Análise – Knack

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Quando uma nova consola é lançada para o mercado, existe sempre uma atenção especial com intuito de construir uma lista de lançamento que apela a todas as idades.

Entre coisas como Killzone Shadow Fall, Call of Duty e Assassin’s Creed 4 Black Flag, Knack é um dos poucos jogos dedicados aos mais novos. Apesar de não ter muita concorrência, Knack está longe de evocar as glórias do passado pela positiva.

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Knack é o vosso típico jogo de plataformas recheado de acção e personagens que parecem ter sido retiradas de uma série de animação de fim-de-semana. Infelizmente, embora não seja um mau jogo, Knack falha em ser bom em quase todos os pontos.

A história de Knack gira em redor da criatura com o mesmo nome. Um ser que consegue aglomerar relíquias antigas em seu redor (assim como outros objectos como madeira ou gelo) para ficar progressivamente maior e mais forte. Apesar de ser um pau-mandado na maioria do tempo, Knack consegue ser mesmo assim a personagem mais interessante do jogo, seguido de perto pelo vilão, que apesar de interessante, gera alguns momentos de história realmente duvidosos com motivos ridículos.

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As decisões estranhas não ficam apenas contidas ao enredo, pois a campanha tem a péssima mania de interromper a acção no final de cada zona ou combate mais importante para mostrar coisas básicas, como Knack a saltar de um penhasco ou a entrar numa sala, coisas que podiam ser feitas pelo próprio jogador. Eu até consigo perceber o valor cinemático da coisa, mas não são momentos que adicionem muito à experiência.

No que respeita à jogabilidade, a mistura entre plataformas e combate está bem equilibrada, mas a dificuldade e encadeamento das funcionalidades de jogo estão desajustados. Pra começar, esteja em formato normal ou em gigante, Knack é extremamente frágil, dois ou três golpes são mais que suficientes para o matar e se isto é dito por alguém com experiência em jogos, imaginem para uma criança que tem muito menos experiência e paciência para ter de repetir o mesmo cenário por inúmeras vezes.

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Outra má decisão está ligada à forma limitada como os níveis estão construídos. Eu adorei jogar com Knack em formato de gigante, é altamente divertido, mas não é uma escolha ou uma recompensa por jogarem bem e terem acumulado muitas peças para que este cresça. O tamanho depende do segmento da história e muitas vezes já estão grandes e são obrigados a encolher por um qualquer motivo. É uma pena pois Knack em tamanho pequeno é bem mais aborrecido. É quase como se tivéssemos de trabalhar para nos darem acesso à diversão .

Os inimigos em si não são dos mais inteligentes e variados que existem no género, mas pelo facto de Knack ser tão resistente como um copo de vidro, estes conseguem ser verdadeiras ameaças. Apesar de existir um botão para desviar dos ataques, a função nem sempre é a mais eficaz e na maioria dos casos, mais vale andar aos saltos pelo mapa até chegar próximo do inimigo que desejam atacar. Isto não é uma escolha de abordagem, mas sim uma forma fácil de resolver uma insuficiência.

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Uma dos bons extras de Knack é a possibilidade de jogar a campanha em Co-op com outra pessoa, o que faz com que o jogo fique bem mais fácil e até mais divertido, mas não é algo que corrija os restantes problemas.

Visualmente, Knack cumpre as funções mínimas esperadas. O estilo de gráficos escolhidos não são realmente os melhores para mostrar as capacidades da consola, mas consegue ser bonito e já mostra algum do poder da nova geração. Onde também se notam alguns rasgos de nova geração, é através da presença dos destroços e relíquias que se espalham pelos cenários, algo que não existia em grande quantidade na geração anterior e aqui já começa a ter algum impacto.

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Sonoramente, a coisa corre bem para Knack. A música cumpre bem a sua função e as vozes foram bem escolhidas para cada uma das personagens. Gostei especialmente da voz de gigante de Knack que consegue ser intimidante. Pode não estar ao nível de um filme da Disney ou Dreamworks, mas não está muito a baixo. Não esquecer também a boa localização para português de Portugal.

Knack era um jogo que tinha muita responsabilidade sobre os seus ombros, afinal era um dos jogos de lançamento da PS4 e tinha de corresponder a uma linhagem com nomes como Crash Bandicoot, Spyro, Jak e Daxter, Ratchet and Clank e Sly Cooper. Se procuram um jogo para os mais novos nesta geração, então optem por LEGO Marvel Super Heroes, afinal dá tanto para os mais novos como os mais velhos.

Positivo:

  • Momentos com Knack em gigante
  • Co-op local
  • Ainda dura mais de 10 horas
  • Localizado em português

Negativo:

  • Limitação constante da diversão
  • Repetitivo
  • Desnecessariamente difícil
  • História com momentos parvos

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Sanchez

Como assim momentos parvos?

Daniel Silvestre

O facto de não dizer é apenas para evitar spoliers, mas….eis um exemplo

*spoiler*

Tens um momento em que o mau rapta o miúdo com intuito de os obrigar a ir salva-lo, mas quando chegam lá, ele devolve logo o rapaz e diz que só queria falar. Algo que podia ter feito no local onde o raptou que todos o iam ouvir. É só mesmo uma desculpa para mudarem de localização rapidamente e um acontecimento totalmente desnecessário.

*end of spoiler*

Como este existem mais uns quantos.

tylarth

Perdeste muita vez?
Eu tive o desprazer de experimentar o jogo, não fiquei fã. Joguei durante uma horinha e com o jogo em normal e realmente este é um caso de dificuldade estúpida, é que quando os comandos funcionam bem a culpa é nossa, quando os comandos não fazem o que devem… para o desviar funcionar em hard temos que nos armar em videntes e saber exatamente para onde os inimigios vão atacar porque em hard 2 hits e tás morto.
E achei incrivelmente repetitivo até o crash bandicoot em que era só rodopiar e saltar tinha mais variadade. É por causa disto que digo que ainda não vale a pena ter uma ps4, ainda não há nada que valha mesmo a pena.

Lfo

Vale sempre a pena. Eu sei de pelos menos uns 10 jogos.

Daniel Silvestre

Se pensares em mudar de geração e considerares em comprar multiplataformas apenas para as novas consolas já existem mais. O que vejo é que a malta só pensa nos exclusivos por agora e o que é multi é para comprar na geração actual. Se uma pessoa chegar agora aos videojogos e comprar uma PS4 por exemplo, tem muita coisa boa para jogar.

Cumprimentos!

tylarth

Claro, isso nem está em causa. Só que como tenho vindo a dizer já me queimei por ter comprado uma ps3 fat que me ia falecendo em cima da secretária com a demo do the last of us, e os multiplataforma digamos que por enquanto a grande diferença é gráfica e mesmo assim não é por aí além. Daí eu incidir mais sobre os exclusivos porque é o meu caso.
Aliás eu faço parte das pessoas que acha que a nova geração já veio atrasada, mas os grandes jogos next gen ainda estão para vir (dos que já foram anunciados claro), por isso eu cá limito-me a esperar tenho a ps3 aqui ao lado recheada que nem dou conta do recado xD.

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