Análise – Hearthstone: Ashes of Outland

Hearthstone é um bom exemplo de um jogo que tem vindo a adaptar e renovar ao longo de vários anos, mudando e introduzindo novidades cada vez que parece que a fórmula está a ficar gasta e repetitiva.

Eu tenho jogado praticamente todos os dias desde que o jogo saiu, seja para fazer as missões diárias, seja para subir no rank ou fazer a Tavern Brawl. Não sou jogador de ficar muitas horas por dia a tentar fazer tudo, mas tenho uma rotina saudável de fazer pelo menos o que me permite progredir com a colecção de cartas.

Antes de Hearthstone: Ashes of Outland, estava a entrar numa altura em que me parecia que estava a estagnar também. Não mexia nos meus decks há muito tempo, nem criava novos, estando a jogar com coisas que tinha criado há três expansões atrás. Como devem imaginar, para alguém que joga em formato Wild, é receita para perder constantemente. A introdução do modo Battlegrounds veio trazer alguma novidade, mas ao contrário do que esperava, a expansão fez-me voltar a olhar para o jogo principal com melhores olhos.

Para começar, temos uma grande novidade que nunca tinha acontecido, foi introduzida uma nova classe com a figura do Demon Hunter. Ter uma nova classe é bem-vindo por aumentar novamente a variedade e possíveis interacções, mas meter uma classe nova com expansões de atraso em cima pode correr muito bem ou muito mal e como seria de esperar, de forma a o tornar viável, o Demon Hunter chegou mais forte do que devia.

A habilidade de atacar todos os turnos por apenas 1 de mana, misturado com uma série de cartas agressivas que em alguns casos até custam pouco, são demasiado opressivas e quando um jogo corre pela normalidade ao Demon Hunter com um deck competitivo, a partir do turno 5 começam a surgir cartas demasiado fortes. Algumas delas sofreram nerfs como é óbvio, mas cartas como Skull of Guldan, Imprisioned Antaen e Priestess of Fury, continuam a ganhar jogos com demasiada facilidade.

Curiosamente, com a introdução de Hearthstone: Ashes of Outland, todas as classes ficaram com muito mais opções, mas isso só é claramente notado em Standard, onde o jogo está mais limitado. Quem joga em Wild apanha quase sempre os mesmos decks de sempre, como variações de Druid com Jade, Reanimate de Priest ou versões agressivas e rápidas em Paladin ou piratas em Rogue. Até os Murlocs continuam a usar o mesmo tipo de cartas.

Em cada expansão, parece que algumas classes começam a aparecer menos e desta vez, a minha experiência dita que Warrior, Priest e Warlock são os que menos ganharam com Ashes of Outland em Standard, com um ligeiro crescimento em Wild com algumas das sinergias apresentadas. É interessante ver como as coisas mudam, mas o Priest é normalmente a classe que mais dificuldade tem em ser relevante quando se afasta de Reanimate.

Com a chegada da expansão, também as Battlegrounds foram remexidas e na minha opinião, para pior. Joguei bastante durante a fase “beta” e estava a divertir bastante. Com a introdução de algumas cartas e classes novas, passou a haver um fosso maior entre heróis e as suas habilidades. A introdução dos dragões também trouxe mais confusão à escolha de cartas, mas no fundo de contas, se alguém consegue dar poison aos seus Murlocs e meter Divine Shield, está ganho. É uma questão de sorte, algo que é o epicentro de Hearthstone.

Apesar de tudo isto, é nos jogos casuais que me tenho divertido mais. Como gosto muito de fazer experiências e tentar fugir à meta. Tenho encontrado pessoas que também estão a experimentar coisas totalmente malucas. Estes combates continuam a ser os melhores e gostava muito que houvesse modos de jogo com cartas comuns ou com determinados valores totais de mana para meter no deck. É na experimentação e novidade que Hearthstone mostra que pode ser mesmo empolgante e viciante.

Quanto à Arena, confesso que é o modo que tenho passado menos tempo, mas as novas cartas vieram trazer mais momentos caricatos. O jogo está a meter prego a fundo no que toca a RNG e a Arena é um campo onde tudo pode acontecer, especialmente contra nós.

Apesar de parecer que me queixei a maior parte da análise, Hearthstone: Ashes of Outland acaba por conseguir trazer algumas novidades que deram mais vida ao jogo da Blizzard. A nova classe precisa de ajustes e ainda vamos ver mais ondas de Nerfs, mas o sentimento que tinha de repetição desapareceu com este lançamento e voltei a jogar todos os dias tal como antigamente e isso é bom sinal.

Positivo:

  • A chegada de uma nova classe
  • Novas sinergias em Standard
  • Experimentar vale a pena

Negativo:

  • Wild mudou muito pouco
  • Os Battlegrounds perderam algum interesse
  • Demon Hunter precisa de ser trabalhado

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