, o filme teve imensas partes onde podia ter sido desinteressante para mim, mas felizmente isso não aconteceu. O primeiro ponto, e até o mais importante, que me levou a ver o filme, foi o facto de haver um time skip. A meu ver não seria tão interessante se o filme fosse sempre com o jovem Ren a tentar construir uma relação com o Kumatetsu.

Mas ao mesmo tempo, um time skip podia ter calhado mal, mas foi bem feito (bem, no fundo se olharmos com atenção até poderá ser cliché.

Um dos outros pontos seria spoiler, so I’m gonna shut up about it. Já sobre a narração, eu não me queixo da narração inicial, queixo-me da narração em outra parte do filme :/

Milchgeist

Excelente filme como sempre do migo Hosoda. Ah quem estiver em Lisboa pode ir vê-lo no cinema do el corte inglês!!

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