Quase 30 anos depois ter alterado o futuro dos jogos de luta para sempre, vemos “Mortal Kombat” a reiniciar a sua franquia no cinema. Algo de interessante para os fãs saberem é que o filme, não disfarçou o gore, que fez os jogos tão famosos. Pela primeira vez, o apelo, verdadeiramente, horrível das fatalidades chega ao grande ecrã, com algumas manobras retiradas, diretamente, dos jogos.
Existem algumas lutas que irão agradar aos amantes dos jogos da série, incluindo personagens clássicas como Sub-Zero, Kano, Raiden e muitos mais. Claro, o filme apresenta-se de forma diferente. Nos jogos, normalmente, não há espaço para treinos e aprimoramentos. Isto foi algo que puxou a duração para quase 2 horas e, lamentavelmente, mesmo com este tempo de antena, não senti que o enredo me acompanhou enquanto espectador, nem senti que o filme “acabou”. A história do universo dos jogos está presente, onde nos é explicado os diferentes realms e o que é, literalmente, o Mortal Kombat (combate mortal), apesar de não ser dada nenhuma conclusão daquilo que foi apresentado.
Começamos o filme no Japão do Século XVII, através de uma analepse, quando os homens de Lin Kuei liderados por Bi-Han (Joe Taslim) atacam Hanzo Hasashi (Hiroyuki Sanada) e o seu clã, matando a sua esposa e o seu filho, com os seus poderes de gelo. O primeiro vislumbre que temos das batalhas neste universo, é curiosamente forte, misturando movimentos familiares aos fãs da franquia com um nível de combate intenso, não muito habitual nos grandes ecrãs. A sequência termina com a morte de Hanzo, pela mãos de Bi-Han e cortamos para o presente.
É nos revelado que Outworld ganhou 9 de 10 torneios em Mortal Kombat, o que implica que mais um determinará o fim de Earthrealm. Como os vilões nunca cumprem as regras, Shang Tsung (Chin Han) decide manipular o torneio final, matando os campeões de Earthrealm, antes dos mesmos sequer poderem participar na competição. Um lutador de MMA chamado Cole Young (Lewis Tan), uma nova personagem no universo Mortal Kombat, possuidor de uma marca de nascença com o símbolo do dragão, descobre que é um dos campeões destinados, quando Sub-Zero ataca a sua família.
Jax (Mehcad Brooks) tenta avisá-lo, antes de ter os seus braços congelados e decepados pelo antagonista. Para alguns, pode não ser uma boa imagem de se imaginar. Mas a verdade é que o filme realmente ganha vida com estas sequências de luta e fatalidades, colocando na tela, o que os fãs dos jogos apreciam há tanto tempo, e algo que a maioria das pessoas pensava que nunca iria ver. Só queria ter visto mais deste tipo de cenas, pois foram esses momentos que realçaram mesmo o impacto do filme. Depois de um forte primeiro acto de combate mano-a-mano de Mortal Kombat, a narrativa fica menos intensa para dar espaço ao desenvolvimento de algumas personagens, algo que me pareceu algo fútil e que retirou algum brilho ao enredo principal.
Cole, aconselhado por Jax, encontra o seu caminho até Sonya Blade (Jessica McNamee), que, junto com Kano (Josh Lawson) aprisionado, leva o protagonista ao templo de Raiden, para se prepararem para o torneio que está prestes acontecer. E é aqui que “Mortal Kombat” deixa de o ser, onde cada personagem tem que treinar para aprender a sua “arcana” (o despertar dos seus poderes). Aqui o diálogo molda-se em tornos dos típicos clichês de salvar o mundo: salvar Earthrealm, impedir Outworld, o tão badalado bem contra o mal. É uma pena que os produtores tenham acreditado que o filme precisava de mais ingredientes, para além das cenas de pancadaria, ou histórias além do universo original. Ninguém se interessava pelo jogo de Mortal Kombat, se este, tivesse um tutorial de uma hora.
O filme ganha novo ímpeto, com um confronto bem forte entre duas das personagens mais lendárias da franquia, Kung Lao (Max Huang) e Shang Tsung. A coreografia é coesa e adequada, ao ponto de existirem ligações diretas à base de fãs, para nos manter entretidos por tempo suficiente e, quem sabe, voltarmos a tocar numa das versões dos jogos que mais nos agradou (Curiosidade: Mortal Kombat – Armaggedon). Acho que é tudo o que importa num filme desta franquia: porrada e ligação com os fãs.
Um filme de ação genérico, mas com uma gimmick dos tempos de arcade. Nem todos gostamos de olhar para o espelho, ou olhar para as desigualdades do mundo, quando sentados a olhar para o ecrã. Um bom filme de ação é algo que nos entretém e nos agarra nos momentos de maior adrenalina, e até cataclismo. A analepse do início do filme ganha significado, para os mais enraizados com os contos de Mortal Kombat. Por fim, após uma transformação, vemos o cartaz do filme: Scorpion vs Sub-Zero. Agora de facto, temos uma indicação que os produtores podem estar a pensar, já, numa sequela deste filme.
Se tiver que realçar algo de positivo no guião, devo mesmo apontar a apresentação de Sub-Zero. Mais do que Shang Tsung, Sub-Zero tem um papel espetacular e todo o tempo de antena na sua personagem, mais do que compensou. Esta personagem com poucas palavras, parece um vilão temível e uma ameaça com presença quando está em tela. Os momentos de ação são divinos, ao contrário de outras escolhas nas anteriores longas metragens de Mortal Kombat, e os que me parecem mais fiéis ao grande mestre dos Lin Kuei. Obviamente, que os efeitos especiais necessários, perante as suas habilidades, também acompanharam bem o seu desenvolvimento e, de que maneira! Devo dizer que se o filme tivesse mais da presença de Sub-Zero, a acompanhar os momentos já presentes, seria algo de rivalizar com os instantes memoráveis de John Wick.
Em suma, Mortal Kombat (2021), para mim, é sem dúvida bem recebido nesta franquia duradoura. É um filme fiel que puxa por quem se envolveu na história do universo e que mostra que a atenção ao detalhe importa, recompensando o fã.
Positivo:
- Antagonista principal
- Efeitos especiais
- Coreografias de luta
- Fatalidades
- Nostalgia fiel à franquia
Negativo:
- Desenvolvimento onde não era necessário
- Tempo de antena não é gerido da melhor forma
- Termina sem uma conclusão




