Análise – Digimon Story: Cyber Sleuth

Já se passou algum tempo desde que o último RPG de Digimon chegou ao Ocidente. E foi preciso a insistência dos fãs para que a Bandai Namco voltasse a apostar em nós. O resultado foi a localização de um dos mais recentes jogos da série, Digimon Story: Cyber Sleuth.

Digimon Story: Cyber Sleuth faz parte da franquia Digimon Story que teve início com Digimon World DS (que no Japão o nome original é Digimon Story), e caso tenham adivinhado, Digimon World (Story) Dawn e Dusk também entram na mesma categoria, o que à partida revela algumas das mecânicas que Digimon Story: Cyber Sleuth possui.

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A história de Digimon Story: Cyber Sleuth começa com o protagonista Takumi/Ami (é possível mudar o nome) que vem até Eden, uma espécie de internet com realidade virtual, para um encontro online com dois amigos de um chat. Durante esse encontro acontecem uns problemas e o protagonista acaba por se tornar num hacker, pessoas com habilidade de capturar Digimon, e num incidente fica com um corpo meio-digital que tanto pode andar no mundo real como no mundo virtual.

O protagonista é imediatamente encontrado por Kyoko Kuremi, uma detective, que acaba por o recrutar como um Cyber Sleuth, para ajudar a resolver a situação do protagonista e algo que poderá estar conectado a essa mesma situação.

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Começando com a sua jogabilidade, Digimon Story: Cyber Sleuth é um RPG à antiga, ou seja, random encounters e combates por turnos. Estes combates por turnos, para prazer meu, são iguais a Final Fantasy X, onde cada Digimon em campo tem um turno e uma acção tomada pode mudar a ordem pela qual o Digimon a seguir irá actuar.

Durante os combates as acções a tomar já são mais que conhecidas para os amantes de RPG, defender, atacar, usar uma habilidade (skill), usar um item, fugir ou mudar os membros em campo (que irá custar um turno). Existe também uma opção de ataque automático caso estejam apenas a passar por uma área low level ou a fazer grinding (ou não querem estar a seleccionar os ataques). Da maior parte das vezes que seleccionei esta opção o resultado foi bom, a AI soube seleccionar ataques que davam mais dano ao inimigo, e sabia como manter a equipa com a vida máxima, embora por vezes desperdiçasse turnos em healing skills desnecessárias.

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Como falei em ataques que dão mais dano ao inimigo o melhor é abordar já esse assunto, como devem saber, os Digimon estão divididos em categorias, vírus, data e etc. Pois essas mesmas categorias têm efeito nos combates, Digimon do tipo vírus oferecem mais dano a Digimon do tipo data, e Digimon do tipo data dão menos dano a Digimon do tipo vírus. No entanto esse não é o único elemento em jogo. Numa segunda categoria existe o comum dano elementar, ou seja, fogo, água e etc. Por isso existe muita margem de manobra para planear ataques.

Passando ao que a maior parte quer saber, a “captura” de Digimon. No início do jogo temos de escolher entre três Digimon, Terriermon, Palmon e Hagurumon. Após termos o nosso fofinho Terri.. Digimon o passo seguinte é entrar em combate. No início de cada combate os Digimon inimigos irão sofrer um scan, que quando chega a 100% (ou 200% para melhores stats) permite-nos invocar o mesmo através do DigiLab (sendo que depois é necessário voltar a fazer scan).

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O que é o DigiLab? O DigiLab, tal como o nome diz, é um laboratório digital, onde podem mudar os membros da equipa, digivoluir Digimon, gerir a DigiFarm e até combater online. Falando em digivoluções, o sistema aqui é diferente de Pokémon. Enquanto que em Pokémon uma evolução é permanente, em Digimon Story: Cyber Sleuth existe uma mecânica bem maior por detrás.

Para exemplificar de uma maneira que possam perceber, vamos imaginar que o Agumon para digivoluir para Greymon precisa de estar no mínimo a nível 15 e de ter o ataque a 35. No entanto o corrente nível máximo de Agumon é de 10 e devido a isso o seu ataque está apenas a 27. É aqui que entra a des-digivolução, onde Agumon retrocede até Koromon, mas desta vez o nível máximo de Koromon (que vamos supor que era 5) é de 15 e consequentemente as suas estatísticas irão aumentar.

Ao digivoluir Koromon de volta para Agumon, o nível regressa a nível 1, mas desta vez ele pode ir até 25. Permitindo assim digivoluir para Greymon. Por vezes será necessário outros critérios, como possuir um certo item, ou ter uma certa quantidade de CAM (que é possível obter tendo os Digimon em combate). É uma boa mecânica que faz com que invistamos mais tempo e cuidado ao treinar os nossos Digimon.

A DigiFarm, algo presente na série Digimon Story, recebe uma versão mais simplificada neste novo jogo. Havendo apenas três comandos, treino, que tem como função aumentar os máximos stats, criação, onde a custo de dinheiro damos a ordem para os Digimon fazerem itens, e investigação, que oferece novos casos para resolver. Não é necessário cuidar dos Digimon, limpar o cocó, dar de comer e etc. como nos jogos anteriores, nem existem secções separadas para aumentar os diferentes stats (embora seja possível comprar itens que o façam), uma vez na DigiFarm, os Digimon irão ganhando experiência e aumentando de nível conforme o tempo passa.

