Análise – Monster Hunter Rise

Com o lançamento de Monster Hunter World, a Capcom parece ter finalmente dado o derradeiro passo para evoluir a série para os padrões de qualidade e jogabilidade que a série precisava para se afirmar no ocidente. Depois de vários meses a jogar o grande lançamento da série e com muitas horas em cima, o regresso da série à Nintendo Switch como exclusivo parecia um passo atrás.

Quando Monster Hunter Rise foi anunciado, fiquei algo decepcionado e com grandes dúvidas quanto à qualidade que a Capcom conseguiria atingir nesta versão. Os trailers não me deixaram muito entusiasmado, mas a demo lançada na Nintendo Switch não correu nada mal. Agora, com várias dezenas de horas e com centenas de monstros derrotados, é fácil dizer que Monster Hunter Rise não é o sucessor de Monster Hunter World, mas sim uma espécie de versão alternativa.

Monster Hunter Rise muda o estilo mais medieval de World para um estilo mais oriental com cenários cheios de flores de cerejeira, colinas com trepadeiras, templos e uma série monstros claramente inspirados no folclore japonês, de tal forma que cada zona e monstro tem uma introdução ao bom estilo dos filmes clássicos japoneses.

Para quem já jogou Monster Hunter, este novo jogo vai ser bastante familiar. O sistema de progresso no  segue a mesma sequência de sempre, com as missões a serem oferecidas narrativa e por rankings onde existem objectivos como apanhar items, matar um certo número de monstros ou até um monstro mais forte. Uma das grande novidades são as Rampages, ataques combinados de monstros por vagas onde precisamos de derrotar cada um e usar ferramentas e armas para ajudar no combate. Estes podem parecer um pouco confusos a início, mas na verdade funcionam tal e qual uma mistura de Tower Defense com os ataques do Zorah Magdaros de Monster Hunter World.

Como sempre, quando começam a jogar vão poder escolher uma de várias armas e estas são literalmente o centro da jogabilidade. Cada arma tem um estilo próprio e cada uma delas precisa de ser aprendida tal e qual um verdadeiro jogo de luta com as suas personagens. Existem armas de ataque directo, assim como outras que permitem uma postura mais defensiva e ainda armas de longo alcance como arco. Existem ainda algumas variações de classes que permitem curar os aliados. Monster Hunter Rise é bastante fácil de aprender, mas requer dedicação para dominar.

Outra novidade de Monster Hunter Rise que faz dele uma aventura bastante única foi a introdução dos Wirebugs, ganchos que permitem movimentar a personagem pelos ares ou prender monstros durante o combate. Os Wirebugs abrem de tal forma a verticalidade da exploração que os cenários parecem agora mais vastos e com maiores camadas em altura para explorar. Além disso, estes ganchos podem ser usados para montar monstros que podem incentivar a atacar outros monstros ou atirar contra os cenários para dar ainda mais dano. Esta adição faz uma enorme diferença e ainda dá muito mais velocidade ao jogo.

Falando de velocidade, a outra grande adição são os Palamutes, cães extremamente ágeis que podem ser usados como montadas para percorrer o cenário mais depressa, trepar paredes e ter como aliados em combate contra os monstros. Aliás, jogando offline, estes acabam por lutar em conjunto connosco e com o nosso Palico. Estas combinações de equipa ajudam a equilibrar a jogabilidade, podendo atribuir funções a cada um deles.

Já que falamos em combate, há que referir os monstros e como sempre, existe uma grande selecção de novos monstros e outros tantos regressados do passado. Existe regresso de Barroths, Ludroths, Rathians e até o meu nemesis, Khezu. No entanto, alguns dos novos são bastante interessantes como é o caso do Magnamalo, Aknosom e Tetranadon. Em especial fiquei fã do Aknosom que faz lembrar uma mistura entre pavão e cisne que usa as asas para distrair e atacar como num formato de dança.

Vindo do Monster Hunter World temos agora os cenários completamente abertos, o que é uma novidade nas consolas da Nintendo. O mundo está também recheado de pequenos insectos e afins que dão um pequeno boost a coisas como vida, ataque, entre outros. Algo bom no meio de tudo isto é que os Loadings até são bastante rápidos, seja entre os mapas e a própria aldeia principal do jogo.

Como sempre, Monster Hunter é divertido a jogar sozinho, mas é ainda melhor com amigos e podem contar como sempre com lobbies para juntar com os amigos e existem várias forma de fazer essa ligação. As conexões são bastante sólidas online e longe vão os tempos em que se sentia a diferença entre mundos de jogo de cada caçador.

Ter Monster Hunter a correr nas consolas da anterior geração e PC permitiu ver todos os cenários e monstros com maior esplendor, mas Monster Hunter Rise não se deixa ficar para trás mesmo que a Nintendo Switch não seja tão poderosa. Existem aqui muitos cenários bonitos, personagens e monstros detalhados, assim como uma direcção artística impecável. Tirando algumas texturas menos conseguidas e algumas imagens mais esborratadas em distância em modo portátil, até a própria fluídez é bastante sólida.

A banda sonora de Monster Hunter Rise é muito sólida em quase todas as localizações assim como combates. No que toca às vozes, podem escolher entre japonês, inglês e Monster Hunter, no entanto, a melhor é mesmo a japonesa para todas as introduções.

Tendo chegado a Monster Hunter Rise com várias reservas e temer que a série desse um passo atrás, acabei por ficar totalmente convencido. Este não é um substituto para World, mas sim a mesma refeição com um sabor diferente. Rise muda algumas coisas e introduz outras apenas suas que lhe dão a sua originalidade. Juntem a isto a possibilidade de jogar em qualquer lado e então esta é uma das melhores formas de jogar Monster Hunter até hoje.

Postivo:

  • Não fica longe de World
  • Cenários abertos
  • Introdução de Wirebug
  • Palamutes são muito bem-vindos
  • Tema oriental

Negativo:

  • Profundidade dos cenários sofre em modo portátil
  • Confuso nas primeiras horas
  • Tutoriais escritos deixam a desejar

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