Análise – Meg’s Monster

Todos os anos chegam novas experiências indie ao mercado, que tentam marcar pela diferença num ambiente altamente competitivo e absorvido pelas grandes marcas conhecidas. Diferença esta, feita, sobretudo, pela inovação de mecânicas e/ou funcionalidades, encorajando assim uma comunidade ampla de potenciais utilizadores a jogá-los. Meg’s Monster não é particularmente inventivo em nenhum dos seus elementos ou nenhum dos pontos que frisei antes, contudo capta a atenção, na primeiras horas, através da sua narrativa e respetivos personagens.

Embora uma breve passagem pelas páginas onde é comercializado, possa indicar de que se trata de um RPG de aventura, na verdade, apenas faz jus à última palavra, aproxima-se mais de uma experiência de visual novel com alguns elementos interativos. Mas antes de me aprofundar neste ponto, algum contexto: Meg’s Monster coloca-nos na pele de um monstro, pouco empático, chamado Roy, que terá a missão de proteger uma pequena rapariga que dá nome ao título.

Só que há um pequeno grande detalhe: Por Meg se encontrar indefesa e frágil num mundo repleto de criaturas que a querem para uma eventual refeição, a sua reação natural é ter medo e consequentemente acaba a chorar. Só que este simples ato tem um efeito catastrófico para aquele mundo, pode destruí-lo. Roy apercebendo-se disto, trava uma relação inicialmente ríspida com a jovem, na tentativa de salvar-se a si e àquele mundo. Acreditando que levando-a para o mundo dos humanos seria a melhor hipótese, até porque a mesma clama por saudades da sua mãe, alegadamente desaparecida.

Com esta premissa em mente, forma-se uma relação de parentalidade entre a criança e o monstro. Existe toda uma mitologia no universo de Meg’s Monster, relativamente às dinâmicas e relações entre humanos e criaturas, quanto ao seu passado, contanto, por exemplo, com um conselho que rege aquele mundo de seres fantástico e até de um personagem que serve de ponte para traficar humanos entre as duas zonas. Visto que o jogo não vai além da meia dezena de horas, não vou entrar em muitos detalhes relativamente a isto, mesmo que a narrativa seja o foco aqui. Mas posso adiantar que contornos inesperados vão com certeza agradar e surpreender quem se deixar levar pela simplicidade inicial de Meg’s Monster.

Tem uma mensagem bastante emotiva, e a seu jeito memorável, que facilmente nos coloca a pensar que um pequeno jogo indie foi capaz de tamanha grande proeza narrativa. Nesta aventura não vão faltar personagens com as quais podemos interagir, sendo que o jogo contempla um rumo fixo que progride a história e outros curtos segmentos que estendem a sua duração e acrescentam ao desenvolvimento de conhecidos e novos personagens secundários. Sendo totalmente recomendável da minha parte fazer-se sempre estes desvios no mapa por tais pontos de interesse alternativos.

Tal como frisei em parágrafos anteriores, este indie vende-se como sendo, total ou parcialmente, um RPG, no entanto, não é exatamente assim na prática. Durante todo o jogo controlamos somente Roy, que conta com três tipos de ataques diferentes, para além da habilidade de se defender de um turno de ataque inimigo. Podendo ainda fazer uso de brinquedos que vão sendo coletados à medida do progresso na campanha, que servem, essencialmente, para curar a si e à Meg. O sistema combate é tão simples quanto isto. O jogo tenta baralhar um pouco as coisas, tornado o nosso personagem um tanque invencível, assim fazendo a barra de vida da jovem a nossa principal preocupação, a qual não deveremos deixar chegar ao fim logicamente.

Mesmo assim a minha critica mantém-se é um sistema demasiado banal e pouco franco, face até aos pilares básicos daquilo que se espera de um RPG por turnos do século que passou. Por isso mesmo, considero a sua presença desnecessária, num jogo que já é por si demasiado focado na história e diálogos entre personagens. É até um travão brusco na narrativa, pois sempre que nos deparamos com um combate não há sequer um sentido de adrenalina ou de recompensa, pois todos os confrontos são pré-programados, não havendo sequer possibilidade de multiplicar o grind. Até os pontos de experiência nas características de ataque e defesa que nos são atribuídos pouca ou nenhuma diferença fazem, visto que já os iriamos ter ganho, com ou sem a nossa vontade.

Colocando isto de parte, destaca-se a qualidade gráfica, que dentro das suas limitações, contempla cenários e ambientes cheios de detalhes e vida, o que só acrescenta à construção rica de mundo pautada desde a primeira hora de jogo. A qual é reforçada pela incrível banda sonora, do aclamado compositor Reo Uratani, que agrega um enorme valor de produção a um até então mero jogo independente. Em suma, este título desenvolvido pela Odencat, embora com um combate dispensável, compensa pela sua atmosfera e história envolvente que o colocam um degrau acima face às centenas de outras opções perdidas da mesma categoria que se encontram na eShop, pois tratando-se desta análise da versão de Nintendo Switch.

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