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Falando da vida fora dos combates e criação de Digimon, é possível andar tanto no mundo real como em Eden (o mundo virtual AKA internet), bem ao género da série Persona. No mundo real irão encontrar vários locais que tentam recrear fielmente o Japão. Para além de poderem andar a passear por locais famosos como Akihabara, podem aceitar missões secundárias, que por vezes são necessárias para continuar com a história.

Pegando na história, após o prólogo inicial esta divide-se em três linhas simultâneas. Por vezes juntamo-nos a Nokia, que parece ter uma relação especial com um Agumon e Gabumon. Outras vezes temos aventuras com Arata que prefere não falar sobre si, enquanto exploramos áreas do mundo real que se tornam digitais.

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A terceira linha de história envolve Yuuko, que está relacionada com a Kamishiro Enterprise, companhia que criou Eden. A maioria do jogo passa por saltos entre cada parte da história, com uns “fillers” pelo meio. Sendo que mais tarde as três histórias juntam-se para a parte final.

Por um lado gostei que o jogo explora-se mais do que uma história, pois dava para desenvolver as personagens, mas por outro o facto de num capítulo estar com Nokia à procura de Agumon e Gabumon em Eden, e depois estar com Arata no mundo real a tratar dos problemas que estão a ocorrer quebra um pouco a narrativa principal que fica esquecida. Daí ter preferência pelos momentos com Yuuko, pois está mais perto da história principal.

Em termos de visuais o jogo tem um bom aspecto, os Digimon continuam bons como sempre, e o design das personagens está muito bom. Os cenários do mundo real conseguem recriar bem os locais, já os de Eden não são muito inspiradores, uma vez que acaba por ser sempre o mesmo tema e sem nada de inovador entre cada lugar, acabando por ficar monótono após algumas horas.

A banda sonora a princípio passa despercebida, mas por vezes lembra-se de atacar com bons temas. O único senão é de a mesma não ser muito variada. O jogo contém apenas vozes em Japonês, que estão boas, ao contrário do lip sync, que parece sofrer de um lag, pois acaba sempre por não condizer com as falas e o facto de o protagonista ser silencioso. Como as vozes estão apenas em Japonês, é óbvio que a tradução do resto do jogo está em Inglês, que por vezes não está no seu maior, tendo alguns momentos à la Sword Art Online: Hollow Fragment, com uns erros ou uma frase complicada de se perceber. Mas foram poucos os casos em que me deparei com o mesmo.

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Como disse mais cedo, existe um modo online, que bem podia fazer uso de um matchmaking. Da primeira vez que tentei combater online deparei-me de imediato com um oponente que possuía Digimon nas suas últimas formas, enquanto eu possuía as formas básicas. Escusado será dizer que ele limpou o chão comigo.

Das outras vezes que procurei um combate, desta vez com Digimon a nível campeão. Apenas consegui encontrar um adversário ao “meu nível”, embora ele tenha saído ainda antes do combate começar. O que torna o online em algo chato, uma vez que não existe nenhuma maneira de colocar restrições nos “níveis” dos Digimon usados.

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Digimon não podia ter feito um melhor regresso (com a excepção de Digimon World Re:Digitize, mas isso porque sou um maior fã da série World), a história demora a arrancar mas as personagens são bastante carismáticas. O sistema de combate bem como a AI estão bons, e a mecânica por detrás das digivoluções oferece imenso tempo de jogo para coleccionar todos os Digimon.

O lip sync e os erros de tradução são algo que a Bandai Namco já deveria evitar, o modo online, apesar de ser a primeira vez que pude usufruir de um num jogo de Digimon (excluindo o Co-op local de Digimon World 4) necessita de um urgente matchmaking e algum tipo de restrição para poder ser mais apreciado. Este é certamente um bom regresso da série para os nossos lados, e talvez a abertura das portas para mais jogos da mesma.

[Todas as imagens presentes nesta análise foram captadas durante as nossas sessões de jogo]

Positivo:

  • Regresso da série Digimon
  • Sistema de combate
  • Mecânica de digivoluções
  • Personagens carismáticas
  • Expressões faciais do/a personagempn-recomendado-ana
  • Banda sonora
  • Várias histórias ao mesmo tempo…

Negativo:

  • …que acabam por desviar um pouco da história principal a início
  • Banda sonora acaba por ser um pouco repetitiva
  • Modo online necessita de matchmaking
  • Lip sync
  • Alguns erros de Inglês

pn-muitobom-ana

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Lfo

“Existe também uma opção de ataque automático caso estejam apenas a
passar por uma área low level ou a fazer grinding (ou não querem estar a
seleccionar os ataques).”

Oh yes, YES!!!

Qual era a tua party lategame?

Silver4000

Eu fui sempre mudando de membros, para poder evoluir uma certa quantia deles.
Mas podes ver pelas screens, os que encontrares a nível campeão foram os que tiveram prioridade x)

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