Análise – Dusk Diver 2

Quando o primeiro Dusk Diver foi anunciado, fiquei bastante curioso com aquilo que o estúdio prometia e estava a mostrar. Se há algo que ajuda a vender um jogo é sua arte direcção artística e o primeiro jogo tinha bastantes desses elementos presentes nas suas imagens, personagens e até jogabilidade. Apesar das promessas, Dusk Diver ficou um pouco aquém das expectativas.

Já na altura pensei que um Dusk Diver 2 poderia elevar a série para algo melhor e dar-lhe mais destaque. Quando a sequela foi revelada, fiz o melhor para manter as expectativas em xeque e esperei que o jogo chegásse para análise. As boas notícias é são que Dusk Diver 2 é melhor que o primeiro. As más é que podia ser ainda bem melhor.

Dusk Diver 2 continua a história do primeiro jogo, o que quer dizer que o elenco original está de regresso e os acontecimentos do anterior estão aqui presentes. Existe forma de ler a história através de um menu alternativo, mas é pena que a história original seja apresentada de forma tão simples e resumida, o que pode deixar quem chega agora um pouco perdido.

Dusk Diver 2 mostra como as personagens principais evoluiram nos últimos tempos e introduz uma série nova de aliados e vilões. A parte boa de tudo isto é que as personagens deste universo continuam a ser muito cativantes e com personalidades muito distintas. Yumo é uma boa protagonista e os seus colegas são todos eles bastante distintos e especiais. A patroa da loja continua a ser uma matrioska gato de porcelana e até a antiga vilã faz agora parte da família. Por outro lado, os vilões deste segundo jogo são demasiado declarados e conseguimos perceber as suas intenções a um quilómetros de distância, felizmente, alguns deles ainda são bastante apelativos e acabam por construir um paralelismo com os “bons da fita”.

Tal como acontece no primeiro, Dusk Diver 2 está dividido em dois grandes segmentos, a exploração de Ximending, a cidade hub do jogo onde podemos encontrar várias missões alternativas, personagens para falar e restaurantes para visitar. Estas actividades secundárias não são muito vastas nem são inovadoras, pois as missões alternativas são bastante simples e directas ao assunto, já as idas aos restaurantes é onde podemos ganhar novos bónus temporários para as personagens, um pouco ao estilo do que acontece na série Yakuza.

No outro lado da moeda temos o mundo alternativo onde as personagens podem entrar para combater uma espécie invasora. Este espaço tem vários cenários que vão aparecendo ao longo da campanha, embora sejam bastante simples, têm temáticas próprias que vão estar associadas à história, sendo que os melhores surgem nas partes mais avançadas do jogo.

O combate de Dusk Diver 2 é bastante bom e funciona bem, o sistema do original foi amplificado e agora podemos mudar entre personagens da equipa que deixam de ser apenas assists. Cada um deles têm as suas vantagens por serem mais fortes como é o caso de Leo ou La Viada que consegue atacar à distância. Este sistema de mudança de personagens é bom e dá mais profundidade à jogabilidade. Porém, é também nos elementos de combate que surgem alguns dos maiores problemas de Dusk Diver 2.

Um dos problemas mais visíveis que o jogo tem no que toca ao combate é o facto da maioria dos inimigos serem autênticas esponjas de dano, o que faz com que os combates durem muito mais tempo do que deviam, além de que a maioria dos inimigos básicos são demasiado simples e só se tornam uma ameaça maior por estarem em grandes grupos, estarem escondidos atrás da câmara, ou por surgirem em formatos altamente irritantes, como aqueles que atiram projecteis e fogem quando nos aproximamos deles. Além do mais, o sistema de progresso está associado quase sempre a arenas onde temos de matar todos os inimigos para avançar, sendo a solução para 90% dos casos.

Os combates contra bosses seguem o mesmo sistema, embora sejam ainda mais difíceis. Estes são igualmente esponjas de dano, mas têm ataques verdadeiramente devastadores que conseguem dar cabo de uma personagem bastante depressa. Alguns destes combates tive de ganhar aproveitando muito mais momentos próprios para Spam e rezando para que o próximo ataque escolhido pelo computador fosse algo mais fraco ou que desse tempo de desviar. Alguns bosses são melhores que outros, mas quase todos seguem estas regras.

Visualmente, Dusk Diver 2 é um jogo muito apelativo. A minha versão de teste foi de PS5 e é claro que tanto a fluídez como os lodings aproveitam a consola para que tudo corra bem. A nível gráfico, não é um jogo que tenha as melhores texturas ou o maior detalhe aplicado aos cenários, havendo muita geometria de cenário e objectos que ainda parecem saídos da era da PS3. De qualquer forma, é através da direcção artística e design de personagens que Dusk Diver 2 ganha pontos e as suas claras inspirações nos JRPG japoneses e em especial na série Persona, deixam-no viver o sonho de ser mais do que apenas um “clone”.

Sonoramente, temos aqui uma banda sonora bastante boa, com músicas que encaixam bem no estilo de jogo, porém algumas delas estão de regresso do primeiro, por isso podem fartar um pouco se jogarem de seguida. As vozes podem ser ouvidas em japonês ou chinês, sendo que optei pela japonesa por ter jogado o primeiro desta forma. Jogar com phones faz com que as vozes das personagens pareçam ter um eco de fundo que se estranha, algo que já não acontece tanto se tiverem jogar com o som da TV. A história pode ser acabada em menos de 20 horas caso queiram focar o vosso tempo de jogo, mas ainda conseguem chegar quase ao dobro se quiserem fazer tudo.

Dusk Diver 2 é sem dúvida alguma um passo acima do anterior, mas mesmo assim ainda sofre com vários problemas que o impedem de ser uma nova referência. As questões associadas ao combate, os inimigos esponja e o facto de parecer um jogo AA, acabam por ser equilibrados por uma boa direcção artística, personagens carismáticas e um mundo de jogo interessante. Se existir um terceiro jogo e este tenha maior investimento e tente consolidar a sua identidade, talvez nessa altura Dusk Diver consiga vir a entrar para o panteão.

Positivo:

  • Direcção artística
  • Personagens carismáticas
  • Aliados que podemos usar em combate
  • Bom trabalho sonoro

Negativo:

  • Muitas vezes fica preso no AA
  • Gráficos algo áquem
  • Estranho som com eco das vozes
  • Inimigos esponja

 

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