Análise – Fire Emblem Fates: Conquest

 

Dois anos após o grande regresso da saga Fire Emblem com o sucesso de Fire Emblem Awakening, surge então Fire Emblem FatesFire Emblem Fates está dividido em dois jogos e um DLC, cada um com um nível de dificuldade distinto: Fire Emblem Fates: Birthright , Fire Emblem Fates: Conquest e Fire Emblem Fates: Revelations.

Escolhi a versão Conquest para analisar, e para quem ainda não sabe esta é a versão mais difícil do jogo. Porquê, perguntam-se vocês? Porque eu gosto de desafios e as personagens chamaram-me mais à atenção que as de Birthright, especialmente o Xander (Markx na versão japonesa) e a Camilla. Para além disso, queria jogar algo com um enredo mais obscuro do que aquele que costumo escolher neste estilo de jogos. Fire Emblem Fates: Conquest é de facto um jogo difícil, pois cada passo que damos com as personagens, quais escolhemos treinar primeiro, com quem juntamos seja em batalha, seja como casal; tudo deve ser calculado com cautela e muita estratégia.

As personagens são deveras interessantes, especialmente a família real. Adoro o Xander (o irmão mais velho), e casei a minha personagem com ele por ser mesmo o meu favorito do jogo. Não posso explicar muito senão vou encher-vos de spoilers e sei que vocês não querem isso, mas as conversas que tive com ele (e com as outras personagens) ajudam a conhecer melhor cada uma delas, e a história de Xander deixou-me interessada. A Azura deixou-me completamente apaixonada, adorei o design dela e a história em redor dela, apesar de não ser muito aprofundada nesta versão do jogo. A Camilla também é uma personagem bastante chamativa, com uma personalidade bastante peculiar e que adorei desde o início. Também gostei imenso da Elise e do Leo, por serem personagens muito únicas e todas elas se complementam umas às outras, formando uma família muito unida. Não obstante, as personagens fora do agregado familiar também estão muito bem desenvolvidas e gostei muito de praticamente todos, como Arthur e Nyx.

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Em termos de história, está muito bem construída, avança de forma natural e constante e gostei do desfecho. Não vou dizer muito mais porque senão ainda digo spoilers, mas vale a pena.Houve mortes injustas, posso dizer que fiquei revoltada com uma em específico e chegou a fazer-me chorar. O jogo é cruel e cru no que toca a mortes e assuntos mais sérios, e podem contar com uma história realista no que toca à vida, guerra e morte. Mesmo assim, há coisas que não são explicadas na história e que só jogando as outras versões, é que tomam conhecimento destas.

Penso que o jogo deveria ser mais esclarecedor em relação a esses assuntos, mas se calhar foi uma maneira de fazer as outras pessoas jogarem todas as versões. Eu passei o jogo em dois dias, mas posso dizer-vos que cada cenário/nível leva algum tempo a concluir, mesmo que estejam na dificuldade mais fácil de Conquest. Aconselho-vos a não jogarem a primeira vez com Permadeath se escolherem esta versão; pois é muito, muito difícil não morrer ninguém e a dificuldade do jogo deve-se ao facto de não poderem fazer grinding e terem as relações interpessoais bastante limitadas em comparação às outras versões. Por essas mesmas razões, o jogo faz o jogador pensar seriamente nas decisões que tem a tomar ao longo da campanha e à medida que vai passando de nível a nível.

A banda sonora é muito bonita, sombria e faz-me lembrar Fire Emblem Awakening dependendo das músicas, mas a canção da Azura é simplesmente encantadora (pun intended) e fica no ouvido (e cabeça, que dou por mim a cantarolar a canção bastante vezes). Em termos de gráficos, estão bastante parecidos com os de Fire Emblem Awakening, se bem que a meu ver estão ligeiramente superiores. As partículas, efeitos, animações parecem-me mais fluídas e o design das personagens está muito bem conseguido. Gostei de experimentar o jogo com o 3D ligado, penso que funciona bem, mas mesmo assim prefiro jogar com ele desligado.

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A arte do jogo é linda, como seria de esperar da Nintendo e gostei das opções de personalização da nossa personagem, se bem que existe uma diferença que notei logo de início em relação a Fire Emblem Awakening: Não podemos mudar a cor dos nossos olhos. Porquê? Se quiserem respostas a isso, terão de jogar o jogo.

