Análise – Donkey Kong Country Tropical Freeze

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Felizmente, se existe um género que conseguiu resistir à evolução dos videojogos, esse foi o estilo de plataformas em 2D, que na geração passada conseguiu provar a sua força frente aos jogos em 3D.

Todos sabem que eu sou um tipo muito mais interessado em RPG e os jogos de plataformas, são apenas um dos muitos géneros que aprecio mas não dos meus favoritos. Porém, existem alguns clássicos do género que me ficaram na memória até hoje, como Sonic e Knuckles, Super Mario Land 2 Six Golden Coins e um certo Donkey Kong Land 3 lançado no Gameboy.

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Foi por causa de Donkey Kong Land 3 que resolvi analisar Donkey Kong Country Returns e a versão 3D, e foi também por ele que Donkey Kong Country Tropical Freeze me veio parar às mãos. Com mais de duas semanas de teste ao novo jogo, posso dizer que o espírito da série continua bem vivo.

Donkey Kong Country Tropical Freeze começa logo após a chegada de uma espécie de leões marinhos com estilo Viking que congelam a ilha e que atiram Donkey Kong, Diddy Kong, Dixie Kong e Cranky Kong para uma das ilhas distantes. Cabe assim aos símios regressar à sua ilha, viajando entre o arquipélago que engloba regiões de vários tipos.

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O facto de podermos viajar entre várias ilhas é uma das vantagens de Donkey Kong Country Tropical Freeze, pois cada uma destas apresenta algumas temáticas bem diferentes, como selva, alpes, savana e até as típicas zonas recheadas de cenários aquáticos sempre presentes neste género.

A variedade é algo que é patente neste jogo e foi feito um esforço claro para que até os cenários tenham sempre algo diferente entre si, seja com vento à mistura, andar em vagões sobre carris, apagar fogos com plantas de água, ou andar de rinoceronte. Mesmo que alguns sistemas se possam repetir de X em X níveis, estes tentam sempre ser espaçados e no máximo com uma ou duas aparições por ilha (zona) de forma a não se tornar repetitivo.

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A jogabilidade é a clássica do género de plataformas, mas é bem diferente de coisas como New Super Mario Bros. ou Kirby. Para começar, Donkey Kong é bem mais rápido e exige muito mais precisão na maioria das situações, pois a movimentação das personagens parece até bem mais solta que nos outros jogos do género. A precisão é algo essencial, especialmente tendo em conta que a maioria dos saltos exigem que usem inimigos como rampa de lançamento, ou usem várias habilidades em sequência para saltar mais longe.

Para aumentar ainda mais a variedade, Donkey Kong Country Tropical Freeze volta a ter o sistema parceiros do jogo anterior, mas agora ampliado com a adição da Dixie Kong e de Cranky Kong. Diddy continua a usar o seu jetpack para planar durante uns segundos, Dixie dá um pequeno impulso extra após um salto e Cranky funciona da mesma forma que o Tio Patinhas em Ducktales, usando a sua bengala para dar impulsos no solo.

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Dos três, Dixie acabou por ser a minha favorita e a que quis usar sempre, pois a sua habilidade é realmente útil, Cranky apesar de dar jeito, é demasiado instável e dei por mim a carregar muitas vezes no salto apenas para mergulhar em direcção a buracos, acabando em mortes certas, Diddy fica a meio termo e a sua utilização é útil como sempre.

Apesar de não ser um jogo fácil, Donkey Kong Country Tropical Freeze compensa a sua dificuldade não com sistemas de ajuda, mas com uma enchente de vidas que nunca mais acaba. Dei por mim a morrer várias vezes numa só secção, para no cenário seguinte recolher logo seis ou sete vidas de enfiada e voltar a ter uma boa dose delas. A meio do jogo já ia com mais de 70 vidas prontas a usar e abusar.

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Outro ponto curioso passa pelo facto de Donkey Kong Country Tropical Freeze não ser um jogo difícil na sua construção, aliás, até é bastante óbvio e perceptível, mas é a vontade de apanhar as peças de KONG ou as de Puzzle que nos fazem perder vezes sem conta. Comi suicídio várias vezes por deixar uma peça para trás ou morrer por estar a tentar alcançar um destes extras. Mesmo que tentem jogar apenas para chegar ao fim do cenário, estes coleccionáveis são um chamariz inegável para a morte.

Por acaso, a campanha do jogo não é muito longa, durando cerca de 8 a 10 horas, mas existem tantos níveis extra e colecionáveis para apanhar que podem gastar ainda mais umas boas horas para apanhar tudo, além de que desbloqueiam Time Trials para fazer após terminar um nível, o que por si só representa quase o dobro da longevidade.

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Não esquecer que também existe um modo cooperativo para mais um jogador. É uma pena que com a adição de duas novas personagens não possam jogar com até quatro pessoas ao mesmo tempo, mas pelo menos duas está assegurado. Por isso já sabem, guardem Super Mario 3D World e Rayman Legends para dias com mais gente em casa e joguem este em dias menos movimentados.

A passagem para a Wii U em HD fez claramente bem a Donkey Kong Country, pois Tropical Freeze é bem mais bonito e detalhado que o jogo anterior, além de que, foi aproveitado o poder da consola para que a câmara se pudesse movimentar mais pelos cenários, especialmente em situações com barris, acompanhando a acção de forma mais cinemática. Os primatas e os inimigos também ganham com esta evolução e agora até conseguem ver o pelo de Donkey Kong bem mais detalhado e os seus pelos a mexer com os seus movimentos.

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Embora não um grande fã do estilo musical de Donkey Kong Country Tropical Freeze, confesso que gostei da maioria das músicas, em especial da terceira ilha, as quais parecem quase saídas de um filme como o Rei Leão. Tudo o resto parece ter sido construído para um desenho animado para os mais novos, o que até nem fica mal neste novo jogo.

Fiquei também algo decepcionado com a ausência de grandes funcionalidades para o Gamepad, é verdade que nunca se deve forçar algo a mais se não vier a dar frutos, mas este é um jogo da Nintendo e a Nintendo prometeu que ia mostrar nos seus próximos jogos como o Gamepad é uma grande ferramenta e melhora a experiência de jogo. Pelo menos é possível jogar apenas no Gamepad, mas isso acontece em praticamente todos os jogos da consola.

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Mesmo que a espaços pareça exactamente o mesmo jogo que Donkey Kong Country Returns, Donkey Kong Country Tropical Freeze traz muitas novidades mesmo que jogue quase sempre pelo seguro. Quando um estilo de secção já começa a aborrecer, existe sempre algo novo que renova a vontade de continuar a jogar, uma necessidade, pois a história serve apenas como um pano de fundo.

Admito que gostei mais do meu tempo passado com Donkey Kong Country Tropical Freeze do que com Super Mario 3D World, mas tenho de reconhecer que o jogo do canalizador consegue ser mais forte e sólido que este, além de oferecer mais variedade e estilos de jogabilidade diferentes. De qualquer forma, se já terminaram 3D World, então este Donkey Kong Country Tropical Freeze é a vossa próxima paragem na Wii U.

Positivo:

  • Donkey Kong em HDpn-recomendado-ana
  • Variedade das zonas
  • Tenta fugir à repetição em cada cenário
  • Combates de Boss
  • Boa adição de Dixie e Cranky
  • Muitos extras para recolher

Negativo:

  • Algumas secções com dificuldade desajustada
  • Certas zonas parecem cópias de Country Returns
  • O ecrã do Gamepad devia ter alguma utilização

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Bino

Wii U em grande, finalmente!

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