Análise – Fire Emblem Fates: Birthright

 

Quem diria que ao final de tantos episódios e lançamentos no ocidente que um dia todos iriam estar à espera de Fire Emblem como quem aguarda por um Pokémon ou um jogo de Metroid. Depois de Fire Emblem Awakening, parece que toda a gente acordou para esta série, que se tornou numa das mais adoradas da Nintendo.

Sabendo disso, a Nintendo resolveu também localizar Fire Emblem Fates para a Europa, com tudo o que existe de bom e mau em redor deste esforço, pois se temos aqui um grande jogo por um lado, também temos uma série de pontos negativos que o impedem de ser um dos melhores jogos deste ano.

Fire Emblem Fates foi dividido em três partes, Birthright, Conquest e Revelation. Cada um aborda uma parte diferente da história, dando um percurso distinto, por isso, podem contar com três análises diferentes escritas por pessoas diferentes, Birthright está nas minhas mãos, enquanto a Adriana Silva vai analisar o Conquest e o Alexandre Barbosa a Revelation.

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Vamos então explorar Fire Emblem Fates: Birthright, a versão mais “casual” das três, que serve como ponto de entrada e permite treinar as personagens de forma livre e ir evoluíndo ao nosso próprio ritmo, ou seja, é o Fire Emblem clássico como nós o conhecemos, o que não é bom, é óptimo. Quem quiser, pode sempre aumentar a dificuldade e jogar em modo clássico onde existe perma-death (personagens que morrem nunca mais voltam), por isso é um jogo que dá para os mais casuais ou puristas. Como não gosto de perder personagens, joguei em Normal e sem perma-death, o que resultou numa experiência bem melhor e menos frustrante, pois sei de muita gente que joga em clássico e desliga a consola quando alguém morre. Assim se seguem as regras no mundo dos videojogos.

Embora tenha uma história épica de luta entre duas regiões (Hoshido e Nohr), Fire Emblem Fates só nos obriga a escolher um dos lados no capítulo 6, tentando dar a conhecer cada um dos lados e levar-nos a tomar uma decisão. Infelizmente, esse trabalho é mal feito e quando cheguei ao sexto capítulo em pouco mais de duas horas, não senti qualquer dúvida na escolha, não por ter gostado mais de um lado, mas porque não existe tempo suficiente para afeiçoar a qualquer um dos lados.

Hoshido são apresentados como os bons da fita e o Nohr como os invasores e maus, com um líder e “pai” que é uma besta. Ou seja, mesmo que não fosse eu a analisar Birthright, escolhia Hoshido sem pensar duas vezes, não por me terem conquistado, mas sim, porque não é dada uma boa causa vontade de combater do lado dos invasores com um líder que é claramente mau.

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A partir do capítulo seis, a história começa a melhorar e aí sim, já temos tempo para conhecer melhor as personagens. Hoshido tem personagens bastante boas e com as quais simpatizei bastante depressa. Claro que existem sempre as ovelhas negras, no entanto, consegui criar uma equipa bastante eqílibrada com as personagens que mais gostava. Levando para combate um exército bem treinado e pronto para o combate.

Tal como nos Fire Emblem anteriores, também podem criar amizade e relacionamentos com os membros da vossa equipa. Os desenvolvimentos nem sempre fazem sentido e existem diálogos que nem sequer fazem muito sentido quando se está a criar amizade, porém, não senti tanto o poder da confirmada censura, pois joguei com uma personagem feminina que não consegue ir “até ao fundo” com praticamente todas as outras personagens femininas (sim, criei uma heroína lésbica). É uma pena que não existam mais relacionamentos do mesmo sexo (limitados a uma personagem para cada sexo), pois embora não surjam filhos é interessante ver até onde o jogo deixa ir vendo por um prisma diferente.

As relações podem ser exploradas essêncialmente na vossa fortaleza, uma zona fora de combate onde constroem edíficios com várias utilidades, desde lojas de armas e arenas, até saunas e prisões. Todos os edifícios e estruturas que colocam no mapa são também úteis online, pois é possível visitar as fortalezas de outras pessoas para conversar, ganhar novos items e até fazer grandes combates entre as diversas personagens. Este é um modo que funciona bastante bem, ajuda a treinar e que cria horas e horas de conteúdo extra, seja a falar com as personagens, evoluír a fortaleza ou lutar contra outros jogadores.

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Os combates decorrem ao estilo clássico de Fire Emblem, com as unidades a serem representadas num mapa coberto de uma grelha onde se movimentam por casas. Cada combate apresenta objectivos específicos, no entanto o resultado passa quase sempre por derrotar todos os inimigos. Para isso, a cooperação entre personagens é essêncial, sendo possível combinar unidades em terreno, cruzar ataques mantendo aliados perto uns dos outros, entre muitas outras ferramentas. O mais frustrante dos combates de Fire Emblem, é a forma como alguns combates conseguem ser totalmente aleatórios e injustos. Por vezes falhamos mais ataques que um inimigo que tem muito menos pontaria e ainda existem casos onde perdi unidades por levar ataques críticos (que são raros) de forma consecutiva. Se isto é irritante para mim, imaginem para quem joga com mortes permanentes.

Agora no que respeita ao visual de jogo, Fire Emblem Fates: Birthright não é um jogo que tenha grandes gráficos, mas consegue fazer uma boa mistura entre sprites, arte e alguns modelos em 3D. As cinemáticas são o elemento mais impressionante do jogo, deixando com que tudo o resto seja apenas bom. A música e vozes estão muito bem conseguidas, com a banda sonora a ser o ponto mais alto como seria de esperar. Todas as vozes estão em inglês e com poucas excepções, estão bastante bem.

Chegou então a altura de falar do maior problema de Fire Emblem Fates e a principal razão pelo qual não lhe dou a nota máxima. Por muito conteúdo que tenha e mesmo que seja possível gastar largas dezenas de horas a jogar qualquer uma das versões, é mais que óbvio que os três jogos deviam ser na realidade um. É impossível não sentir ao jogar que tudo isto foi feito para arrancar mais dinheiro aos jogadores. Se pensarmos em Pokémon, a história é praticamente igual, por isso não perdemos muito se formos apenas para uma versão. Aqui, somos totalmente privados da totalidade da história. Há 10 anos atrás, Fire Emblem Fates: Birthright, Conquest e Revelation seria vendido como um único jogo que apresentava a escolha e caminhos diferentes como um ponto de venda. Na era em que vivemos, não são três jogos, é um jogo que foi dividido em três.

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De qualquer forma, Fire Emblem Fates: Birthright por si só é um jogo que me agradou imenso e me fez estar agarrado à Nintendo 3DS durante largas sessões de jogo (mais uma vez). No geral e depois de falar com o resto da equipa que está a jogar Fire Emblem Fates, este é bem capaz de ser a melhor versão, pois é o mais Fire Emblem de todos. Embora não possa fechar os olhos à introdução fraca e ao formato em que é vendido, Fire Emblem Fates: Birthright é um dos meus jogos favoritos deste ano e deixou-me com vontade de jogar tanto Conquest como Revelation.

Fiquem então atentos ao PróximoNível para as análises a Fire Emblem Fates: Conquest e Fire Emblem Fates: Revelations que vão culminar com a nossa opinião final em vídeo.

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Positivo:

  • Cinemáticas de encher o olho
  • Combate desafiante
  • Evolução das personagens e relações
  • Liberdade para treinar
  • Criação e defesa da fortaleza
  • Boas vozes e banda sonora

Negativo:

  • Início falha em criar dúvida na escolha
  • Situações de luta injustas
  • É um jogo vendido em três partes

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