Em termos de classes, são muito similares às de Fire Emblem Awakening, embora a maioria tenha nomes diferentes. Outra diferença de Fates em relação a Awakening: as personagens já não mudam de roupa quando mudam de classe. Gostei bastante da classe Nohr Noble, fez-me lembrar imenso a classe Avatar de FE:A por poder usar magia, espadas e outra coisa da qual não posso falar. O trabalho vocal está bem conseguido, e as vozes encaixam bem nos personagens. No entanto, penso que deveriam ter mais frases em voz, especialmente quando os personagens têm bastante texto e apenas ouvimos um suspiro ou parte da frase.

Em Fire Emblem Fates: Conquest temos o nosso próprio castelo, ou My Castle em vez das Barracks de Fire Emblem Awakening, onde podemos construir edifícios para aumentar as defesas do nosso castelo, fazer upgrade a esses mesmos edifícios, colher alimentos e materiais que podem ser usados para comprar acessórios ou para outras funcionalidades, socializar com os nossos companheiros e ainda ter a nossa própria casa ( Private Chambers). Podem construir edifícios como a Arena, a Dusk Lottery onde podem ganhar prémios e até um Banho Público onde podem acontecer coisas engraçadas. Para isso, precisam de acumular Dragon Veins, que vão acumulando à medida que visitarem outros castelos e afins.

fire-emblem-3ds-trailer-2016-pn-nOutro uso das Dragon Veins é em combate, onde estas podem desencadear acções que vos podem fazer ganhar ou perder a batalha. São de uso limitado, por isso usem-nas com sabedoria. As armas já não têm durabilidade limitada, coisa que me deixou bastante contente. Em Fire Emblem: Awakening tive alturas de grande stress porque só podia usar as armas um determinado número de vezes antes de elas partirem, por isso é um grande alívio. Podem também criar as vossas próprias armas neste jogo e darem-lhe um nome à vossa escolha.

A jogabilidade é praticamente igual à de Fire Emblem: Awakening nas batalhas, mas notam-se algumas melhorias, como as parcerias serem agora de ataque ou defesa de acordo com a posição das personagens, entre outras. É um sistema de combate por estratégia e por turnos, onde têm uma grelha por onde o personagem se pode movimentar até um certo limite de passos por turno.

Nos settings têm várias opções, sendo uma delas o vosso Castle Address. Podem dar esse Address aos vossos amigos para vos poderem visitar, e até vos desafiarem para uma batalha.(também o podem fazer por Wireless). Quanto à dificuldade do jogo, podem baixá-la, mas não aumentá-la, por isso pensem bem em que dificuldade jogar, para além do Permadeath, têm duas outras opções: Phoenix (em que os personagens voltam a batalha no turno a seguir à sua morte) e o normal, que seria voltarem no próximo capítulo. Em Streetpass, poderão visitar os vossos amigos e as pessoas por quem passarem, e se quiserem podem deixar feedback ou dar acessórios.

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Fiquei bastante desapontada por o jogo estar bastante censurado em relação à versão Japonesa, especialmente nas relações com os outros personagens. Para além de ser difícil de conseguirmos suporte S em Conquest, nas Private Chambers temos o nosso marido ou mulher connosco. Ora, na versão japonesa, podemos fazer-lhes festas e afins, e na versão europeia não temos direito a isso. Aliás, temos de nos esforçar para encher os coraçõezinhos todos e desbloquearmos coisas giras, mas que não se comparam às japonesas. Para além de termos interacções com o nosso parceiro ou parceira, podemos convidar outras personagens a visitarem a nossa casa, o que pode ajudar a melhorar a nossa amizade com elas. Enfim, censura é um grande ponto negativo para mim seja em que jogo for. Isso e não podermos casar com personagens do mesmo sexo… que também é censura.

No geral, Fire Emblem Fates: Conquest consegue ser um grande Fire Emblem e superou as minhas expectativas embora a censura seja muita, e vale a pena ser jogado do início ao fim. Se são fãs da série, devem jogar Fire Emblem Fates: Conquest e tirar as vossas conclusões quanto ao jogo.

Fiquem atentos à próxima análise de Fire Emblem Fates: Revelation e à nossa derradeira análise final em vídeo que serão publicadas em breve. Podem ler a análise da versão Fire Emblem Fates Birthright no link que se segue: Análise – Fire Emblem Fates: Birthright

Positivo

  • História interessante e bem contada
  • Visual carismático e apelativo
  • Criação de personagem própria
  • Sistema de combate táctico viciante
  • Personagens únicas e interessantes

Negativo

  • Muita censura
  • Algumas mortes injustas
  • Mais diálogo vocal para as falas, especialmente em textos grandes
  • Já falei na censura?

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