Análise – Half-Life: Alyx

  • Plataformas: PC (VR)
  • Versão de Análise: PC (VR)
  • Informação Adicional: Testado com o HTC Vive. Imagens retiradas da página oficial do jogo.

Há muito que os fãs esperam por uma conclusão à história de Half-Life, e enquanto que Half-Life: Alyx não vem terminar o que foi começado há mais de dez anos atrás, consegue oferecer não só uma boa experiência VR como também um óptimo jogo de Half-Life. Mesmo que não tenha estado muito presente no mercado nestes últimos anos a Valve demonstra que continua a oferecer qualidade e inovação quando decide meter as mãos à obra.

Half-Life: Alyx tem lugar cinco anos antes dos eventos de Half-Life 2, Gordon Freeman continua desaparecido mas o resto da humanidade está a resistir em segredo contra o reinado que os Combine tem sobre os humanos. Elli Vance encontra informações sobre uma nova super-arma que os Combine estão a construir mas é capturado pelos mesmos, cabendo a Alyx resgatar o seu pai e encontrar uma forma de parar esta arma. Mesmo sendo uma prequela de Half-Life 2 e os seus episódios é melhor estarem familiares com os mesmos pois irão encontrar alguns spoilers.

Posso dizer com garantia que apesar de ser um jogo VR Half-Life: Alyx continua a seguir a fórmula da série Half-Life de uma ponta à outra. O jogo é feito no Source Engine 2 e devido a isso podem esperar as habituais ginásticas de física e colisão que os objectos tem bem como pegar em tudo e mais alguma coisa, desta vez com as vossas próprias mãos.

Já que estamos a falar em mãos vamos lá começar pela jogabilidade que certamente ainda é um assunto que assombra algumas pessoas no que toca a VR. Em vários jogos esta ideia de poder usar as nossas mãos e tudo mais acaba por ser apenas isso, uma ideia, mas nada sai daí. Então o que torna Half-Life: Alyx diferente e especial neste departamento?

Para começar temos as Gravity Gloves, a novidade deste jogo que de certa forma vem substituir a Gravity Gun que surgiu em Half-Life 2. As Gravity Gloves são um acessório bastante útil pois permitem ao jogador agarrar items e objectos à distância e trazer os mesmos até si. Para o fazer apenas basta apontar um dos comandos (o jogo diz para o fazer com a mão aberta mas ignorem isso), premir o gatilho e puxarem para vocês que o objecto, se não for muito pesado, irá voar para as vossas mãos.

Esta é uma mecânica que vão utilizar imensas vezes ao ponto de tornar-se no vosso instinto principal. Mesmo que algo esteja aos vossos pés ao invés de o agarrarem com as mãos irão utilizar as Gravity Gloves apenas porque é bom de usar e de uma maneira estranha até é divertido de o fazer. Num mundo onde todos os jogos VR se presam por o jogador poder agarrar tudo e mais alguma coisa já Half-Life o fazia em 1998, e as Gravity Gloves vieram novamente mudar esse conceito ao ponto de desejar que todos os jogos VR possuem uma mecânica semelhante.

Para além das Gravity Gloves, Alyx conta com algumas armas no seu repertório, uma pistola simples, uma shotgun e uma SMG. As três armas funcionam bem embora possa ser complicado para algumas pessoas apontar devidamente para os inimigos, em especial com a pistola que necessita de ser mais precisa, mas o jogo conta com modificações que o jogador pode fazer às armas caso este possua “Resin” suficiente, podendo adicionar add-ons como um lazer para melhor apontar aos inimigos, um lança granadas ou semelhante dependendo da arma em questão.

Estes add-ons acabam por ser importante a longo prazo pois vão ajudar imenso nos vários confrontos que o jogador irá encontrar, e apesar de Half-Life: Alyx ser um jogo VR a dificuldade continua presente, sendo que por vezes vi-me obrigado a utilizar quase todos os recursos que possuía para poder sobreviver nem que fosse com um pouco de vida no modo normal. Isto incluindo momentos em que me agachava por detrás de objectos de forma a ter um pouco de cobertura ou até no par de vezes em que decidi esconder-me por detrás de uma porta e abrir a mesma um pouco para disparar e voltar a esconder-me.

Para mudar de arma simplesmente necessitam de premir o analógico direito para cima para abrir uma grelha e depois mover a vossa mão para a arma em questão. Esta não é a opção mais intuitiva já que por vezes no meio da confusão e de estar a movimentar-me no quarto que acabava por mudar para outra arma ou desiquipar sem querer. Uma boa ideia de acessibilidade que o jogo utiliza é a possibilidade de guardar as armas e de as equipar com o premir de um botão, permitindo que o jogador as meta de lado quando está a explorar e assim evitar que disparem por engano, algo que irá acontecer pelo menos uma vez durante o vosso percurso pelo jogo.

Para além das armas de fogo também terão à vossa disposição dois tipos de granadas, granadas normais e as granadas alienígenas de Xen, embora ambas façam a mesma coisa de rebentar e causar dano aos adversários, não havendo grande razão para haver dois tipos iguais de granadas. Teria sido mais interessante se houvesse alguma variedade neste tipo uma vez que até existe uma nova espécie de inimigo que é eléctrico e que larga bolas de energia quando é derrotado. Estas bolas de energia são necessárias para abrir portas mas seria interessante utilizar as mesmas como “stun grenades” ou algo semelhante, ou até mudar as granadas de Xen para ter um efeito adicional para além de uma simples explosão.

Durante o jogo é possível coleccionar munição e resina com o simples gesto de colocar esses materiais na mochila que está nas costas do jogador (ou podem atirar para o vosso peito que o resultado é igual). A mochila é um item que tem vindo a estar cada vez mais popular em VR como desculpa de causar mais interacção para os jogadores, no entanto em Half-Life: Alyx a única função da mochila é a de guardar munição e resina, algo que é mais do que suficiente pois não é necessário adicionar tarefas enfadonhas de estar a consultar a mochila ou outras coisas constantemente.

No entanto existe uma espécie de inventário que está presente nos pulsos do jogador, permitindo que o jogador guarde até dois items no máximo (um em cada pulso). Estes items podem ser granadas, pequenas seringas que restauram vida ou outro tipo de item que seja necessário para o jogador. Acabei por encontrar momentos em que tinha demasiadas granadas ou seringas e então andava a atirar cada uma para o outro canto do mapa e a progredir aos poucos pois nunca sabia se poderia necessitar das mesmas ou não. O jogo é simpático e oferece o material necessário nas alturas necessárias, mas ficaria contente com pelo menos mais dois lugares no inventário para poder guardar algo extra.

Alyx possui uma ferramenta que a permite hackear dispositivos dos Combine, dando lugar a alguns minijogos onde é necessário ir de ponto A a ponto B e evitar tocar em pontos de alarme ou outros tipos de minijogos semelhantes. A início são bastante simples mas a dificuldade aumenta um pouco mais tarde, embora o vosso principal inimigo nestes casos acabe por ser o facto de este ser um jogo VR, onde por vezes os controlos ou a vossa localização física irá atrapalhar um pouco.

Pegando no tópico de movimento, que dá sempre que falar quando se trata de jogos VR. Half-Life: Alyx possui dois tipos de movimento, cada um com duas opções. A primeira opção é a habitual e popular em jogos VR onde o jogador anda aos “saltos” de um lado para outro, havendo a possibilidade de fazer com que exista uma pequena transição onde o ecrã fica escuro por um segundo ou não. A segunda opção é a de movimento contínuo com o analógico, com Alyx a dirigir-se ou para onde o jogador esteja a olhar ou a apontar com as mãos.

Usei na maioria das vezes a primeira opção mas sem a transição com o ecrã negro que serve para ajudar quem fica maldisposto mais facilmente mas que para mim atrapalhava mais do que ajudava. Em termos de movimento será sempre relativo para a pessoa como esta se sente em VR, por exemplo enquanto que me dei bastante bem com a primeira opção de “andar aos saltos” o modo de movimento contínuo acabou por afectar o meu sentimento de balanço a início, embora rapidamente me tenha habituado ao mesmo. De qualquer maneira preferi a primeira opção pois a meu ver dá mais jeito neste tipo de jogos e também é a maneira mais rápida de movimentar a personagem.

Falando sobre a prestação do jogo enquanto Half-Life, a história decorre em City 17 e o jogador acaba por descobrir novos locais da mesma. Explorar a cidade foi sempre algo que desejei poder fazer em Half-Life 2 por isso fiquei contente em regressar a este local. O jogador irá encontrar zombies, Combine e até novos tipos de inimigos, bem como fauna e flora de Xen que embrenhou-se no ecossistema da Terra.

Half-Life sempre fez uma mistura entre ficção científica, horror e militar e Half-Life: Alyx consegue recriar esses géneros de uma boa forma. O jogo não é tão aterrador quanto pensam que irá ser, muito provavelmente a ter em conta os mais fracos de coração que decidiram arranjar coragem para experimentar o jogo. Russel, uma nova personagem neste jogo, entra várias vezes em conversa com Alyx, o que alivia a sensação de desconforto e pavor que possa haver.

Russel é uma enorme fonte de comédia para o jogo, algo que tem sido um ponto bem forte da Valve desde o lançamento de Portal em 2007. Por outro lado Half-Life: Alyx também consegue fazer o oposto de comédia e induzir pequenos elementos de horror quando quer. Em termos de secções e momentos o melhor de todos consegue ser Jeff que tem um efeito extraordinário em VR.

A maioria dos locais que o jogador irá visitar são rurais que são apresentados como edifícios abandonados e que já viram melhores tempos mas todo o ambiente tem um bom aspecto em termos de gráficos, em especial os modelos das personagens. No que toca à banda sonora esta consegue criar um bom ambiente com óptimos temas que foram criados para este jogo.

Quanto a performance não tive grandes problemas, sendo que na maioria das vezes o meu maior adversário era o pouco espaço que possuo no meu quarto, mas de alguma forma acabei por conseguir ser mandado para fora do mapa algumas vezes e uma vez encontrei um headcrab que parecia ter uns copos a mais. Retirando essas pequenas aventuras Half-Life: Alyx não apresenta problemas e irá durar-vos no mínimo treze horas até o completarem.

Half-Life: Alyx prova que quando a Valve decide empenar-she que consegue apresentar óptimos resultados. Não só é um dos melhores jogos VR que está actualmente no mercado e que é um jogo a sério para além de uma pequena demonstração ou experiência como também é uma verdadeira experiência Half-Life que está ao nível das expectativas dos fãs. Não é Half-Life 3 mas está lá perto, ao ponto de afectar a história da série e de invocar ainda mais a necessidade de a esperada conclusão finalmente ver a luz do dia. Por muito do contra que algumas pessoas estejam, Half-Life: Alyx não podia acontecer de outra forma a não ser em VR.

Positivo:

  • Gravity Gloves são uma necessidade para todos os jogos VR
  • Tem óptimo aspecto e fluidez para um jogo VR
  • Bom tempo de duração
  • Valve continua a ter um excelente humor
  • Banda sonora de qualidade
  • Russel é uma boa personagem
  • Jeff

Negativo:

  • Por vezes trocar de armas no meio da acção é uma complicação
  • Podia haver uma maior variedade de granadas
  • Continua a não ser a conclusão esperada da série, apesar de adicionar mais à mesma

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